Pesquisa pioneira realiza documentação digital em igrejas históricas do norte do Paraná

Pesquisa pioneira realiza documentação digital em igrejas históricas do norte do Paraná

Estudo inova na tecnologia utilizada e avança no registro do patrimônio arquitetônico

O norte do Paraná possui um número não mapeado de construções religiosas, espalhadas por toda a região. É um patrimônio em constante risco de desaparecimento, especialmente por terem sido erguidas em madeira. Algumas, no contexto da corrida espacial dos anos 50 e 60, até possuem formato de foguete.

Para colaborar com o esforço de preservação da memória, a arquiteta e pesquisadora Bianca Amorim Sena Souza desenvolveu seu trabalho de Mestrado na UEL de forma pioneira: ela utilizou a fotogrametria digital e a modelagem geométrica como técnicas de registro. Usando drones, ela fotografou três igrejas históricas (2 de Apucarana e 1 de Rolândia) em busca de um registro robusto do método construtivo, volumetria, entorno e elementos arquitetônicos, entre outros aspectos das construções.

Foi desafiador, mas Bianca vinha preparada. De um intercâmbio feito na Itália, onde trabalhou com restauro, ela trouxe conhecimento de Arquitetura. E de um período na Prefeitura, ela veio com a experiência de trabalhar com drones. Então, ao ingressar no Mestrado, sob orientação do professor Mauricio Hidemi Azuma (Departamento de Arquitetura), ela se uniu a uma outra pesquisadora, da UEM (Pollyana Romagnoli Tamanini), que já estudava as igrejas da região.

Com as tecnologias empregadas, Bianca foi capaz de agilizar e aumentar a precisão na documentação. A partir de imagens bidimensionais, ela – e futuros pesquisadores – podem produzir imagens tridimensionais, que tornam mais detalhado e mais completo o registro arquitetônico.

As capelas estudadas têm pontos em comum, por exemplo em seus métodos construtivos, mas cada uma guarda também suas próprias peculiaridades. E detalhe: estão em plena atividade, principalmente a de Rolândia.

Localização de algumas das igrejas estudadas pelas pesquisadoras da UEL e UEM (Arquivo Bianca)

Atuando em Curitiba, a experiência do Mestrado já serve a Bianca, que tem pela frente um trabalho em prédios institucionais, na capital federal. Em sua avaliação, unir a técnica e a prática com a perspectiva acadêmica foi um desafio, que ela não apenas superou como a deixou pronta para novos voos. De fato, é com esta figura que ela define as possibilidades: “O céu é o limite!”.

Para o professor Mauricio Azuma, o trabalho de Bianca é precursor, quando se trata no uso da tecnologia empregada. Ele abre caminho para estudos em outros tipos de construção ou patrimônio. Na Europa tais técnicas já são usadas há algum tempo, mas no Brasil Bianca sai na frente, e motiva outros pesquisadores. E de outro lado, contribui para a preservação de um patrimônio frágil por natureza.

O professor coordena um grupo de estudantes, de Mestrado e Iniciação Científica, que pesquisam outras igrejas e outras obras. Um destes estudos está voltado para a malha ferroviária da região norte do Paraná – outro patrimônio sob iminente risco de desaparecimento.

Capela do Barro Preto, Apucarana (Arquivo Bianca)

Além do conhecimento ser produzido, ele é disseminado. Bianca apresentou sua pesquisa no Simpósio Brasileiro de Qualidade de Projetos, em novembro do ano passado, e foi indicada para publicação como um dos melhores do evento. Antes disso, em abril de 2024, apresentou-se no 8º. Seminário Ibero-Americcano de Arquitetura e Documentação, em Belo Horizonte.

Imagem digitalizada da Capela São Pedro, em Rolândia (Arquivo Bianca)

Publicado em

É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte.