Pesquisador integra equipe internacional que estuda ninhada fossilizada de crocodilos pré-históricos

Pesquisador integra equipe internacional que estuda ninhada fossilizada de crocodilos pré-históricos

Ovos foram encontrados em 2020, em um sítio paleontológico em Presidente Prudente (SP). A partir das imagens captadas no LARX da UEL, foi possível observar imagens do interior e da estrutura.

O professor Eduardo Inocente, do Laboratório de Física Nuclear Aplicada, do Departamento de Física, é um dos autores do artigo científico que retratou a descoberta de 83 ovos fossilizados de ancestrais de crocodilos, publicado no início deste mês, no Journal of Vertebrate Paleontology, assinado por pesquisadores brasileiros, dos Estados Unidos e da Argentina. O trabalho joga luz sobre estudos relacionados a crocodilomorfos e paleontologia (ciência que estuda fósseis), uma vez que os ovos representam a maior ninhada já encontrada no mundo.

O artigo é resultado da dissertação de mestrado da atual doutoranda do Laboratório de Paleobiologia da Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande do Sul, Giovanna Paixão. Os ovos foram encontrados em 2020, no sítio paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente (SP), com parte das cascas preservadas, o que permitiu a identificação dos grupos a que pertenciam. Os ovos foram encontrados em blocos petrificados, com idade estimada entre 83 e 86 milhões de anos.

A partir das imagens captadas no Laboratório LARX da UEL, foi possível observar imagens do interior e da estrutura. Três ovos foram avaliados no Microtomógrafo de Raio-X, que permite a reconstrução e visualização 3D , com resolução na escala de micrômetros.

Coube ao professor Inocente a análise de parte da ninhada utilizando tecnologia de ponta existente no Laboratório de Análises por Técnicas de Raio-X (LARX) da UEL. A amostra foi trazida a Londrina em abril de 2022 para que o professor pudesse fazer a análise do material. Segundo ele, três ovos foram avaliados no Microtomógrafo de Raio-X, que permite a reconstrução e visualização 3D de estruturas internas com resolução na escala de micrômetros.

O professor explica que a descoberta foi feita pela equipe do Museu de Paleontologia de Marília, coordenado pelo pesquisador William Nava, em setembro de 2020. No mês seguinte, ele retornou ao sítio acompanhado da doutoranda Giovana e encontraram novas rochas com cascas de ovos preservadas. A remoção exigiu o uso de maquinário especializado, trabalho que acabou concluído em 2022, quando os blocos com ninhos foram levados para estudo até a Unipampa e posteriormente trazidos a Londrina.

A pesquisa avaliou os ovos (posição e direção das posturas), estrutura da casca (quantidade de poros e tipo de ornamentações presentes na superfície) e a morfologia externa. A partir das imagens captadas no LARX da UEL, foi possível observar imagens do interior e da estrutura dos ovos. No entanto, os pesquisadores não encontraram restos ósseos ou vestígios de embriões.

A amostra foi trazida a Londrina em abril de 2022 para que o professor Eduardo Inocente (foto) pudesse fazer a análise do material.

A partir dessa descoberta e comparando com outros conjuntos de ovos conhecidos do Brasil e do exterior, a equipe atribuiu os ovos aos ancestrais de crocodilos, embora não seja ainda claro quantos indivíduos estavam envolvidos. O Journal of Vertebrate Paleontology está incluído no ISI Science Citation Index, com Fator de Impacto de 2,558, classificando-o em 9º lugar entre 53 periódicos da área de Paleontologia.

Publicado em

É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte.