Pesquisa avalia impacto da massa, força muscular e aptidão física na saúde de crianças
Pesquisa avalia impacto da massa, força muscular e aptidão física na saúde de crianças
A pesquisa tem como recorte alunos em idade escolar e de todas as regiões de LondrinaA sarcopenia é a perda progressiva de massa, força e função muscular, considerada uma condição tradicionalmente associada ao envelhecimento e à fragilidade de idosos. Um estudo coordenado pelo professor Enio Ricardo Vaz Ronque do Departamento de Educação Física do Centro de Esportes e Educação Física (CEFE/UEL), juntamente com o Grupo de Estudo e Pesquisa em Atividade Física e Exercício (GEPAFE) pretende investigar se esse fenômeno pode ser precocemente detectado a partir da mensuração destes indicadores em crianças com idades entre seis a dez anos, ou se condições de baixa massa muscular podem impactar a saúde atual e futura de crianças.
A pesquisa busca entender por que a aptidão física na infância é um dos principais fatores para a manutenção da saúde física, cognitiva, óssea e para a proteção dos sistemas corporais a longo prazo. Neste contexto, o projeto intitulado “Composição corporal, aptidão física e indicadores de saúde cognitiva, óssea e cardiometabólica em crianças escolares: um estudo longitudinal” busca contribuir com ações voltadas à atenção primária de saúde e estratégias para a identificação de fatores de risco na infância, que podem estar associados a doenças crônicas ao longo da vida.
O professor Enio explica que o contexto de surgimento do projeto se deu a partir da continuidade de estudos que já eram desenvolvidos pelo grupo de pesquisa. “Em 2016, foi iniciado um projeto com adolescentes, investigando principalmente atividade física, comportamento sedentário, desempenho acadêmico e fatores de risco à saúde. Em 2019, esse trabalho teve continuidade, incorporando também aspectos relacionados à aptidão física e ao controle cognitivo”, relata. Agora, o estudo segue a linha da pesquisa anterior, no entanto, com um olhar ampliado em relação a avanços científicos e de novas questões que surgiram ao longo desses últimos anos.
“Além da atividade e da aptidão física, buscamos compreender de forma mais integrada a composição corporal e diferentes indicadores da saúde da criança, incluindo saúde cognitiva, óssea e cardiometabólica. Então, é um projeto que aproveita a experiência construída pelo grupo, mas também incorpora novas avaliações e novas perguntas de pesquisa”, diz o docente.
Vinculado à Chamada CNPq Bolsas de Produtividade em Pesquisa, o projeto está em fase de preparação operacional. Os estudantes estão passando por treinamentos para a aplicação dos testes e interpretação dos resultados. Paralelamente, o professor Enio Ronque está em contato com os órgãos responsáveis para a aprovação e posterior execução.
Seguindo o caráter prospectivo e longitudinal de quatro anos, o objetivo é acompanhar a evolução de escolares dos 6 aos 10 anos, oferecendo uma análise de como a aptidão física pode impactar a saúde atual e futura.
Trata-se de um estudo observacional, que contará com estudantes de todas as regiões geográficas de Londrina (norte, sul, leste, oeste e o centro/anel periférico). A amostra do estudo pretende considerar alunos matriculados na rede municipal de ensino e conta com variáveis de estado nutricional, de aptidão física, da prática de atividade física, e o tempo em comportamento sedentário que essas crianças passam diariamente.
A avaliação contará com a mensuração do peso e da estatura dos escolares e a aplicação de uma bateria de testes motores, que consiste em verificar a força de preensão manual (a capacidade de apertar ou segurar algo com as mãos), salto horizontal, abdominais e corrida de vai-e-vem de 20 metros.
Posteriormente, testes específicos para avaliar a cognição serão aplicados: memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Juntas, essas habilidades cognitivas permitem aos escolares tomar decisões assertivas e planejar movimentos e comportamentos, impactando diretamente no aprendizado e desempenho escolar dos alunos. Por fim, ocorrerá a coleta de informações sociodemográficas extraída dos voluntários por meio de questionários aplicados.
Com a coleta devidamente realizada, os resultados serão analisados pelos pesquisadores para que o estudo possa descrever e identificar as características dos indicadores de saúde, física e cognitiva dos escolares da rede municipal de ensino da cidade, bem como a presença ou ausência de fatores de risco para doenças crônicas ao longo da vida.

Impacto Social
O estudo também tem por objetivo extrapolar o ambiente acadêmico. Ao compreender como a aptidão física protege os ossos, o coração e o cérebro, a UEL, por meio de seus pesquisadores, fornecerá subsídios para que gestores públicos possam desenvolver políticas públicas tanto de prevenção quanto identificação de possíveis fatores de risco à saúde. Com isso, minimizar os gastos públicos futuros com o tratamento de doenças crônicas que poderiam ter sido evitadas ainda em idade escolar.
Segundo o pesquisador, hoje existe uma preocupação cada vez maior com a saúde pediátrica, principalmente porque muitas doenças crônicas não transmissíveis na vida adulta surgem precocemente ou iniciam seu desenvolvimento na infância e/ou na adolescência. Por isso, para ele, “estudar a saúde das crianças permite não apenas identificar fatores de risco precocemente, mas também pensar em estratégias de prevenção. A ideia é promover hábitos mais saudáveis desde cedo para reduzir, no futuro, o risco de doenças crônicas e degenerativas e melhorar a qualidade de vida ao longo dos anos”, finaliza Ronque.
Equipe
Além do professor Enio Ronque, a equipe de trabalho é composta por docentes pesquisadores como Júlio César da Costa, que atua como colaborador da pesquisa; alunos de pós-graduação (quatro doutorandos e três mestrandos); cinco de graduação, sendo que três destes estão vinculados à Iniciação Científica (IC) do curso de Educação Física e afins vinculados ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Atividade Física e Exercício (GEPAFE). Ademais, o projeto contará com a infraestrutura laboratorial do CEFE para a realizar os testes motores e cognitivos necessários para a sua comprovação científica.

*Estagiário de jornalismo da Coordenadoria de Comunicação Social.




