Pesquisa investiga fatores imunológicos e genéticos que influenciam evolução do HPV

Pesquisa investiga fatores imunológicos e genéticos que influenciam evolução do HPV

Estudo conta com dados sociodemográficos de pacientes acompanhadas em programas preventivos do SUS

No Brasil o câncer de colo de útero representa um desafio importante para o sistema de saúde, tanto pelo custo associado ao tratamento como também pelo impacto social, pois, se identificado em estágios mais avançados, pode demandar terapias mais complexas e estar associado a sequelas que comprometem a qualidade de vida dos pacientes. O projeto tem grande justificativa considerando que taxa de infecção pelo HPV (papiloma vírus humano) atinge 54,4% das mulheres com vida sexual ativa e 41,6% dos homens, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde, feito por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).  

Pensando nessa e em outras questões, o projeto coordenado pela professora Karen Brajão de Oliveira do Departamento de Ciências Patológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), surge com uma proposta de entender por que algumas mulheres conseguem eliminar o vírus sem manifestações mais graves enquanto outras têm uma infecção persistente, evoluindo muitas vezes para lesões severas, que podem aumentar o risco e o desenvolvimento do câncer.

A professora e coordenadora do projeto tem em sua trajetória, anos de dedicação em torno de estudos ligados ao vírus HPV, causa do câncer de colo de útero (CCU). Segundo ela, o contexto de desenvolvimento do projeto ocorreu por meio da observação de diferentes padrões de evolução da infecção em grupos de mulheres acompanhadas em programas de prevenção no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente, casos em faixas etárias mais jovens. Deste modo, o projeto surgiu como uma tentativa de entender por que algumas mulheres conseguem eliminar o vírus sem manifestações graves, enquanto, outras apresentam infecção persistente e maior risco de evolução para lesões de alto grau.

Karen Brajão (Arquivo COM).

Dessa forma, o projeto intitulado “Polimorfismos em PDCDL1, ICOS, CD28, IL17/IL17RA, expressão de miRNAs e de PD-L1 no Câncer Cervical”, estuda variantes ou variações genéticas em infecções causadas pelo vírus HPV. Segundo Brajão, o objetivo da pesquisa é realizar a detecção do HPV em amostras de cerca de 600 mulheres atendidas por programas de prevenção contra o câncer de colo do útero do SUS na região norte do Paraná; analisar a relação da infecção pelo HPV com dados sociodemográficos destas mulheres, que levam em conta: idade, etnia, hábito tabagista e com variáveis sexuais (que incluem a idade da primeira relação sexual). Avaliar mulheres que estejam mais propensas à infecção pelo HPV e ao desenvolvimento de lesões de baixo e alto grau do câncer cervical associada às variações genéticas das pacientes.  

Papilomavírus, o HPV (Foto: USP Imagens).

Além disso, há o foco na formação de recursos humanos, com a capacitação de estudantes  e profissionais da saúde em temas relacionados à Imunologia de Tumores e à resposta imune em infecções virais. Realizar atividades educativas e extensionistas para a comunidade a fim de conscientizar a população sobre as formas de transmissão do HPV, rastreamento e tratamento. Reforçando a  importância do uso de medidas como a vacinação e  uso de preservativos como forma de prevenção a diversas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

De acordo com a docente, o trabalho realizado em 2025, concentrou-se nas variantes polimórficas, ou seja, variações naturais do DNA, em genes envolvidos na regulação da resposta imune. Essas diferenças podem influenciar, em parte, a forma como o organismo reconhece e responde ao HPV, contribuindo para que  o paciente tenha uma resposta direta ao vírus ou não. 

As análises permitirão a identificação de possíveis marcadores candidatos de suscetibilidade e prognóstico para as lesões pré-malignas e o câncer invasivo, que no futuro poderão contribuir para a  elaboração de um painel gênico imunorregulatório com potencial de apoiar estratégias de estratificação de risco e acompanhamento clínico para o câncer de colo de útero. De acordo com a pesquisadora, o intuito é que este painel, no futuro, possa ser utilizado na prática clínica como um marcador que indique quais mulheres  terão mais chance de desenvolver e provável evolução  deste tipo de câncer. 

Segundo Karen, até o momento em torno de 450 mulheres foram envolvidas no projeto. Em relação ao estudo das variantes a pesquisa está em fase de análise e futuramente dados mais robustos poderão ser discutidos e divulgados.

Relevância científica

O projeto integra o grupo de 34 docentes da universidade que foram contemplados no Programa Bolsas de Produtividade em Pesquisa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na Chamada nº 18/2024. As bolsas de Produtividade do CNPq são concedidas a pesquisadores responsáveis por liderar grupos de pesquisas de grande relevância, a partir de critérios estabelecidos pelo CNPq e por avaliações dos Comitês de Assessoramento (CAs) que considera o impacto da produção científica em diferentes áreas do conhecimento. 

A equipe envolvida no projeto é composta por estudantes de graduação do curso de Biomedicina, sendo eles, três de Iniciação Científica (IC), nove de pós-graduação entre Mestrado e Doutorado e dois Pós-doc.

Segundo ela, a produção científica e recursos humanos formados, são os fatores que mais pesam para escolha. Além claro, da avaliação de um conjunto de atividades acadêmicas desempenhadas pelo docente que pleiteia a bolsa, qualificando-o para esse reconhecimento. 

*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.

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