Simpósio na UEL discute estratégias preventivas contra cigarros eletrônicos
Simpósio na UEL discute estratégias preventivas contra cigarros eletrônicos
Evento é dedicado à discussão sobre prevenção, ações de combate ao uso do tabaco e produtos da nova geraçãoCom o objetivo de atender uma demanda da área da saúde, devido o crescimento da comercialização de novos produtos derivados do tabaco e contribuir para a qualificação dos profissionais da área no desenvolvimento de estratégias para o combate ao tabagismo e a promoção de saúde, evento na UEL se propõe a debater os riscos associados ao uso de produtos derivados do tabaco, possíveis intervenções para a cessação do tabagismo e a disseminação científica de estudos sobre o tema, com foco nos cigarros eletrônicos também conhecidos como “vapes” e “pods”.
Intitulado “Produtos de tabaco de nova geração: como avaliar e intervir na prática clínica”, o Simpósio gratuito e aberto à toda a comunidade acontece no dia 25 de fevereiro, com o apoio da Universidade do Alabama em Birmingham (UAB) e da Secretaria Estadual de Saúde (SESA), a partir das 09h30 no Anfiteatro Cyro Grossy (CCB). A iniciativa é do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento e a programação completa está disponível no site do evento.
O encontro tem como público-alvo os profissionais de saúde, estudantes e docentes da área, bem como, o público em geral com interesse no assunto. O evento também é dedicado às atualizações sobre formas de cessar o tabagismo, os impactos do uso de dispositivos eletrônicos para a saúde e aos avanços na regulação desses produtos.
A programação contará com palestrantes da UEL e com uma convidada da Secretaria Estadual da Saúde (SESA), Chefe da Divisão de Prevenção e Controle de Doenças Crônicas e Tabagismo, Rejane Cristina Teixeira Tabuti; com o Doutor em Saúde Pública e Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), André Luiz O. da Silva, na área de Controle do Tabaco; com o médico pneumologista e professor da Escola de Medicina na Federal de Ouro Preto (UFOP), Paulo César Rodrigues Pinto Corrêa e com a Doutora em Psicologia Clínica pela Louisiana State University, com atuação na área de Saúde Coletiva, Isabel Cristina Scarinci da Universidade do Alabama em Birmingham nos Estados Unidos.

A professora Nádia Kienen do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da UEL, responsável pela abertura da mesa, conta que “o Simpósio também compõe o cronograma de atividades para a disseminação científica de resultados do projeto de pesquisa desenvolvido em cooperação entre a UEL e a Universidade do Alabama em Birmingham”. Segundo ela, a pesquisa atuou por mais de dez anos em ações voltadas para a cessação do uso de produtos relacionados ao tabaco para mulheres.
Na prática, o trabalho contou com a participação de Agentes Comunitários de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), que realizaram um trabalho de intervenção por meio de visitas domiciliares durante o período de testagem, com foco no acompanhamento e na promoção de mudança comportamental dessas mulheres. O objetivo era oferecer mais conhecimento e habilidades para intervenção sobre a cessação, além de contribuir para que elas entendessem e passassem a considerar o tabagismo também como uma forma de dependência, tanto química quanto psicológica.
De acordo com a professora, atualmente a pesquisa encontra-se em uma nova fase de estudos e agora vêm sendo avaliada a possibilidade da elaboração de uma nova forma de intervenção para reduzir a quantidade de visitas domiciliares e com isso, adicionar às intervenções uma nova ferramenta de auxílio: um aplicativo móvel desenvolvido para atender as necessidades de mulheres que usam os produtos de tabaco. A nova fase da pesquisa envolve, até o momento, seis municípios do Estado do Paraná e estima-se que cerca de 345 mulheres participarão do estudo.
Outro ponto que a docente destaca, é que o estudo tem uma ação voltada especificamente para o gênero. “Há uma relação diferente no uso da nicotina em relação a homens e mulheres. Pesquisas apontam que mulheres têm uma ligação muito mais emocional com o cigarro, enquanto que a dependência dos homens é mais associada à dependência física”, diz. As intervenções atualmente existentes, continua Kienen, são mais eficazes para eles do que para elas e isso justifica pesquisas mais voltadas para mulheres, para que as estratégias desenvolvidas possam atender a esse público de forma mais efetiva.

(Foto: Arquivo)
Além das estratégias interventivas, a realização do Simpósio também se justifica pela relevância do tema. Para a professora Silvia Regina de Souza, também do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento, envolvida na realização do Simpósio, o tema tem uma relevância social importante, uma vez que discute uma questão que é um problema de saúde pública. “No caso dos cigarros eletrônicos, por exemplo, verifica-se um aumento na comercialização desses dispositivos de procedência geralmente questionável”, diz.
Na visão da pesquisadora, os cigarros eletrônicos surgiram com a ideia de serem utilizados como alternativa no combate ao uso do tabaco, no entanto, agora são vistos como uma porta de entrada para o consumo de outras substâncias derivadas do tabaco trazendo riscos significativos para a saúde de seus usuários. “Por isso, estudos na área são cada vez mais relevantes para a sociedade”, completa.
A realização do Simpósio visa também conscientizar a população e expor como a indústria do tabaco é criativa e adota estratégias para a sua expansão, com vistas a novos mercados e formas de comercialização desses produtos. Para mais informações sobre o evento, a organização disponibilizou dois canais de contato: (43) 99180-7914 / (43) 99146-7518 e e-mail: tabaco.mulher@gmail.com

*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.
Foto: NRE – AMSUL/AEN Paraná
