Pesquisa avalia bioestimulantes naturais para o cultivo sustentável de orquídeas
Pesquisa avalia bioestimulantes naturais para o cultivo sustentável de orquídeas
O estudo busca alternativas que possam facilitar o cultivo para produtores, utilizando matérias-primas naturais e de baixo custoO professor Ricardo Tadeu de Faria, do Departamento de Agronomia, tem uma trajetória de mais de três décadas de dedicação à pesquisa de orquídeas. Ele foi um dos contemplados pela Bolsa Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, atualmente, desenvolve o projeto “Bioestimulantes de extratos vegetais no cultivo orgânico de orquídeas nativas do Brasil”, que pesquisa a utilização de extratos naturais para o desenvolvimento de orquídeas. O estudo busca alternativas que possam facilitar e otimizar o cultivo para produtores, utilizando matérias-primas naturais e de baixo custo.
Realizada no Orquidário da UEL, a pesquisa parte da necessidade de garantir uma nutrição equilibrada às orquídeas, condição fundamental para o crescimento vigoroso e a produção de flores de qualidade. Como essas plantas apresentam crescimento relativamente lento, o fornecimento adequado de nutrientes é essencial para o desenvolvimento vegetativo.
Nesse contexto, o projeto, iniciado em fevereiro deste ano, avalia a utilização de aloe vera (babosa), inhame, batata-doce e microalgas na composição dos extratos. A aloe vera foi escolhida por ser uma fonte de aminoácidos, utilizados na formação de proteínas, enquanto o inhame e a batata-doce são ricos em amido, composto que fornece energia. As microalgas, por sua vez, apresentam proteínas e outros nutrientes que podem contribuir para o crescimento das orquídeas.
Os bioestimulantes serão analisados em espécies dos gêneros Oncidium e Cattleya. Segundo Ricardo, os dois grupos estão entre os que despertam maior interesse comercial e paisagístico devido à variedade de tamanhos, formas e cores. Os Oncidium são conhecidos, em muitas espécies, pelas flores predominantemente amarelas, enquanto as Cattleya se destacam pelo perfume.


Os estudos pretendem contribuir para a redução da dependência de fertilizantes convencionais e incentivar práticas de cultivo mais sustentáveis. “A produção orgânica é uma ação de respeito pela Natureza, de mudar esse paradigma que tudo tem que ser feito com produtos químicos, o agricultor pode controlar pragas e doenças sem usar moléculas químicas. Os bioestimulantes são naturais, menos invasivos e promovem a harmonia com a natureza e com o meio ambiente”, explica.
Outro objetivo da pesquisa é avaliar como os bioestimulantes podem contribuir para uma produção econômica. Por serem elaborados a partir de matérias-primas naturais e acessíveis, os produtos estudados apresentam potencial para reduzir os custos de produção. Segundo estimativas baseadas em trabalhos anteriores, a economia pode chegar de 20% a 30%.
A pesquisa conta com a participação de professores, estudantes de graduação, pós-graduação, Mestrado e Doutorado. Além disso, o trabalho é feito em cooperação com professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Universidade da Flórida.
Ricardo destaca a importância dessa rede de cooperação com pesquisadores nacionais e internacionais. “A pesquisa só tem fundamento se você consegue repetir em qualquer lugar, por isso que tem que ser bem detalhada, bem precisa. Não adianta dar resultado só aqui no Brasil. O objetivo é que os estudos deem resultado em todo o mundo para que o conhecimento seja disseminado”, ressalta.
Da semente às florações
Os experimentos são conduzidos na Biofábrica de Orquídeas e Outras Ornamentais da UEL, estrutura destinada à produção de plantas em larga escala por meio da técnica de cultura de tecidos in vitro. Atualmente, a biofábrica produz aproximadamente 200 mil mudas por ano.
Até chegar à fase da florada, a planta passa por uma série de processos. Primeiro, os pesquisadores retiram o pólen manualmente e fertilizam a flor. Após a germinação da semente, a muda é colocada em um local fechado, esterilizado e com temperatura e luminosidade controladas, nessa etapa são adicionados os bioestimulantes.
Depois desse processo, as plantas vão para as estufas, e o primeiro florescimento ocorre após três a cinco anos, a depender da espécie. A última etapa é a realização de uma análise química e estatística, em que serão comparados os efeitos das diferentes formulações à base de extratos vegetais e microalgas sobre o desenvolvimento das orquídeas.

Reconhecimento nacional
Ao longo de 31 anos de existência, o Orquidário da UEL se consolidou como espaço de referência no Paraná em pesquisa, produção e conservação de orquídeas, reunindo diferentes projetos relacionados à floricultura e à biotecnologia.
A atuação do Orquidário também ganhou projeção nacional com a participação do professor Ricardo Tadeu de Faria na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O pesquisador foi convidado para atuar como parecerista no processo de avaliação da liberação comercial da primeira planta ornamental geneticamente modificada destinada ao mercado brasileiro: uma orquídea azul do gênero Phalaenopsis.
O parecer foi favorável e aprovado pelos membros que compõem a CTNBio. A orquídea, de origem asiática, já é comercializada em países como Estados Unidos e Japão. A análise foi realizada com base nos requisitos de biossegurança e buscou garantir que a planta não represente riscos ambientais, como a possibilidade de se tornar uma espécie invasora ou causar impactos à natureza.
Para o pesquisador, o processo representa um marco para a floricultura nacional e também para o Orquidário da UEL.“Foi uma conquista para mim e para o Orquidário. Quando sou chamado para um congresso, sempre faço questão de dizer que sou da Universidade Estadual de Londrina. Eu visto a camisa. É a nossa pesquisa”, comemora.
A CTNBio é o órgão responsável por assessorar o Governo Federal nas questões de biossegurança envolvendo organismos geneticamente modificados, sendo referência nacional na avaliação científica da segurança desses materiais.
Horário de visitação e venda de orquídeas
O orquidário é aberto para visitação de quinta e sexta-feira, das 8h às 15h30. Nestes horários, também é realizada a venda de orquídeas, com valores a partir de dez reais.




