Projeto elabora proposta para a criação de cosméticos “clean beauty”

Projeto elabora proposta para a criação de cosméticos “clean beauty”

A pesquisa busca consolidar uma plataforma tecnológica para a criação de cosméticos que dispensam conservantes sintéticos

Compostos naturais com atividade biológica têm apresentado uma demanda crescente no setor produtivo, em especial nas indústrias cosmética e farmacêutica. Impulsionada por exigências regulatórias e por consumidores que buscam soluções mais seguras e sustentáveis, essa tendência indica uma inclinação do setor para o desenvolvimento de pesquisas que visam atender à demanda por produtos de beleza limpa e segura.

Neste contexto, o projeto intitulado: “RhamBeauty: Plataforma Biotecnológica para Cosméticos Naturais”, coordenado pelo professor Doumit Camilios Neto do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia do Centro de Ciências Exatas (CCE), busca a criação de um sistema conservante natural inovador que utiliza nanoemulsões de ramnolipídeos e óleos essenciais para substituir aditivos sintéticos em cosméticos.

Segundo Doumit Camilios, a pesquisa surgiu como resultado de mais de 20 anos de estudo com ramnolipídeos, envolvendo o desenvolvimento de processos de produção, purificação e aplicação em diferentes contextos. “Esse conhecimento permitiu a transição da pesquisa básica para aplicações tecnológicas”, diz o professor.

Na fase atual, o projeto busca elevar a maturidade tecnológica da solução, validando sua eficácia em protótipos como shampoos, desodorantes e cremes antienvelhecimento. Além da preservação microbiológica, os ativos oferecem propriedades multifuncionais, incluindo benefícios anti-inflamatórios, antioxidantes e dermocalmantes comprovados por testes laboratoriais.

A iniciativa é fruto de uma colaboração entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o setor privado, focando em sustentabilidade e transferência tecnológica. A viabilidade comercial é sustentada pela busca por depósitos de patentes e parcerias industriais.

Para o pesquisador, “a tecnologia desenvolvida apresenta potencial para originar produtos cosméticos inovadores, nos quais o sistema conservante atua não apenas na preservação microbiológica, mas também como componente funcional da formulação”, completa.

A pesquisa em si, consiste no desenvolvimento e validação de um sistema natural multifuncional, baseado em nanoemulsões (dispersões de pequenas gotas de óleo em uma fase aquosa) contendo óleos essenciais e ramnolipídeos, biossurfactantes produzidos naturalmente por microrganismos, como bactérias. A tecnologia busca integrar propriedades de emulsificação, estabilidade, conservação microbiológica e biofuncionalidade em formulações cosméticas naturais.

Espera-se que o conservante natural a ser desenvolvido seja capaz de: aumentar a segurança dos produtos, prevenindo danos e deteriorações causadas por microrganismos; prolongamento do prazo de validade; proteger o consumidor contra possíveis contaminações durante o uso, atendendo a requisitos técnicos e regulatórios do setor e; agregar funcionalidades aos produtos, incluindo atividades antiacne, antifúngica funcional, dermocalmante, desodorizante biológica e antiaging (anti-idade).

A solução visa atender à demanda do setor produtivo por produtos de beleza limpa e segura.

Com a execução da presente proposta, o próximo passo é consolidar uma tecnologia inovadora de sistemas conservantes naturais com elevado potencial de aplicação industrial no setor cosmético e farmacêutico. E o destaque da tecnologia se dá pela baixa toxicidade, alta compatibilidade com a pele, eficácia antimicrobiana e segurança, atendendo a demandas crescentes por soluções naturais e sustentáveis.

Parcerias

No âmbito privado, o projeto tem como parceira a empresa Phlorinea Indústria e Comércio de Cosméticos Eireli, no que diz respeito a atividades de formulação, testes de estabilidade e adequação tecnológica, além do apoio para o uso de laboratórios, quando necessário.

No âmbito institucional, o estudo contará com a colaboração dos Laboratórios de Bacteriologia Básica e Aplicada (LBBA), coordenado pelo professor Gerson Nakazato, e de Micologia Médica e Aplicada, coordenado pelo professor Luciano Aparecido Panagio, ambos do Centro de Ciências Biológicas (CCB), contribuindo para os ensaios microbiológicos e funcionais.

Há também a participação dos grupos de pesquisa: “Estresse Oxidativo e Inflamação na Radiação UVB”, liderado pela professora Rúbia Casagrande do Departamento de Ciências Farmacêuticas do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e “Dor, Inflamação, Neuropatia e Câncer” vinculado ao CCB. Ambos participarão da etapa que valida a ação anti-idade.

Para garantir a propriedade intelectual, registro e transferência tecnológica atuarão o grupo de Bioquímica de Microrganismos, a Phlorinea e a Agência de Inovação Tecnológica (AINTEC) da UEL, visando o licenciamento e o depósito de patentes.

“A tecnologia desenvolvida apresenta potencial para originar produtos cosméticos inovadores”, explica o coordenador do projeto (Foto: André Ridão/COM)

Experiência

Proponente e docente da UEL, Doumit Camilios Neto tem atuação contínua e ampla experiência em pesquisas com foco no desenvolvimento tecnológico e inovação. É doutor em Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tem experiência em Microbiologia Aplicada com atuação em uma das áreas que envolve o atual objeto de estudo, produção de ramnolipídeos.

Estagiário de jornalismo da Coordenadoria de Comunicação Social*

FOTOS – Pixabay

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