Mostra leva apresentações artísticas ao Restaurante Universitário
Mostra leva apresentações artísticas ao Restaurante Universitário
Performances de dança e música realizadas por discentes, docentes e comunidade externa aconteceram na última quinta (19).A segunda Mostra de Arte e Cultura, realizada na praça do Restaurante Universitário, contou com nove apresentações artísticas, divididas entre os horários do almoço e do jantar da última quinta-feira (19). A dança e a música prevaleceram no repertório deste ano, trazidas por alunos de graduação e pós-graduação, egressos, docentes e pela comunidade externa.
A proposta da iniciativa da Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Sociedade (Proex), idealizadora da ação, é criar um espaço de encontro entre estudantes, docentes e agentes universitários para compartilhar arte, celebrar a diversidade, despertar a criatividade e ampliar o diálogo dentro da Universidade. O evento faz parte do SER UEL 2026, campanha de recepção dos ingressantes.
O grupo Sou Soul abriu os trabalhos e fez a primeira apresentação de sua carreira. Composto por Bruno Porfírio nos vocais, Cleverson William na guitarra e Allisson Ferreira no baixo, “nasce de um desejo de compartilhar um repertório puramente negro. A música preta brasileira. Essa é a nossa MPB”, contextualiza Porfírio. “O Sou Soul, com esse nome, com essa formação, nasce hoje”, conta.
Bruno Porfírio, vocalista, nasceu em Jacarezinho, formou-se em Artes Cênicas em 2020 e está retomando os projetos inviabilizados pela pandemia de Covid-19. Com o seu amigo Cleverson, partilhava o interesse de levar o soul e o neo soul adiante. “Eu acredito que as pessoas precisam saber que o grupo Sou Soul é um ponto de encontro para músicos que veem sentido nesse espaço de verdade, liberdade de expressão, a partir do nosso território brasileiro”, comenta.
A segunda apresentação da manhã contou com Porfírio nos backing vocals e Paulo Betiati na guitarra. Santa Clara subia ao palco do RU pela segunda mostra consecutiva, reavivando sua conexão com a música. Estudante de Relações Públicas, Santa Clara cantava na igreja quando criança. O tempo o separou do canto, até que a primeira mostra o encorajou a retomar sua paixão por esta arte.
As performances de dança que se seguiram também são veteranas na Mostra de Arte e Cultura. O grupo de dança OPROC levou dois números. A bailarina Flávia Izidoro interpretou “A Loba” de Alcione e Rick Cirino e Ana Beatriz Garcia atuaram em dupla. O OPROC trabalha com coreografias nas modalidades contemporâneo, jazz e hip hop. Heloísa Cazarim levou a cultura do K-pop por meio de uma dança K-cover, “sinônimo de performance, expressão e sincronia”, explica. “O gênero musical de pop sul-coreano abrange estilos variados de dança e ritmos musicais, como hip hop, jazz, funk, poppin’ e waacking”, diz Cazarim.
Aula punk
Para encerrar as apresentações do horário de almoço, a banda punk Nic Vigarista, integrada por três docentes do departamento de Jornalismo da UEL, trouxe letras autorais enérgicas, satíricas e descontraídas. Os professores pensaram o show como “uma aula punk”. “Daí o nome Nic Vigarista, porque Nic é o código das disciplinas que a gente ministra no departamento. Então a gente como que criou uma disciplina e aproveita esse momento do show para fazer palestrinha”, contextualiza André Azevedo (guitarra e voz).
Fábio Silveira (bateria) comenta o bastidor das composições: “o André, como um bom mineiro, traz as músicas com storytelling”. Azevedo complementa: [a música] ABNT, por exemplo, foi na semana em que houve uma mudança nas regras de redação, eu estava revisando um trabalho, aí tive que revisar tudo de novo, aí falei “enfia essa vírgula no meio desse nome”, e foi saindo um desabafo natural. Por isso as músicas funcionam, porque são autênticas”, assinala.
“O momento decisivo foi um almoço de confraternização de fim de ano que a gente teve no departamento. E a gente falou sobre o ano, que tinha sido muito pesado, o André tinha sofrido infarto, coisa e tal. Vamos montar uma banda, para fazer umas coisas bacanas e tal? Desopilar? Passados três meses a gente começou a ensaiar”, conta Alberto Klein (baixo) sobre o início da banda. Em 2024, o trio lançou o álbum “Treta de Departamento”.
A hora do jantar no Restaurante Universitário foi contemplada com quatro apresentações. Três musicais e uma performance de dança. Sophia Moreira, aos 11 anos, levou um repertório de música sertaneja raiz. Interessada em tocar viola desde os 8 anos, Moreira começou a fazer aulas aos 9 e se destaca nas performances. Já conheceu vários artistas do segmento, apresentou-se em Curitiba e trouxe sua arte à UEL. Alessandra Barros de Oliveira, mãe de Sophia, contou à reportagem que a menina se interessou pelo sertanejo de raiz por conta própria: “a gente ouvia vários tipos de música. O pai dela ouvia música raiz, música sertaneja, eu gosto muito de mpb também, bossa nova, mas isso de ela gostar de Tião Carreiro é coisa dela, tanto que o foco dela era tocar pagode de viola”, afirma.
Da Batalha da Praça para a UEL
Os amigos Garza e Dramagia se conheceram na escola e fortaleceram sua parceria por meio do rap. Juntos, sonhavam longe. Assim surgiu a Batalha da Praça. E “não contentes, decidimos ir além, viver da música”, conta Felipe Garza. As letras filosóficas de Garza e os versos undergrounds de Gustavo Dramagia resultam no equilíbrio sonoro perfeito. “Entretanto, os dois acreditavam que ainda faltava alguma coisa, e esse elemento era a fidelidade com algum instrumento orgânico. Justamente aí que o Caio Augusto Fortunato entra na banda para compor os riffs e as linhas de baixo. Hoje a banda flutua entre o rap underground e o rock and roll”, explica Garza sobre o surgimento da banda “Oke Conecta Crew”.
Garza entende que “a essência do grupo está ligada no conhecimento acadêmico e marginal”. E para o grupo, a chance de tocar na UEL é encarada com alegria. Sua estreia na UEL aconteceu no Cine Teatro Ouro Verde em 2025, na Batalha Coroa de Ouro. Para Oke Conecta Crew, a arte é uma saída diante da opressão. Por isso, partilham a crença de que o conhecimento pode moldar a realidade, algo que se reflete em suas letras. “Essa racionalização ao nos ouvir advém das necessidades de expor as problemáticas com profundidade e inteligência”, expõe Garza.
“O corpo como política, a música como dança”
Nani Naan e Lucca Zorca, dançarinos, artistas-pesquisadores, integram a Cia Deslize e levaram uma cena à Mostra. Naan, que se formou em Artes Cênicas, afirma que já organizou muitas mostras artísticas dentro da Universidade. “Além disso, nosso local de ensaio é na Divisão de Artes Cênicas da UEL, então temos já essa ligação com a universidade e sabemos o quanto é importante ocupar os espaços, nós estamos pesquisando há 1 ano”, conta Zorca. Esta apresentação foi inédita. A pesquisa citada por Zorca entende “o corpo como política, a música como dança e vice-versa. Várias categorias que estudei – como jogo, liminaridade e ritual – se transfiguram em infinitas expressões quando encontram o corpo como mídia, acho que é isso que eu mais curto”, afirma. “Na cena `Escalada Intercalada´ as propostas de movimento são guiadas pelo equilíbrio/desequilíbrio, quando encontramos onde subir, escalamos, podendo sempre escorregar, cair, e a dança vai acontecendo nas frestas, onde da pra segurar e apoiar um corpo no outro”, explica.
Encerrando as apresentações, Marco Aurélio Costa, doutorando em Sociologia, levou um repertório de música popular brasileira, com Jorge Mautner, Caetano Veloso, Belchior, Jorge Ben, Gilberto Gil e Djavan, músicos que admira e o influenciaram. Seu percurso na música começou quando ainda tinha 15 anos, tocando com amigos da escola. Aos 20 já tinha uma banda de rock com repertório autoral, gravando um EP com 6 músicas. “Foi uma grande conquista na época”, ressalta.
Estudando música até hoje, Marco Aurélio reflete sobre a Mostra realizada na UEL: “Acho interessantes eventos que tem como foco o fazer artístico e não o entretenimento. Espaços como esse são importantes porque nos deixam mais livre para escolher repertório e preparar uma apresentação que tenha mais a nossa cara. Diferente de quando tocamos em restaurantes ou bares”, pondera.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade















