Iniciativa do curso de Agronomia ganha primeiro lugar no Hackathon SmartAgro
Iniciativa do curso de Agronomia ganha primeiro lugar no Hackathon SmartAgro
O LabPlant é uma iniciativa que produz mudas de morango para produtores locais e diminui a dependência do exteriorHackathon é um tipo de evento que reúne programadores, cientistas, designers e profissionais de uma área para uma “maratona de programação”, que resulta em inovações e soluções para problemas construídos coletivamente por grupos de participantes. O Hackathon SmartAgro traz esse modelo para o agronegócio e para os campos da biotecnologia e engenharia de alimentos, acontecendo todos os anos durante a ExpoLondrina, e apoiando pesquisas que possam se tornar startups com apoio da Sociedade Rural do Paraná.
Em 2026, durante a 10ª edição do evento, o primeiro lugar na categoria de ensino superior foi o Projeto LabPlant, desenvolvido pelo professor Ricardo Tadeu Faria, docente do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Agronomia, e Bruno Melegari, seu orientando de doutorado.

O LabPlant é uma iniciativa que partiu dos estudos e desenvolvimentos realizados pela Biofábrica da UEL e tem como objetivo a produção de mudas de morango em laboratório, utilizando um processo de clonagem in vitro, que aumenta a qualidade da planta e do fruto produzido.
Morango paranaense

Segundo Bruno Melegari, aluno de doutorado em Agronomia e parte da dupla do LabPlant, um dos principais obstáculos que os agricultores de morango enfrentam, é a importação de mudas de outros países, como Chile, Argentina, Espanha e até Egito. “Grande parte da produção do morango é agricultura familiar, então para eles trabalharem com importação, que é um processo complicado, acaba sendo muito difícil. Eles contratam traders, que adicionam um custo adicional a essa muda que já é cara”, explica.
Das 200 milhões de mudas de morango que o Brasil planta por ano, cerca de 75% são trazidas de fora do país. No Paraná, mesmo aquelas que não vêm do exterior, vêm de outros estados, como São Paulo, deixando os mais de 1500 produtores cadastrados no estado dependentes de fora.
Além do transporte, a própria produção da muda também é um ponto de atrito, visto que as plantas importadas produzem somente no inverno, época que os dias estão mais curtos, levando os agricultores a precisarem trocar seu plantio durante o verão. Os morangos produzidos pelo LabPlant, por outro lado, são adaptados ao clima paranaense, e por isso são capazes de produzir ao longo do ano.

Biofábrica expandida
Ricardo Faria, que coordena a Biofábrica da UEL desde 1997, afirma que os planos para o projeto são de expansão, atendendo não somente ao mercado do morango, mas também muitas outras plantas que dependem da cultura de tecido, como a batata, banana, cana-de-açúcar, ou o abacaxi.

As orquídeas são outro mercado em expansão, tanto pela floricultura, como pela preservação do meio ambiente, e até na área médica. Faria relata que “o Brasil tem 10% das 30.000 orquídeas que existem no mundo, e poucas delas foram domesticadas e estudadas. Muitas delas não são só a beleza da flor, elas têm também princípios medicinais, como por exemplo a baunilha, que é um produto extremamente caro e útil”.
Segundo o doutorando, o LabPlant está passando pelo processo de pré-incubação até o mês de agosto, período em que é analisado se a implementação proposta pela iniciativa será eficaz e lucrativa. O plano para 2027 será concretizá-la como uma startup, com o auxílio da incubação da Sociedade Rural do Paraná, elevando o nível de produção do projeto e expandindo o seu alcance.
Hackathon 2027
Para a 11ª edição do Hackathon SmartAgro, o LabPlant participará com a mentoria dos próximos concorrentes ao prêmio do evento de 2027. “Se você viu algum problema que te incomoda, ou tem uma ideia inovadora na área do agro, o evento é uma oportunidade de ouro para que ela se torne uma startup. Já tiveram muitas empresas que nasceram aqui, algumas que alcançaram até nível nacional“, afirma o professor Ricardo Faria.
Segundo o docente, o evento foi ao mesmo tempo uma oportunidade de entrar em contato com produtores locais, o público alvo do LabPlant, mas também apresenta o desafio de mostrar à banca de qual forma a iniciativa se integrará no mercado e a importância do problema que ele procura resolver. “Foram 3 dias de Hackathon, que no final você precisa condensar em três minutos de apresentação cronometrados, é um minuto por dia. Então conseguir ser sucinto na fala, ao mesmo tempo em que deixa claro a viabilidade e objetivo do seu projeto é fundamental”, explica.
*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.




