Memória viva: UEL inaugura Museu Escolar dedicado à educação rural neste sábado

Memória viva: UEL inaugura Museu Escolar dedicado à educação rural neste sábado

Construído a partir da madeira original de antigas escolas desativadas, o projeto envolveu anos de pesquisa, doações da comunidade e um esforço coletivo para salvaguardar arquivos da educação regional.

A Universidade Estadual de Londrina inaugura no próximo sábado (6), um espaço dedicado à preservação da memória das escolas rurais. A cerimônia de entrega do Museu Escolar de Londrina (MEL) acontece às 10h, na Praça da Diversidade localizada no Calçadão, ao lado da réplica da primeira Catedral de Londrina. Autoridades locais estarão presentes para celebrar o resultado dessa parceria firmada entre UEL e a Prefeitura de Londrina via Secretaria Municipal de Educação (SME).

Construído a partir da madeira original de antigas escolas desativadas, o projeto envolveu anos de pesquisa, doações da comunidade e um esforço coletivo para salvaguardar arquivos da educação regional. O local não é uma réplica exata de uma escola da zona rural, mas uma reconstrução arquitetônica que integra o patrimônio histórico à comunidade universitária. A iniciativa busca despertar a memória nas gerações passadas e ensinar o conceito de temporalidade aos estudantes contemporâneos através de objetos e fotografias que estarão presentes no acervo.

Segundo a professora Sandra Regina Ferreira de Oliveira, do Departamento de Educação (CECA) e coordenadora do projeto, “o MEL foi planejado para transcender a função tradicional de um espaço contemplativo e consolidar-se como um ambiente dinâmico de múltiplas utilidades”. Ela explica que a reconstrução irá contemplar um espaço de exposição, centro de formação para acadêmicos e professores, além de um espaço cultural adaptável.  Com uma estrutura de 6m x 12m, a sala principal foi projetada para ser reconfigurada de acordo com as necessidades de diferentes projetos e eventos que eventualmente o MEL possa receber.

Arquitetura e Construção

Sandra de Oliveira diz que diferente de uma réplica fiel (como a vizinha réplica da primeira Igreja Matriz), “o MEL é classificado como uma reconstrução baseada no reaproveitamento de materiais históricos”. Para a sua composição estrutural, foram utilizadas madeiras doadas de duas escolas rurais de Londrina: “Urandy Andrade Correa”, que funcionou de 1968 a 1995, do distrito de Guaravera e a escola “Monteiro Lobato”, construída em 1949, entre os distritos Espírito Santo e São Luís. Os pesquisadores, estudantes e professores do projeto obtiveram a autorização para o desmanche das escolas a partir de conversas com os responsáveis pelas edificações e também com a comunidade local. Após isso, as antigas escolas rurais tiveram o madeiramento encaminhado para o Sistema de Arquivos da UEL. O espaço do MEL é superior ao da construção original, mas mantém pilares de tijolos característicos das construções de Londrina da década de 1940.

Muitas peças foram doadas por igrejas e comunidades que preservaram o mobiliário após o fechamento das escolas rurais. Foto: Emerson Dias | N.Com

“A viabilização da obra envolveu um mapeamento de dez anos pela zona rural de Londrina, identificando escolas desativadas que serviam como depósitos ou sedes de associações.”, explica Oliveira. O museu detém carteiras duplas de madeira, carteiras de ferro, mesas de trabalho em peroba e cadeiras diversas. Muitas dessas peças foram doadas por igrejas e comunidades que preservaram o mobiliário após o fechamento das escolas rurais.

Salvaguarda da memória

O projeto surgiu da necessidade de salvaguardar documentos da educação londrinense que estavam em condições que ofereciam risco à sua integridade e conservação. O projeto, então capitaneado pelo MEL, atuou na higienização, catalogação e digitalização desses arquivos para disponibilizá-los à consulta pública. Desde então, esse trabalho já resultou na publicação de três catálogos de fotografia e serve de base para diversas pesquisas dos Programas de Pós-graduação em História da Educação e Ensino de História.

Sandra de Oliveira cita que tudo isso só foi possível, “graças à cooperação interinstitucional que envolveu recursos públicos e colaboração técnica de ambas às instituições”. O corpo técnico contou com a colaboração de especialistas em arquitetura, o professor Antônio Carlos Zani do Departamento de Arquitetura e Urbanismo (CTU); Simone Burioli e Tony Honorato, do Departamento de Educação (CECA); do Programa de Pós-graduação em Educação, os professores Celso Luiz Junior e Marlene Rosa Cainelli ; Gina Issberner que atua na Casa do Pioneiro por meio do CCH Cultural e da equipe de apoio Pedagógico de História e Diversidade da Secretaria Municipal de Educação (SME/PML), coordenada por Elaine Candoti.

Elaine Candoti, da Secretaria Municipal de Educação, diz que “Londrina será uma das poucas cidades brasileiras a possuir um museu escolar. Prática mais comum em países europeus”. Com a inauguração da Escola Rural, principal peça do MEL, “apresentamos a comunidade londrinense um acervo de pesquisa, imersão e vivências para todas as idades e que não é exclusivamente da SME/PML ou da UEL, é da cidade”, diz.

No Acervo do MEL estarão expostos, objetos como mimeógrafos, máquinas de escrever, aparelhos telefônicos, máquinas fotográficas, acervos fotográficos mostrando estudantes, escolas e professores em diferentes épocas, carteiras de modelos diferentes (em dupla e individuais), cenário para a foto clássica da escola na mesa da professora com o globo. “Ao final, um jaleco para vestir e fazer a foto”, conclui Elaine Candoti.

Impacto na memória coletiva

Para a professora Sandra Oliveira, da UEL, “o Museu deve atuar como um “gatilho de memória” para a população local, que ao rever a reconstrução poderá rememorar os tempos em que frequentavam as escolas rurais”. Estima-se que gerações até a faixa dos 40 anos tenham frequentado essas escolas, que operaram na região até a década de 1990.

Ao mesmo tempo que busca resgatar memórias, o projeto também terá uma função pedagógica ao oferecer para crianças que não viveram aquela realidade, o confronto entre passado e presente. “Onde uma única professora lecionava para diversas séries simultaneamente e os alunos eram responsáveis pela limpeza e merenda”, cita Oliveira.

“O MEL poderá ser visto como um patrimônio de Londrina, indo além dos muros da universidade para educar a comunidade sobre a história da ocupação do território e a importância do investimento público na preservação da memória, agregando ensino, pesquisa e extensão”, complementa a docente.

O Museu Escolar de Londrina (MEL) é o resultado de um projeto de dez anos que integra pesquisa acadêmica, preservação histórica e extensão universitária. A sua inauguração simboliza a concretização de um trabalho longo, que só foi possível, “graças ao empenho coletivo, parcerias institucionais e anos de pesquisa dedicados a esse trabalho de preservação”, finaliza.

Abertura ao público

O museu inicia suas atividades com um cronograma progressivo de abertura ao público: após a inauguração no sábado (6), às 10h, Ele abre para visitação a partir de segunda-feira (8), em um primeiro momento priorizando o período vespertino. A primeira exposição foca na reconstrução de salas de aula multisseriadas, utilizando objetos originais e fotografias para retratar a realidade das escolas rurais. Para visitas de grupos escolares e da comunidade o agendamento deve ser feito via e-mail: mel@uel.br

Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com
Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com
Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com
Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com
Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com
Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com
Museu Escolar de Londrina (MEL) no Campus da UEL. Foto: Emerson Dias| N.Com

*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.
*Fotos: Emerson Dias / N.Com

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