Projeto analisa fatores de desenvolvimento dos municípios paranaenses e suas potencialidades

Projeto analisa fatores de desenvolvimento dos municípios paranaenses e suas potencialidades

Objetivo é identificar agrupamentos espaciais de municípios com características comuns.

A economia é dinâmica, assim como o desenvolvimento das cidades. Pensando nesta
realidade, um projeto do Departamento de Economia visa fazer uma análise exploratória de dados espaciais dos municípios do Estado do Paraná.

Coordenado pelo professor Emerson Guzzi Zuan Esteves, com participação de outros
docentes do Departamento e três estudantes de pós-graduação, a pesquisa tem como objetivo atender a uma demanda por informações para a elaboração de políticas e direcionamento de investimentos, públicos e privados, para o desenvolvimento municipal sustentável com foco na qualidade de vida.

Assim, o estudo pretende analisar a evolução das diversas variáveis e elaborar
indicadores de sustentabilidade econômica, ambiental e social para identificar
agrupamentos espaciais de municípios com características comuns. Para isso, utiliza
ferramentas como a análise fatorial, que identifica padrões de correlação, agrupando
variáveis que medem aspectos semelhantes de um fenômeno. Também a análise de
Cluster, que organiza dados em grupos homogêneos (clusters) com base em
semelhanças, maximizando a similaridade interna e a distinção entre grupos. Um
exemplo de cluster: Arapongas como polo moveleiro. Outro: Londrina e a Educação à
Distância.

Os dados vêm de pesquisas oficiais, como do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatistica (IBGE) e do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
(IPARDES). Com isso, informa o professor Emerson, a ideia é conhecer bem e mapear
a realidade e as potencialidades de cada município inserido em sua região. Por exemplo, quais são mais ou menos desenvolvidos na Educação, Saúde, ou Saneamento Básico, e quais fatores atuam em seus indicadores.

O estudo não apenas faz uma “fotografia” da realidade atual de cada município, como também realiza um corte temporal e fornece uma certa perspectiva histórica. O coordenador do projeto observa que a leitura dos dados no decorrer do tempo mostra “momentos” atípicos nos gráficos – curva acentuadas para cima ou para baixo – e aí entram os pesquisadores para avaliar o contexto. Um bom exemplo foi o período da covid-19: muitos indicadores passaram a ser medidos em “antes” e “depois”. Uma crise internacional que afeta o país e os municípios brasileiros, assim como uma gestão específica, também podem causar impacto positivo ou negativo sobre a economia e o desenvolvimento municipal e regional.

São muitos os fatores que podem ajudar ou atrapalhar a economia, da legislação local às condições naturais. O professor cita o caso de uma montadora de automóveis que não pôde se instalar na região porque a indústria consumia, na época, muita água. Tanta, que se fosse retirada do rio Tibagi poderia causar desabastecimento em Londrina. Resultado: a empresa foi para outro estado.

Paraná Canadá

Emerson faz uma analogia para explicar a realidade do estado. Segundo ele, o Paraná é o Canadá, e São Paulo é os Estados Unidos. Ou seja, somos ricos produtores e vendemos para a economia mais forte do país. Porém, para isso gerar desenvolvimento, é necessário haver investimentos públicos e privados em logística (produção, transporte, distribuição, etc.), incentivos dos municípios (como isenção tributária e doação de terrenos), mão-de-obra local (de acordo com o professor, Londrina tem qualificação de sobra), e relação custo-benefício positiva.

Como exemplos de casos bem sucedidos, o pesquisador cita o oeste paranaense, forte na tecnologia agrícola. Não à toa o Show Rural Coopavel, em Cascavel, realizado em fevereiro passado, reuniu mais de 600 empresas ligadas à tecnologia do campo. Foram mais de 400 mil visitantes e mais de 7 bilhões de reais em negócios em cinco dias de evento.

Emerson cita ainda Paranaguá, um dos maiores portos do Brasil, para escoamento de produção; Assaí, como cidade inteligente; Maringá, também forte na produção agrícola; Londrina, com serviços e educação; e Ponta Grossa, com um período de
desenvolvimento que refletiu até no esporte: O centenário clube Operário Ferroviário
Esporte Clube (o “Fantasma”) foi campeão estadual em 2025 e 2026.

Com tais dados em mãos, o projeto fica à disposição dos municípios para auxiliar na
elaboração de políticas públicos com vistas ao desenvolvimento. Uma ideia é levar os
relatórios, que estão sendo montados, às associações de municípios. De acordo com o professor Emerson, os estudos estão comprovando cientificamente o que o
conhecimento prático dos munícipes e gestores já dizem.

Prof. Emerson Esteves (Economia): “Os estudos estão comprovando cientificamente o que o
conhecimento prático dos munícipes e gestores já dizem”. Foto: André Ridão/Agência UEL

Publicado em

É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte.