Empreendedorismo e tecnologia: caminhos e desafios da inovação na UEL
Empreendedorismo e tecnologia: caminhos e desafios da inovação na UEL
Reportagens mostram histórias de empresas incubadas, com o objetivo de apresentar os percursos e desafios da inovação na UniversidadeO que é uma incubadora de empresas? Qual o percurso de aprimoramento que uma organização faz durante um processo de incubação? Como tirar uma ideia do papel e criar uma startup que em pouco tempo pode alcançar alto valor de mercado? Qual o papel da Agência de Inovação Tecnológica (Aintec) e de uma das suas divisões, a Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (Intuel), nesse processo de mostrar o caminho do sucesso para futuros e atuais empreendedores? O Perobal inicia hoje uma série de reportagens que tem como objetivo abordar essas e outras questões, mostrar exemplos, experiências e feedbacks de empresas que foram ou estão sendo incubadas, além de enfatizar a UEL como ambiente profícuo para a promoção da inovação, da tecnologia e do empreendedorismo.
A Aintec tem como objetivo principal apoiar projetos e empreendimentos de base tecnológica, visando à criação de empresas inovadoras e sustentáveis. Em sua estrutura organizacional, além da Intuel, a agência possui outras três divisões: Escritório de Propriedade Intelectual (EPI); Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT); e Escritório de Design (Edn). Todos esses setores, de alguma forma, auxiliam empresas, pesquisadores, professores, estudantes ou a comunidade em geral com alguma demanda envolvendo necessidades relacionadas ao mundo corporativo ou organizacional, como assessorar na formulação de um pedido de patente para um produto original a ser lançado no mercado ou criar uma logomarca para uma organização em gestação.
A Intuel é a divisão responsável diretamente pela incubação de empresas, que, basicamente, é um processo de apoio no qual são oferecidos diagnósticos, treinamentos, estratégias, planos e auxílios diversos para preparar a empresa e seu empreendedor, visando a constituição, desenvolvimento e inserção da organização no mercado de forma eficiente.

Antes de iniciar o processo de seleção dos empreendimentos que serão incubados, é feita uma espécie de sondagem do estágio em que a empresa está, também chamado prospect. “Fazemos essa primeira orientação e explicamos como o empreendedor pode ingressar no processo de incubação. Damos uma noção sobre o ponto onde ele está, qual é o próximo passo que precisa dar e como a incubadora pode subsidiá-lo nas próximas etapas, caso ele decida participar do processo de seleção”, explica a chefe da Intuel, Ana Paula Murakawa.
O processo de seleção se inicia com a abertura de um edital para os interessados em fazer a incubação, que na Aintec/Intuel dura dois anos, renováveis por mais dois, conforme o atingimento de metas e o cumprimento de critérios por parte das empresas. A renovação do processo para até quatro anos muitas vezes se faz necessária, porque um dos públicos atendidos pela Aintec/Intuel são pesquisadores, cuja jornada de empreendedorismo pode ser muito mais longa do que a de uma empresa de startup digital comum, por exemplo. Alguns pesquisadores trabalham com as deep techs, que nascem de uma pesquisa avançada e inovadora, que normalmente depende de um tempo maior para viabilizar um produto que possa ser testado no mercado.
Definidas as candidaturas, as empresas são escolhidas por uma banca ad hoc, formada por pessoas com grande conhecimento sobre empreendedorismo, que podem ser professores (com exceção dos da UEL, para garantir imparcialidade na escolha), empresários ou notáveis ligados ao ecossistema de inovação. Selecionadas as empresas, inicia-se basicamente o processo de incubação, que pode ser virtual ou em residência, que é quando a empresa se instala fisicamente na Aintec.

Ao longo da incubação, as empresas incubadas são monitoradas trimestralmente, para avaliar o desempenho e cumprimento de metas. Se estas não são atingidas, são feitos planos de ação para sanar fraquezas. Nos monitoramentos, é avaliada toda a jornada do empreendedor, desde a ideação do negócio, passando por sua modelagem, até a etapa final, que é a comercialização do produto. “O que fazemos é acompanhar o empreendedor em toda a trilha de informação, na jornada inteira. Ensinamos como passar da ideação para a modelagem, depois para o ICP [Perfil de Cliente Ideal] e como criar seu funil de vendas”, explica a chefe da Intuel. Ainda segundo ela, ao final do processo de incubação, espera-se que a empresa já saia com uma carteira de clientes formada.
Segundo Ana Paula Murakawa, ser uma empresa graduada num processo de incubação feito pela Aintec/Intuel é algo muito bem-visto pelo mercado. E ela dá exemplos para sustentar isso. Empresas unicórnios são startups de mais de 1 bilhão de dólares de valor de mercado. No Brasil, só existem 24 e duas delas foram incubadas pela Aintec/Intuel. Essas empresas, após a incubação, cresceram, se desenvolveram e atingiram uma performance tão boa que foram compradas por grandes organizações. Além disso, segundo a chefe da Intuel, a UEL tem um motor de geração de conhecimento, de pesquisa, que pode se transformar em soluções de mercado e a Aintec tem a possibilidade de conectar as incubadas com toda esse universo de conhecimento, assim como com o ecossistema de inovação de Londrina e do Paraná. Outro diferencial da agência em relação a outras incubadoras é o prazo de duração da incubação, de até 48 meses, já que algumas universidades particulares que focam em startups digitais disponibilizam apenas seis meses.
Gestão inovadora
Os bons resultados conseguidos pela Aintec/Intuel ao longo dos anos podem ser ainda melhores. É o que promete o novo diretor da agência, o professor Admilton Gonçalves de Oliveira Junior. À frente do órgão desde o início da atual gestão, o professor quer ajudar a fortalecer iniciativas de empreendedorismo na UEL.
Para isso, está reformulando a gestão do órgão, com medidas como a colocação de nomes com afinidade com o mercado para ocupar a chefia das divisões da Aintec. “O meu time é de profissionais da área que têm também conhecimento da profundidade da coisa pública, mas que são profissionais de mercado, e é isso que uma agência precisa”, afirma Admilton Gonçalves.
Outras medidas da gestão do novo diretor da Aintec foram: alocação de cinco bolsistas, de áreas como Administração e Economia, para colaborarem com a Intuel na incubação de empresas; disponibilização de um advogado especialista em inovação na agência para atuar como uma espécie de elo direto com a Procuradoria Jurídica da UEL (PJU), visando a aceleração dos processos jurídicos relacionados ao apoio às empresas; reativação do Conselho Diretor da Aintec que trará ao órgão uma gestão baseada em governança.

Ainda como parte dos planos do diretor da Aintec estão a institucionalização do cargo de vice-diretor na agência com o objetivo de dar continuidade das gestões após as trocas de mandato e a reativação da pré-incubação, uma etapa destinada a dar subsídios ao empreendedor para que ele decida se a incubação faria ou não sentido para ele e sua empresa.
Admilton Golçalves está empenhado em fazer de sua gestão à frente da Aintec um estímulo à cultura do empreendedorismo, além de aproximar empresas incubadas e a Universidade. “Nós temos a responsabilidade de ajudar as empresas incubadas a se relacionar cada vez mais com os pesquisadores da UEL e de estimular nossos pesquisadores e estudantes a se relacionarem cada vez mais com as empresas para que, no futuro, eles possam criar as suas próprias”, deseja.




