Única estadual do PR com três finalistas no Prime, UEL investe em projetos inovadores

Única estadual do PR com três finalistas no Prime, UEL investe em projetos inovadores

Cada projeto receberá 200 mil reais para viabilizar a inserção dos produtos relacionados a eles no mercado

Três projetos da Universidade Estadual de Londrina foram contemplados no Programa Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime) 2026 e receberão cada um 200 mil reais. Os projetos ficaram entre os 10 finalistas da edição deste ano do Programa e foram os únicos contemplados entre as universidades estaduais do Paraná.

Além dos pesquisadores da UEL, que chegaram à terceira e última etapa do Prime, outros pesquisadores são da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com projetos dos Campus de Curitiba, na Região Metropolitana; Apucarana, no Vale do Ivaí; Dois Vizinhos, no Sudoeste; e Cornélio Procópio, no Norte. O outro finalista é do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR), do Campus de Paranaguá, no Litoral.

Coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e pela Fundação Araucária com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae/PR), o Prime tem como objetivo fomentar a inovação e a propriedade intelectual, além de transformar o resultado de pesquisas em novos produtos, serviços e negócios, concedendo um prêmio pecuniário (200 mil reais) aos dez finalistas. Eles poderão financiar os projetos, visando inserir os produtos a eles relacionados no mercado.

Pesquisador do CCB e diretor de Pesquisa da Pró-reitoria de Pós-graduação, Doumit Camilios: proteção das plantas contra fungos

Um dos projetos da UEL contemplados foi o do professor Doumit Camilios Neto, do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), Intitulado “Agrorham: Inovação Natural no Controle de Fungos Agrícolas”, o projeto se baseia em um defensivo agrícola sustentável que utiliza substâncias naturais para potencializar a proteção das plantas contra fungos e diminuir a quantidade de produtos químicos nas plantações. A tecnologia desenvolvida no projeto não só combate os fungos, como também incita a próprio vegetal a produzir mecanismos de defesa naturais, o que amplia a ação defensiva e reduz a dependência de produtos químicos, reduzindo os custos de produção.

Outro projeto desenvolvido na UEL selecionado no Programa é o do professor Cláudio Pereira de Sampaio do Departamento de Design, do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA. O projeto “Butterfly Pelvic Trainer” visa combater a incontinência urinária infantil a partir do desenvolvimento de um dispositivo para auxiliar no treinamento da musculatura pélvica das crianças.

Professor e diretor da Gráfica, Cláudio Pereira de Sampaio, do Departamento de Design: produção de dispositivo para uso na área de saúde

O produto é feito com um tipo de hidrogel e sensores que captam o movimento muscular da criança na região pélvica. Após captado esses movimentos, é enviado um sinal com bluetooth (comunicação sem fio) para um aparelho, que pode ser um smartphone, no qual há um aplicativo com um jogo lúdico em que a criança vai movimentando objetos, personagens, a partir do movimento pélvico, fazendo a criança brincar e ao mesmo tempo fortalecer a musculatura. Trata-se de um projeto bastante inovador pois, segundo Cláudio Pereira, não há nada parecido no mercado.

E o terceiro projeto da Universidade contemplado no Prime é o da professora e chefe do Departamento de Microbiologia, do CCB, Renata Katsuko Takayama Kobayashi. Seu projeto, “Dermaser Gel: Inovação Tópica para Feridas Infeccionadas”, tem por objetivo desenvolver um gel tópico inovador para tratamento de feridas e queimaduras infectadas, trazendo como benefícios o potencial de reduzir custos de desenvolvimento e oferecer uma nova alternativa terapêutica frente a resistência antimicrobiana e viabilizar a transferência de tecnologia para o mercado.

A professora Renata Katsuko diz que vai usar os 200 mil reais para financiar bolsas de desenvolvimento tecnológico e de pós-doutorado, para a contratação de serviços de terceiros para a regularização de produtos, além da aquisição de materiais de consumo do Laboratório de Bacteriologia Básica e Aplicada, como reagentes, e a realização de análises em laboratórios credenciados, visando à obtenção de dados, além da formalização dos trâmites regulatórios para o registro de produtos na Anvisa.

Ainda segundo a professora, sobre a importância do Prime, ela enfatiza o estímulo ao empreendedorismo: “O grande sonho de todo pesquisador é ver a sua pesquisa fazendo a diferença na comunidade. Este é o quarto Prêmio Prime do nosso grupo de pesquisa. Nós incentivamos nossos alunos a sempre terem esta visão empreendedora e com o objetivo de buscar soluções reais para problemas reais”, afirma.

Inovação: Gel tópico para tratamento de feridas e queimaduras
Mais inovações

A professora Renata também recebeu outra grata notícia recentemente: um projeto de inovação seu foi classificado na Fase 1 do Programa Centelha Paraná. Dessa forma, o projeto continua concorrendo no processo de seleção que, ao seu final, vai distribuir aos vencedores R$ 4,6 milhões em recursos para apoiar até 48 empresas, incentivando a transformação de ideias em negócios de base tecnológica.

A proposta de empresa confeccionada pela professora Renata chama-se Renova Biotech, que visa a prestação de serviços microbiológicos para empresas biomédicas, farmacêuticas e de cosméticos, para avaliar a ação antimicrobiana, inibição da formação de biofilme e outros experimentos microbiológicos. O modelo de negócio proposto pretende também gerar receita para auxiliar o desenvolvimento final do produto DermaSer Gel, com o intuito de realizar experimentos para regularização perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em sua terceira edição, o Programa Centelha Paraná objetiva estimular o empreendedorismo inovador por meio de capacitações para o desenvolvimento de bens, serviços ou processos inovadores e apoiar – por meio da concessão de recursos de subvenção econômica e de Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora – a geração de empresas de base tecnológica a partir da transformação de ideias inovadoras.

O Centelha 3 ainda destinará até 50 mil reais por projeto de inovação para a concessão de Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora oriundos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Incentivo ao desenvolvimento socioeconômico

O Prime integra o conjunto de ações da Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável (Ageuni), vinculada à Seti que objetiva incentivar o desenvolvimento socioeconômico e aumentar a competitividade das empresas paranaenses, agregando tecnologia aos processos de produção de bens e serviços. Prevista para 10 de novembro, a assinatura dos financiamentos dos finalistas da edição deste ano fará parte da programação do Paraná Faz Ciência 2026 e da 6ª Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que serão realizados em Cascavel.

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