Patente de processo agrícola em parceria com Universidade Federal

Patente de processo agrícola em parceria com Universidade Federal

Processo contou com apoio da equipe da Agência de Inovação Tecnológica (AINTEC).

A UEL conseguiu registrar uma patente, em parceria com a Universidade Federal do ABC (UFABC). Trata-se da patente “Processos de aplicações agrícolas utilizando nanopartículas doadoras de óxido nítrico”, liderado pelo professor Halley Caixeta de Oliveira, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, do Centro de Ciências Biológicas (CCB). Pela UFABC, a responsável é a professora Amedea Barozzi Seabra. O registro da patente também envolve Bruna Cristina Rodrigues Gomes e Milena Trevisan Pelegrino, então estudantes.

O professor Halley de Oliveira afirma que o depósito da patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foi realizado em dezembro de 2016 e o registro foi aprovado, agora em agosto. Durante esse período, os autores tiveram de realizar alguns ajustes conforme solicitação do instituto. Ele conta que recebeu com surpresa o registro porque em muitos casos leva-se até 10 anos para a finalização. Segundo o professor, foi um aprendizado participar do registro da patente. Confira o áudio.

Halley de Oliveira explica que a patente se refere ao registro de um processo, de nanoencapsulação de doador de óxido nítrico. A molécula de óxido nítrico é estudada há muito tempo e sabe-se que atua em diversos processos de crescimento e desenvolvimento vegetal. O óxido nítrico participa das respostas da planta ao estresse, como seca, salinidade, alta temperatura, radiação ultravioleta, ataque de patógenos (organismo capaz de causar doença). “Há vários trabalhos que mostram que as plantas, quando tratadas com moléculas doadoras de óxido nítrico, ficam mais tolerantes ao estresse”.

O professor explica que o óxido nítrico é uma molécula gasosa, de difícil manipulação. “É muito difícil tratar uma planta com gás, imagine no campo. E o pior é que o óxido nítrico é tóxico em altas quantidades. É uma coisa até perigosa de trabalhar com ele”. Outro problema é que o óxido nítrico se degrada com facilidade, sofrendo interferência da luminosidade e da temperatura, por exemplo. A solução encontrada foi trabalhar com a molécula doadora de óxido nítrico a partir da nanotecnologia.

Coordenador do projeto, professor Halley Caixeta de Oliveira, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, do CCB

Parceria permite inovação

A nanotecnologia permite a manipulação da matéria em escala nanométrica, ou seja, em escala muito reduzida. O professor exemplifica que seria o mesmo que dividir um metro em um bilhão de partes. “Os materiais nessa escala muito reduzida têm características e propriedades bem diferentes dos mesmos materiais em tamanho maior. Por exemplo, capacidade de interação maior, aumenta a sua área superficial, entre outros”, comenta Halley de Oliveira.

O processo de encapsulação da molécula doadora de óxido nítrico é feito a partir de uma capa de polímero a base de quitosana, derivada da quitina – elemento encontrado em artrópodes, como crustáceos (camarão, caranguejo e lagosta). O professor Halley de Oliveira afirma que a inovação da patente registrada pela UEL e UFABC foi encapsular as moléculas doadoras de óxido nítrico. Confira o áudio.

Conforme o professor, a própria quitosana já induz uma resposta de defesa das plantas e isso aumenta a eficácia da indução do processo nas respostas da planta a situação de estresse. Conforme o professor a nanopartícula a base do polímero de quitosana consiste em material biodegradável e de baixo impacto ao meio ambiente. Além disso, a técnica pode ajudar na redução do lixo produzido pelo consumo de crustáceos em cidades litorâneas.

A professora Amedea Seabra conta que conheceu o professor Halley de Oliveira em uma banca de doutorado na UNICAMP. Ela é química e trabalhava com o desenvolvimento de nanopartículas a base de polímeros para aplicações na área biomédica. Foi depois de conhecer o professor da UEL que passou a pesquisar o processo, também, no setor agrícola. “Isso abre uma possibilidade gigante na agricultura, no agronegócio. Abre uma perspectiva de uso dessa tecnologia baseada em nanomateriais para aplicação agrícola”.

Ela concorda que o registro da patente foi rápido e credita isso, também, à desburocratização do INPI. Segundo a professora, o agronegócio é um setor muito promissor no país e destaca o papel da universidade nessa área. “O Brasil tem de se orgulhar da sua agricultura e fico muito feliz que a universidade esteja envolvida e engajada em novas tecnologias aplicadas ao agronegócio”, afirma. “Caminhamos agora na expectativa de licenciarmos essa tecnologia. Um licenciamento ao setor produtivo seria perfeito”.

Iniciação Científica – O professor Halley de Oliveira pesquisa o óxido nítrico desde a sua graduação em Ciências Biológicas na Universidade de Campinas (UNICAMP), quando realizou projeto de iniciação científica. E foi também na iniciação científica na UEL, como professor orientador, que ele começou a desenvolver a utilização de nanopartículas doadoras de óxido nítrico. Ele orientou a estudante de Agronomia Bruna Cristina Rodrigues Gomes, realizando testes com milho submetido a condições de estresse. A pesquisa virou trabalho de conclusão de curso (TCC).

Em 2016, com o resultado, eles publicaram um artigo científico sobre esse processo que envolvia o uso da nanopartícula em revista internacional. “Até então, nem pensava em patente”, afirma Halley de Oliveira, que foi alertado pela professora Amedea Barozzi Seabra sobre a possibilidade de registro junto ao INPI. Amedea Seabra era orientadora da então doutoranda Milena Trevisan Pelegrino. O processo teve participação da Agência de Inovação Tecnológica (AINTEC).

Processo contou com apoio técnico da equipe da Aintec/UEL

Conforme o professor, os testes foram realizados em milho, mas o registro da patente permite o uso para outras espécies vegetais. Agora, ele afirma que há outros trabalhos e pesquisas buscando respostas para a aplicação da nanopartícula doadora de óxido nítrico em mudas de reflorestamento; plantio de soja com excesso de cobre no solo; tratamento de sementes para torná-las mais vigorosas e melhorar a germinação; testes em tomateiros; formação de raízes e ainda compreender o mecanismo de funcionamento da nanopartícula na fisiologia da planta.

Oportunidade – A egressa da UEL, do curso de Agronomia, Bruna Cristina Rodrigues Gomes diz que conheceu o professor Halley por meio do projeto com as nanopartículas. Ela conta que surgiu a ideia de testar as nanopartículas doadoras de óxido nítrico em plantas de milho afetadas pelo estresse salino. “Foram quase dois anos nesse projeto e tive a oportunidade de aplicar o conteúdo que aprendemos durante o curso, principalmente, aprender na prática, vendo os resultados”, afirma Bruna Gomes. “Posso afirmar que foi o projeto mais importante que participei durante a graduação e com ele pude desenvolver meu TCC”.

Hoje, a agrônoma atua em uma empresa de fertilizantes em Curitiba, como supervisora de vendas. Ela auxilia no atendimento de clientes, como tradings, cooperativas e produtores rurais. Ela diz acreditar que a patente da qual participa vai impactar positivamente na sua carreira. “O mercado do agronegócio está em constante busca por produtos inovadores. O produtor rural está mais exigente, tecnificado e tem muito interesse em testar e usar em novas tecnologias como essa”.

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