Projeto que trata doenças com nanopartículas de prata e LED recebe quase 2 milhões da FINEP

Projeto que trata doenças com nanopartículas de prata e LED recebe quase 2 milhões da FINEP

O “BIOAGNPLED” conta com 28 pesquisadores, entre os quais 14 bolsistas produtividade em pesquisa do CNPq.

Um esforço coletivo de pesquisadores de vários Centros de Estudos gerou um projeto aprovado pelo edital da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), com financiamento de quase R$ 2 milhões. O projeto “BIOAGNPLED – Tecnologias assistivas para o controle de doenças infecciosas ou crônicas não transmissíveis: aplicação de nanopartículas de prata biológicas e LED” foi contemplado com R$ 1.982.389,94 pela instituição, que integra o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), do Governo Federal. A verba ficará sob gestão da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (FAUEL), a instituição proponente do projeto.

A pesquisa tem o objetivo de desenvolver, em até 36 meses, duas frentes de trabalho: as nanopartículas de prata biológicas e protótipos de diodos emissores de luz (popularmente conhecido como LED) de fácil utilização e aplicação. As nanopartículas de prata poderão ser utilizadas em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e jalecos, em materiais médicos, como cateteres para o trato urinário, e em formulações farmacêuticas, como hidrogel, por exemplo. É o que explicam os professores Sueli Yamada-Ogatta e Gerson Nakazato, do Departamento de Microbiologia, do Centro de Ciências Biológicas (CCB).

Pesquisadores da UEL que integram o projeto BIOAGNPLED, Flávia Alessandra Guarnier, Sueli Yamada-Ogatta e Gerson Nakazato.

Tratamento de feridas e queimaduras

“As nanopartículas de prata têm efeito antimicrobiano, inclusive sobre o vírus da COVID-19. Podem ser incorporadas nesses equipamentos, a fim de reduzir as infecções”, aponta Nakazato. Outra funcionalidade é a da produção de membranas com as nanopartículas, que podem ser fundamentais para o tratamento de feridas e queimaduras. “Essas nanopartículas já são utilizadas com esse propósito há algum tempo. No nosso caso, a diferença é que não utilizamos solventes químicos para a obtenção delas”, explica.

No lugar de produtos tóxicos, como borohidreto de sódio e citrato de sódio, o processo utiliza nanotecnologia verde e sustentável. “Utilizamos plantas e fungos queconseguem produzir as nanopartículas sem agressão ambiental”, afirmou Nakazato. O uso das nanopartículas se torna bastante interessante, segundo os pesquisadores, em cateteres. “Esses materiais, se contaminados, podem desenvolver um biofilme, que é uma espécie de “crosta” de micro-organismos que não saem com ação de antibióticos. Se impregnarmos cateteres com nanopartículas de prata, esses riscos podem ser reduzidos”, ressalta Sueli.

Os protótipos de EPIs desenvolvidos pelo grupo serão avaliados por servidores do Hospital Universitário (HU/UEL) e possíveis hospitais parceiros. Todos os procedimentos de testagem em seres humanos e animais serão realizados de acordo com normas dos comitês de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos e Experimentação Animal.

Luz de LED

Já a segunda frente do projeto trata de testes para a ampliação do uso da luz de LED, combinando diferentes parâmetros físicos e ambientes, além da geração de protótipos de fácil utilização. Hoje, a tecnologia já é utilizada na regeneração de feridas, queimaduras e outras enfermidades, e a proposta amplia as possibilidades de uso em saúde. São responsáveis por essa frente os professores Eduardo Araújo, diretor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG) e professor do Departamento de Histologia, e Flávia Alessandra Guarnier, do Departamento de Ciências Patológicas, ambos os professores do Programa de Pós-Graduação em Patologia Experimental , do Centro de Ciências Biológicas (CCB). Também faz parte da linha o professor Edson Laureto, do Departamento de Física/Centro de Ciências Exatas (CCE).

As luzes de LED são utilizadas há tempos, explicam, como um fator indutor da produção de mitocôndrias (organelas celulares responsáveis pelo processo de geração de energia para as células). Porém, no projeto, a intenção é ampliar a utilização da tecnologia em uma gama de doenças. “O equipamento emissor de luz de LED que utilizamos será produzido na UEL, com a participação do Programa de Pós-Graduação em Física. Produziremos equipamentos portáteis, que possam ser utilizados por pacientes no tratamento de doenças crônicas”, ressaltou Flávia.

Segundo Araújo, as luzes de LED já foram utilizadas em suas pesquisas como ferramentas importantes para a redução de processos inflamatórios em grupos específicos de doenças intestinais, utilizando uma combinação específica de quantidade de energia e comprimento de onda. “Neste novo projeto, aplicaremos luzes produzidas em níveis de intensidade diferentes, vários comprimentos de onda e duração da exposição à luz.

No mercado, existem equipamentos que demonstram bons resultados para situações muito específicas, mas sem compreender o mecanismo envolvido e as potencialidades de utilizá-lo para outros tipos de doença. No nosso caso, partimos de uma pesquisa experimental mais ampla, com combinação e controle de diferentes variáveis, para conseguir mapear as características da luz necessárias para controle da inflamação em diversos tipos de doença”, explica o pesquisador.

Pesquisa Integrada

A lista de programas de pós-graduação envolvidos no projeto é extensa: Patologia Experimental, Ciência Animal, Ciências da Saúde, Microbiologia, Ciências Fisiológicas, Fisiopatologia Clínica e Laboratorial, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem e Física. Há também a participação do Departamento de Design de Moda, responsável pela confecção dos EPI’s. Todo o trabalho de integração dessas variadas áreas é, como lembra o diretor de Pesquisa da PROPPG, “uma questão administrativa”, sem a qual o projeto não existiria.

“Às vezes os objetivos de uma pesquisa poderiam se tornar ainda mais relevantes se interligados a expertises de outras áreas do conhecimento, sobretudo de outros Centros de Estudos . Nesse sentido, vejo que, nos últimos anos, a Universidade vem se preocupando em pensar projetos de desenvolvimento científico de uma forma mais multidisciplinar”, avaliou Araújo. Essa exigência, aponta, também vem na esteira do que é pedido por muitos editais de fomento de instituições públicas pelo Brasil: pesquisas integradas, multidisciplinares e, muitas vezes, multicêntricas.

O “BIOAGNPLED” conta com mais de 30 participantes e a perspectiva de incorporação de novos pesquisadores e estudantes. São 28 pesquisadores, entre os quais 14 bolsistas produtividade em pesquisa do CNPq, além do apoio de dois técnicos de nível superior.

banner mestrado
banner-03
previous arrow
next arrow
Leia também