Grupo de acolhimento do CCB trata da saúde mental de imigrantes

Grupo de acolhimento do CCB trata da saúde mental de imigrantes

Atividade de escuta, vinculada à Caritas, é realizada por estagiários do curso de Psicologia com imigrantes em sua maioria bengaleses, haitianos e venezuelanos.

Willian C. Fusaro

Agência UEL


Proporcionar um ambiente de escuta acolhedor para a saúde mental de imigrantes que moram na região de Londrina. Esse é o objetivo do Grupo de Acolhimento e Escuta Psicológica, promovido pelo Departamento de Psicologia e Psicanálise, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), em parceria com a Caritas Internacional. O grupo reúne-se, desde o dia 6 de abril, em dois horários distintos, às terças-feiras às 19 horas e aos sábados, às 10 horas, com imigrantes principalmente bengaleses, venezuelanos e haitianos, em um ambiente de escuta compartilhada e acolhedora.

De acordo com a professora do Departamento de Psicologia e Psicanálise, Deborah Klajnman, o grupo surgiu da triste realidade constatada em Londrina e região: a ausência de ambientes de escuta para essas populações. “Já evidenciamos que essas populações estão descobertas dessas ações. Agora, com a pandemia e a necessidade de isolamento social, esses grupos estão ainda mais isolados”, comenta.

(Divulgação).

Deborah afirma que, em sua maioria, os trabalhadores que compõe o grupo atuam em setores específicos. Parte importante dos imigrantes bengaleses, por exemplo, trabalha em frigoríficos, onde usam o método “halal” para abate de aves, exigido pelos países de religião islâmica para consumo da carne. “É um trabalho geralmente precarizado. Esses trabalhadores acabam muitas vezes desenvolvendo doenças laborais em decorrência das constantes trocas de temperatura”, afirma a professora. Parte considerável desses imigrantes vive em Sertanópolis, Cambé e Londrina.

No entanto, para além de guiar-se por características comuns desses imigrantes, o grupo procura acolhê-los em sua singularidade. “Procuramos ouvi-los como indivíduos, com todas as suas complexidades. Devem ser tratados e considerados como pessoas além da suas condições de imigrantes e refugiados”.

Grupo – Devido às características do grupo, não é possível a participação para demais interessados. Segundo Deborah, a intenção é focar em um grupo específico para poder trabalhar com ele. “Criamos, também, um grupo no WhatsApp com os envolvidos, que, por enquanto, são poucos, pois não é muito fácil conseguir chegar nesse público”, afirma a pesquisadora.

Com encontros de 1h30 de duração, o grupo conta com a participação de seis estagiários dos 4º e 5º anos de Psicologia, divididos em três grupos que dão conta dos atendimentos às terças-feiras e sábados. Como meta, o grupo tem a intenção de criar uma rede que englobe atendimento psicológico e psicanalítico a outras especialidades. “Estamos em contato com pesquisadores das Ciências Sociais, por exemplo”, informa Deborah.

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