Projeto de ensino aprofunda conhecimentos para prática clínica de Fisioterapia
Projeto de ensino aprofunda conhecimentos para prática clínica de Fisioterapia
Os participantes se encontram quinzenalmente no Laboratório de Anatomia para dialogar e estudarA professora Jessica Fernanda do Nascimento Fonseca se formou em Fisioterapia pela UEL em 2014. Dez anos depois, retornou como docente do Departamento de Anatomia, no Centro de Ciências Biológicas. Neste meio tempo, em 2022, o curso de Fisioterapia elaborou um novo projeto pedagógico (Resolução CEPE/CA 020/2022) e trouxe algumas mudanças curriculares.
Logo que iniciou sua prática docente, Jessica criou um projeto de ensino para aprofundar o estudo de Anatomia, ministrado logo nos primeiros anos do curso. Naturalmente, as disciplinas não esgotam o conhecimento da área, e a mudança do Ensino Médio para o Superior é algo que não é superado logo de início por muitos estudantes, que levam tempo para encontrar os métodos mais adequados de estudo. Por isso a complementação fora de sala aula, em projetos por exemplo, é de grande valia. E está aí, há mais de um ano, o projeto de ensino “Anatomia humana voltada para prática clínica em Fisioterapia”.
A Anatomia estudada no curso é majoritariamente a Sistêmica, ou seja, vê o organismo em seu conjunto, seja humano, seja animal (Veterinária). É assim em todo o país. Mas o curso de Veterinária da UEL, segundo a professora Jessica, também usa a Anatomia Topográfica, que estuda o corpo por partes (cabeça, braços, etc.). E há outras, como a Anatomia Palpatória – isso mesmo, aquela que propõe conhecer tatilmente.
Estudo de casos
Os participantes se encontram quinzenalmente no Laboratório de Anatomia para dialogar e estudar. Antes de cada encontro, a professora Jessica envia um material, que pode ser textos, vídeos ou casos concretos. Na reunião, eles também manuseiam peças cadavéricas selecionadas pela coordenadora do projeto e discutem casos clínicos, realizando diagnósticos e outras ações.
Jessica lembra que as peças cadavéricas, usadas há séculos no estudo da Anatomia, ainda são imprescindíveis. Não significa, claro, que novas tecnologias são excluídas. O ensino de área utiliza muito a Realidade Virtual e, na falta de equipamentos de ponta, muitos aplicativos de celular dão conta das demandas, pois possibilitam – entre outros aspectos – visualizar estruturas orgânicas em três dimensões, e até realizar dissecções. Exemplo: ao examinar um braço, retirar da imagem pele, ossos e vasos sanguíneos, ficando só com músculos.
Outra estratégia é a participação de alunos de diferentes séries, o que possibilita troca de experiências. Também há atividades para casa: os participantes devem produzir material e postar no mural do padlet do projeto (imagem abaixo). Lá a professora avalia, comenta, e leva para a reunião seguinte, quando os estudantes apresentam aos colegas o que produziram. Tudo isso, na perspectiva de Jessica, dissemina conhecimento e fixa conteúdos.
Participam do projeto sete alunos de graduação e outros dois docentes da UEL. Um dos participantes do ano passado é atualmente orientando de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da professora. O projeto será levado ao Pró-Ensino da UEL deste ano.

Na avaliação da professora Jessica, o projeto tem sido uma importante contribuição para a formação do fisioterapeuta. “Em nossas reuniões os alunos aprendem o que acomete e o que não acomete um paciente, a partir dos estudos”, exemplifica.
O aprendizado é contínuo e cada vez mais rico. “Os alunos avançam no curso aprendendo sobre o corpo humano através de aulas práticas com os próprios colegas de classe e/ou pacientes, mas que não possuem mais na grade curricular o contato com o laboratório de anatomia e as peças cadavéricas como no primeiro ano”. Desta forma, ela diz, o projeto atua como uma ponte entre a teoria e a prática, pela qual eles podem continuar no ambiente do Departamento, aprofundando o estudo com as peças cadavéricas ao mesmo tempo em que cursam disciplinas específicas de fisioterapia. “Assim, conseguimos por exemplo, visualizar nas peças as estruturas acometidas durante testes ortopédicos que estão estudando nas disciplinas em que aprendem sobre exame físico ou ainda as estruturas superficiais e profundas que examinam nos colegas de turma na disciplina de Anatomia Palpatória”, complementa.
Jessica participa ainda de outros projetos, como o Museu de Anatomia, e orienta estudantes até de outras, como Nutrição, que produzem desenhos de Anatomia. E elogiou a qualidade do trabalho. Além disso, prospecta uma expansão deste que coordena, envolvendo outras áreas, como Enfermagem, Medicina e Farmácia.





