Design e Computação criam super-herói para ensinar segurança digital a crianças

Design e Computação criam super-herói para ensinar segurança digital a crianças

Projeto une 'Ibipower', cartilhas lúdicas e jogos de tabuleiro para conscientizar alunos do ensino fundamental sobre os riscos do ambiente online

As telas e redes sociais já fazem parte da rotina de crianças e adolescentes. Ensinar sobre privacidade e segurança na internet tem se tornado um grande desafio para educadores e para tentar responder a essa demanda, de forma leve e acessível, pesquisadores e estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) criaram o Ibipower, um super-herói desenvolvido especialmente para ensinar às crianças os conceitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e boas práticas no ambiente digital.

O lançamento do projeto aconteceu na manhã de hoje (quarta-feira, 5), no Cine Teatro Padre José Zanelli, em Ibiporã para uma plateia de cerca 200 alunos de 1ª a 5ª série das escolas municipais da Cidade.  A iniciativa é fruto da cooperação de mais de 15 anos entre os departamentos de Design e Ciência da Computação da UEL, integrando alunos do PET Computação e Design, do curso de Ciência da Computação (CCE), do CyberLab, o Laboratório de Pesquisas e Estudos de Crimes Cibernéticos e do programa de Pós-Graduação.

O resultado foi o desenvolvimento de uma cartilha entregue aos alunos da rede pública, com uma impressão de 3 mil exemplares.  A “Apostila de Proteção de Dados” traz na capa o super-herói Ibipower que nas suas aventuras, luta contra vilões como o “Senhor Vaza-Tudo” e desvenda casos como o da Foto Roubada. Através de uma linguagem simples e lúdica, o material ensina sobre a importância da preservação dos dados pessoais, respeito digital e privacidade.  O desenvolvimento do material e do personagem levou cerca de um ano até chegar ao formato final que, a partir de hoje, vai às salas de aula do município.

Professor Rodolfo Barros, coordenador do Cyberlab: “conscientização sobre o uso seguro da internet”

A ciência em forma de brincadeira

De acordo com o professor Rodolfo Barros, coordenador do Cyberlab e tutor do PET Computação e Design, o foco principal da iniciativa é a conscientização sobre o uso seguro da internet, abordando a prevenção a crimes cibernéticos, a gestão de senhas e a proteção de dados pessoais. “Iniciamos este trabalho com o público infantil. Pela manhã são cerca 220 crianças e atenderemos mais 400 na parte da tarde, na visita a quatro escolas. Nosso objetivo é fomentar uma cultura de segurança digital desde cedo, visando mitigar os riscos de vitimização em crimes virtuais. Além da conscientização, o projeto também contempla atividades de pesquisa e extensão”, explica.

Mais de trinta acadêmicos estiveram em Ibiporã para acompanhar as atividades de atendimento à comunidade escolar da cidade com a qual o projeto de extensão mantém uma parceria desde 2013, quando desenvolveram o Plano Diretor de TI do município, entre outras iniciativas.

A professora Vanessa Tavares de Barros, do Departamento de Design (CECA), explica que super-herói nasceu dentro do projeto, imaginado como poderia ser uma personagem capaz de proteger uma criança. “Se hoje a internet já exige cuidado de um adulto ou de um idoso, imagina para os pequenos? Pegamos toda a seriedade da lei e transformamos em uma história lúdica”, diz.

Os mais de 30 universitários envolvidos nas ações presenciais visitam as turmas do ensino fundamental. Divididos em grupos pequenos em cada sala, os monitores realizam dinâmicas como a brincadeira do “telefone sem fio” para introduzir conceitos de privacidade de forma prática.

Nas cartilhas, os alunos são convidados a criar seus próprios “escudos de proteção” contra os vilões virtuais e a registrar seus nomes na história. Além do material impresso, as crianças receberão jogos de tabuleiro em madeira — como jogo da velha e dominó. “Queremos que eles entendam que tem muita coisa fora do universo digital que pode ajudar, e que eles precisam desenvolver a lógica para serem bons profissionais amanhã”, ressalta a professora.

Com previsão de duração de pelo menos dois anos, o projeto já planeja suas próximas etapas, que incluem o atendimento a escolas da zona rural e até a expansão para outros municípios vizinhos e cidades do estado de São Paulo. A metodologia e os resultados da iniciativa também vêm gerando impacto acadêmico, com artigos científicos aceitos e apresentados em eventos internacionais em países como Espanha e Grécia. Para os professores, isso só reforça o compromisso de continuar expandindo a conscientização digital na comunidade.

Professora Vanessa Tavares de Barros, do Departamento de Design, explica que o personagem Ibipower é o defensor das crianças

Companheirismo e diálogo seguro

Em paralelo ao desenvolvimento teórico e visual das ferramentas de proteção digital, a atuação dos estudantes universitários junto aos alunos se apresenta como elo entre a ciência e o cotidiano das crianças. Aluna do 3º ano de Ciência da Computação e integrante do PET Computação e Design, Marcela Dorigão, de 21 anos, é uma das extensionistas que participam da ação em Ibiporã em uma das salas de aula, aplicando apresentações e dinâmicas lúdicas preparadas pela equipe.

Para a estudante, ela também uma nativa digital, a principal barreira da segurança online no ensino fundamental é vencer o silêncio provocado pela culpa. “Eles têm medo de falar para os pais ou responsáveis sobre coisas erradas que viram ou coisas que causaram medo neles na internet. Eles temem que os pais tirem o celular ou assumam que seja culpa deles, que eles que procuraram algo errado. O mais importante que a gente tem que dizer é que, se eles continuarem escondendo, pode ser bem pior e que eles têm que buscar uma ajuda cedo”, destaca.

Aluna do 3º ano do curso de Ciência da Computação e integrante do PET Computação e Design, Marcela Dorigão: uso da Internet pelas crianças sem culpa

Ela reconhece que abordagens explícitas na web geram um incômodo imediato nos mais novos, no entanto, observa que o temor da represália costuma falar mais alto do que a busca por socorro. Por essa razão, a metodologia das oficinas presenciais troca o tom de proibição pelo companheirismo, recorrendo a quatro dinâmicas interativas com jogos para construir um espaço de diálogo seguro e sem julgamentos.

“Pensamos muito em fazer uma coisa bem mais interativa, divertida e com jogos, para que eles participem e entendam que a gente não está para ser rigoroso ou para não permitir que eles façam as coisas. A gente quer entrar não no tom de medo, mas como um amigo que está dando uma dica e uma ajuda”, conclui a estudante.

*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL
Fotos: André Ridão (Agência UEL)

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