UEL encaminha proposta de criação do curso de Relações Internacionais

UEL encaminha proposta de criação do curso de Relações Internacionais

Bacharelado com duração de quatro anos foi pensado seguindo um caráter multidisciplinar.

A UEL aprovou a criação do curso de Relações Internacionais que deverá complementar a grade oferecida pelo Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH), que já disponibiliza as graduações de Ciências Sociais, Filosofia, História e Letras (Espanhol, Francês, Inglês e Português). A proposta partiu do Departamento de Ciências Sociais e foi analisada pelas seguintes instâncias : Conselho de Centro, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e Conselho de Administração (CA). A solicitação segue agora para o Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), responsável pela implementação da nova graduação. 

A proposta do curso prevê implantar a graduação de Relações Internacionais (Bacharelado), com duração de quatro anos, no período vespertino, com carga horária total de 2.780 horas, oferecendo 45 vagas anuais. A organização foi pensada seguindo um caráter multidisciplinar com dois eixos centrais, o do comércio exterior e negociação e resolução de conflitos. Além do CLCH, outros centros de ensino como o Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) e Centro de Ciências Exatas (CCE) estarão presentes na grade curricular do curso por conterem disciplinas no eixo de formação.

De acordo com o projeto político-pedagógico da graduação de Relações Internacionais, a formação preconiza graduar profissionais capazes de compreender as relações políticas e econômicas estabelecidas entre os diversos atores no ambiente internacional. O objetivo fundamental do curso é oferecer uma formação teórico-metodológica voltada tanto para o mercado quanto para a pesquisa e o exercício profissional que capacite o graduado a uma reflexão competente e eticamente orientada sobre a realidade internacional em sua área de atuação. 

O processo de liberação agora depende da aprovação de recursos humanos e financeiros, necessário para oficialização da graduação e abertura das vagas no vestibular. Segundo a Diretoria de Planejamento e Integração Acadêmica da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan) somente após a conclusão dos trâmites e da autorização por parte do Estado via Seti, efetivamente ocorrerá à implementação do curso.  

Foto: Agência UEL

Para a reitora Marta Favaro, a criação da graduação em Relações Internacionais amplia a capacidade da UEL de responder à demandas históricas da região e do próprio Estado. “Ao mesmo tempo, reafirma nossa missão com o desenvolvimento e a transformação social e econômica da região e do Brasil. O curso nasce da articulação entre diferentes Centros de Estudos, o que expressa a vocação multidisciplinar da Universidade e fortalece a integração entre ensino, pesquisa e extensão”, destaca.

Apoio Institucional

A professora Renata Schlumberger Schevisbiski do Departamento de Ciências Sociais e Vice-Diretora do CLCH, responsável pela apresentação da proposta nos Conselhos, informou que além do apoio das Pró-reitorias e departamentos envolvidos da UEL, a defesa da criação do curso envolve também a comunidade acadêmica nacional, especialmente lideranças institucionais da área de Relações Internacionais junto à CAPES e CNPq. Após autorização do curso, espera-se firmar novas parcerias locais com setores do Agronegócio e com empresas que atuam em Londrina e região.

A professora Renata Schlumberger Schevisbiski do Departamento de Ciências Sociais e Vice-Diretora do CLCH. Foto: Agência UEL.

 “A criação do curso se constitui como importante estratégia para o desenvolvimento regional de Londrina e do norte do Paraná”, afirma a docente, preparando profissionais para o incremento das relações comerciais com outros países e para a compreensão dos desdobramentos sociais e políticos desta inserção na economia global. Do ponto de vista econômico, continua a professora, a graduação em RI em uma cidade como Londrina conta com um alto potencial de internacionalização.

Atualmente, a oferta do curso de RI no Paraná concentra-se em Curitiba, com nove cursos e Foz do Iguaçu, com a oferta de dois cursos. A Região Geográfica Intermediária de Londrina, cuja população estimada é de dois milhões de habitantes, não oferece nenhum curso de Relações Internacionais, sendo também uma demanda de mais de uma década da instituição, considerando que o Curso de Bacharelado em Relações Internacionais foi aprovado na UEL em 2012, conforme (Resolução CEPE/CA Nº 103/2012).

A proposta permaneceu aguardando autorização governamental para abertura. Em 2018 foi formada uma Comissão composta pelas chefias de departamento envolvidas no projeto do curso para adequar o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) às Diretrizes Curriculares (Resolução nº 04, de 04 de outubro de 2017). As Diretrizes Curriculares garantiram uma identidade própria e asseguraram a qualidade de oferta do curso. Segundo o documento, a proposta mais recente ampliou a carga horária dedicada a temas fundamentais como direitos humanos, meio ambiente, diversidade étnico-racial, ética, inovação e sustentabilidade, de forma a atender aos compromissos legais e formativos exigidos pelo Ministério da Educação (MEC) e incluiu a curricularização das atividades de extensão (AEX). 

Relevância no cenário atual e atuação profissional

Segundo o projeto pedagógico, o cenário político e econômico globalizado demanda profissionais habilitados para conduzir negociações, especialmente, neste contexto atual de sanções tarifárias. Deste modo, a demanda por pessoas capacitadas para à condução de negociações que entendam do cenário geopolítico que vêm sendo marcado por mudanças no espaço geográfico, enfatiza a necessidade de desenvolver habilidades e competências que credenciem os estudantes para atuar em diferentes campos de atividade como analista e negociador de relações internacionais, defende o documento.

Para a cidade de Londrina, a relevância do curso se justifica pela atuação em negociações relacionadas à exportação, pois o município é um polo com potencial no setor de Agronegócios e na venda de soja, extratos de café e chá, milho, trigo e defensivos agrícolas entre os principais, diz o texto.

Ainda segundo o arquivo, os profissionais da área estarão capacitados para desempenhar atividades com interface internacional nas esferas pública e privada, como empresas, consultorias, mercado financeiro, instituições de ensino superior, organizações não governamentais, governos e organizações internacionais. No mercado atual, profissionais da área de relações internacionais são indispensáveis na condução de negociações, consultorias e mediação de conflitos, atuando também na diplomacia. Além disso, estarão aptos para lidar com a crescente complexidade do mundo dos negócios globalizados em um contexto de internacionalização dos mercados. 

Renata Schlumberger vislumbra que a habilitação oferecida pela UEL pode preparar futuros profissionais para uma análise eficaz das condições econômicas, políticas, jurídicas e culturais que auxilie na resolução de conflitos, negociações em controvérsias, promoção de acordos no âmbito comercial e político e na visão estratégica para a identificação de oportunidades de negócios e cooperação internacional.

*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.
*Foto destaque: Giordano Toldo

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