Dissertação reflete extensão decolonial junto a comunidades indígenas da região

Dissertação reflete extensão decolonial junto a comunidades indígenas da região

Projeto resultou em uma cartografia contracolonial, refletindo sobre os caminhos trilhados na extensão junto às comunidades

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (PPGCOM-UEL) realizou nesta terça-feira (27) a banca de defesa da dissertação de mestrado “Trilhas Interculturais na Comunicação: um relato de viagem para ouvir as vozes ancestrais Kaingang e Guarani”, de autoria de Leiliani de Castro. A pesquisa refletiu sobre o projeto de extensão “Redes Digitais e a memória dos sábios/as Indígenas nas Escolas Estaduais Indígenas do Norte do Paraná”, realizado entre os anos de 2023 e 2024, em parceria com as Escolas Estaduais Indígenas pertencentes às Terras Indígenas Apucaraninha, Barão de Antonina, Laranjinha, Pinhalzinho e Ywyporã.

A autora atuou no projeto como profissional recém-formada em Jornalismo colaborando na articulação da equipe de estudantes com os professores coordenadores e membros das comunidades participantes. A partir dessa experiência vivida, dos registros elaborados ao longo do projeto e das leituras e análises, produziu uma cartografia contracolonial, refletindo sobre os caminhos trilhados na extensão junto às comunidades.

O projeto de extensão nomeado também em Guarani e Kaingang como “nhanemba e’kuaa uhn sahn jykre”, que foi financiado pelo Programa Universidade Sem Fronteiras, tornou-se o que Leiliani chama de pesquisa-partilha, percorrendo leituras, fogueiras, rodas de conversa, escuta de lideranças, atividades culturais, cosmologias, chegando às trilhas interculturais que levam aos lugares de memória e a sábios e sábias indígenas do Norte do Paraná.

O projeto de extensão produziu um Manual de Produção Audiovisual, oficinas sobre interculturalidade e comunicação, além de entrevistas em vídeo produzidas por membros das comunidades com pessoas mais velhas, consideradas bibliotecas vivas pelos Kaingang e Guarani. Por meio de participação observante e do sentipensar proposto por Fals Borda (2010), a pesquisadora revisitou os diários de campo, registros fotográficos, relatórios, rodas de conversa e viagens para sistematizar a memória das vivências. O levantamento bibliográfico traz ao corpo do texto o compromisso decolonial de evidenciar pensadoras mulheres, em especial Indígenas, bem como quilombolas e sábios Indígenas.

A pesquisa foi orientada pela professora Mônica Kaseker (Departamento de Comunicação), com a coorientação do professor Wagner Roberto do Amaral (Departamento de Serviço Social), que também foram os coordenadores do Projeto de Extensão. A banca foi composta pela pesquisadora indígena Andrielle Guilherme Mendes (UFRN) e pelo professor Reginaldo Moreira (Departamento de Comunicação), tendo como convidada a psicóloga formada pela UEL, Ana Lúcia Ortiz Ivoty, que também integrou a equipe do projeto de extensão, na ocasião, como estudante bolsista. Representantes das comunidades indígenas participantes prestigiaram a apresentação do trabalho.

A banca considerou o trabalho inovador pelo desenvolvimento de metodologias próprias construídas coletivamente, a partir de autores indígenas e inspiradas nos modos tradicionais de construção de conhecimento pelas comunidades. Uma extensão e pesquisa elaboradas de forma indissociável, tecida coletivamente, valorizando os sábios indígenas dos territórios e desenvolvida com as comunidades.

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