Projeto desenvolve materiais para análises clínicas, forenses, ambientais e alimentares

Projeto desenvolve materiais para análises clínicas, forenses, ambientais e alimentares

Pesquisa produz materiais baseados em tecnologia de impressão química, convertidos em tecnologias aplicáveis às demandas da sociedade

Uma pesquisa multidisciplinar concebida por professores da UEL desenvolve materiais, dispositivos e métodos de análise voltados à resolução de problemas reais nas áreas ambiental, alimentar, clínica e forense. Intitulado “Desenvolvimento de Plataformas Sensoras e Adsorventes Inteligentes Utilizando Materiais Baseados em Tecnologia de Impressão Química”, o projeto é coordenado pelo professor César Ricardo Teixeira Tarley, vinculado aos Programas de Pós-Graduação em Química e em Ciências de Alimentos.

Idealizada em 2025, a pesquisa vem empregando a tecnologia de impressão química para produzir materiais capazes de reconhecer seletivamente determinadas moléculas ou íons, chamados de Polímeros Molecularmente Impressos e Polímeros Ionicamente Impressos, respectivamente.

Esses materiais serão utilizados na construção de adsorventes magnéticos, sistemas de extração e pré-concentração, sensores eletroquímicos e dispositivos fotoeletroquímicos, possibilitando a determinação de substâncias presentes em baixas concentrações e em amostras complexas. Os métodos serão aplicados à análise de águas, sedimentos, alimentos, leite e fluidos biológicos. Entre as substâncias investigadas estão mercúrio, selênio, esteróis indicadores de poluição fecal, resíduos de antibióticos e agrotóxicos, biomarcadores de doenças e novas substâncias psicoativas.

Professor do Departamento de Química da UEL, Cesar Tarley coordena a pesquisa multidisciplinar.
Foto: Heloísa Gonçalves.

Múltiplos usos

Uma das aplicações será o monitoramento da contaminação de águas e alimentos por agrotóxicos, especialmente no Norte do Paraná. Tarley adiantou que “os resultados poderão auxiliar o poder público na definição de ações voltadas à proteção ambiental, à segurança alimentar e à saúde da população”.

Já na área forense, os pesquisadores desenvolvem sensores eletroquímicos para a detecção de drogas ilícitas, em parceria com a Polícia Científica do Estado do Paraná (PCP/PR). O coordenador almeja a disponibilização da tecnologia em maior escala. Os materiais também podem ajudar as Polícias Federal e estaduais na identificação de novas drogas, de acordo com as demandas das Unidades de Perícia Oficial, e contribuir com o Subsistema de Alerta Rápido sobre Drogas da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD).

“Os novos métodos deverão reduzir o tempo de análise, o consumo de solventes tóxicos e a geração de resíduos. Os materiais também poderão ser reutilizados e, em algumas aplicações, substituir adsorventes comerciais de maior custo, reforçando os benefícios econômicos e ambientais da proposta”, elencou o coordenador.

Cooperação de longa data

A pesquisa é realizada no Laboratório de Desenvolvimento de Métodos Analíticos (LADEMA), no Departamento de Química da UEL. O projeto é viabilizado pela parceria entre professores de diferentes áreas do conhecimento, que atuam em programas de pós-graduação em Química, Ciência de Alimentos, Física e Química de Materiais e Ciências Farmacêuticas.

Além de Tarley, participam pós-graduandos e os docentes Luiz Henrique Dall’Antonia, Roberta Antigo Medeiros, Odair Pastor Ferreira e Mariana Gava Segatelli. A equipe conta ainda com Arnaldo César Pereira, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Lucas Franco Ferreira, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), e Eduardo Costa de Figueiredo, da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). A colaboração “permite transformar conhecimento científico em tecnologias aplicáveis às necessidades da sociedade”, relatou o coordenador.

A equipe produziu, nos últimos cinco anos, mais de 258 artigos científicos, capítulos de livros e patentes. No mesmo período, também formou 49 alunos de pós-graduação em nível de Mestrado e Doutorado.

*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação

Publicado em

É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte.