“Esse time é nosso!”

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Pesquisa recupera memória da equipe feminina de handebol de Cambé nos anos 80

O professor Anisio Calciolari Junior (Departamento de Educação Física) desenvolve um importante trabalho de resgate da memória esportiva do norte do Paraná. Ele coordena o projeto de pesquisa “Garimpando Memórias: o handebol feminino de Cambé na década de 1980”.

“Garimpando Memórias” é um projeto do  Núcleo de Estudos sobre Educação Física, Esporte e Lazer (NEFEL), do Departamento de Estudo do Movimento Humano (EMH) do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE). Dentro dele, várias pesquisas são desenvolvidas, como a das “meninas do handebol’ de Cambé.

Tudo começou em 2010, quando o professor Anisio se tornou professor de Educação Física na rede estadual de ensino, em Cambé, ao lado de Londrina, e assumiu suas aulas de voleibol no CAIC (Centro de Atenção Integral à Criança). Logo, conheceu várias das atletas que haviam integrado a equipe de handebol feminino da cidade, nos anos 80. Em 2016, encontrou Rodolfo Rodrigues de Moraes, também conhecido como Cyborg, que havia sido técnico do time. Ele venceu vários campeonatos e liderou a comissão técnica da seleção paranaense sub-16. “Entrei em contato com muitos personagens conhecidos na cidade”, resume Anisio.

Ao ingressar na UEL como docente, em 2024, o professor logo tratou de elaborar um projeto para recuperar a memória desta “era de ouro” da modalidade. “Se pensarmos que é uma modalidade menos conhecida, num time do interior do Paraná, lá nos anos 80, e formado por mulheres, temos uma história muito importante”. Importante e valiosa: em seu auge, entre 1984 e 1991, o time de Cambé participou de 34 campeonatos (regionais, nacionais e dois sulamericanos). Foi campeão em 33. No outro, vice.

Um detalhe curioso é que este time vencedor nasceu na UEL, graças aos esforços do então professor Eloi Zamberlan, agora aposentado e morando em Cambé, mas que formou a base da seleção nacional da modalidade em sua época. A equipe começou representando Londrina mas se mudou para a cidade vizinha em dezembro de 1983. O prefeito era Luiz Carlos Hauly, formado na primeira turma de Educação Física da UEL. Começava a década de sucesso absoluto do time.

Passado o auge da equipe, grande parte das atletas e outros profissionais envolvidos continuaram na área esportiva. Muitos se tornaram professores de Educação Física na rede estadual e se aposentaram nesta função. Uma das atletas está na Secretaria de Esportes de Cambé, e outra na Secretaria de Cultura.

“Se pensarmos que é uma modalidade menos conhecida, num time do interior do Paraná, lá nos anos 80, e formado por mulheres, temos uma história muito importante”, destaca o prof. Anisio (Foto: André Ridão)

Entrevistas

Graças à pesquisa, o professor Anisio tem mantido contato com eles. Daqui a poucos dias, o projeto entrará na fase de entrevistas com todos estes personagens. Até aqui, os participantes se debruçaram sobre uma infinidade de documentos históricos, que incluem anos de publicações em jornais de Cambé e Londrina, vídeos, fotografias e relatórios, entre outros. De acordo com o professor, há material suficiente para montar um grande museu. De fato, o museu de Cambé já guarda parte.

O pesquisador relata que, quando eventualmente encontra alguém daquele tempo, logo vem uma “cobrança”: “Quando é que vou dar a entrevista, professor?”. Elas serão gravadas em vídeo, para futuramente ser produzido documentário, a ser disponibilizado nas escolas e na Internet – sites e outras plataformas também disponibilizarão conteúdos. Aliás, Anisio lembra que muitos talentos do handebol foram descobertos justamente nas escolas.

O projeto conta atualmente com a participação de duas estudantes de graduação em Educação Física, uma professora do curso, Morgana Claudia da Silva, e de uma colaboradora externa, Viviane Baptilani, ex-atleta campeã e Secretária de Esportes de Cambé.

Pesquisa desenvolve um importante trabalho de resgate da memória esportiva do Norte do Paraná (Foto: Arquivo do projeto).

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