UEL celebra presença indígena com eventos dedicados aos saberes tradicionais, artes e ciência
UEL celebra presença indígena com eventos dedicados aos saberes tradicionais, artes e ciência
O evento recorrente aproveita o mês do Dia dos Povos Indígenas para celebrar a presença dos povos originários na UEL.Uma exposição de fotos no Sesc Cadeião marca o início das atividades do “UEL Abril Indígena”. O evento recorrente aproveita o mês do Dia dos Povos Indígenas para celebrar a presença dos povos originários na UEL com diversas atividades que envolvem os saberes tradicionais, artes, ciência e conscientização. Promovido pela CUIA – Comissão Universidade Para os Indígenas, a série de ações também integra a campanha “UEL na Luta Contra o Racismo”, que tem como um dos objetivos combater o racismo contra esses povos.

A mostra de fotos retrata o resultado do projeto de pesquisa e extensão “A relação do Povo habitante da Terra Indígena Apucarana com o Território e a Energia Elétrica”, que levou às comunidades atividades de orientação sobre o uso da energia. A atividade inaugural do Abril Indígena pode ser visitada gratuitamente até o dia 20 de abril e traz um registro imagético de todo o projeto, desde as primeiras reuniões e sempre com a participação dos moradores e lideranças indígenas. As atividades, sob a supervisão da coordenadora do projeto, a professora Juliani Piai, do Departamento de Engenharia Elétrica (CTU), contaram com a participação de três estudantes indígenas da UEL, além de pesquisadores kaingang moradores da aldeia.
Autobiografias indígenas
A programação ganha fôlego a partir do dia 23, com a abertura oficial que vai contar com apresentações culturais de cânticos, rezos e danças tradicionais com o Grupo Vãre, da Associação dos Moradores da Aldeia Indígena Água Branca II, localizada em área urbana e considerada um ponto de memória e cultura kaingang. Ainda na programação, a Mostra de Autobiografias do Ciclo 2025, com os vídeos dos ingressantes indígenas do ano anterior.
Sarah Meirelles Félix, coordenadora da CUIA e professora do Departamento de Saúde Pública (CCS), explica que nos vídeos elaborados pelos alunos eles compartilham suas histórias de vida, origens e trajetórias até a universidade. “Esses vídeos são editados e apresentados no primeiro dia do evento. Neste ano, serão lançadas cinco autobiografias”, comenta.
De acordo com a professora, embora não se configure como um evento científico nos moldes tradicionais dos eventos universitários, como congressos e encontros acadêmicos, o Abril Indígena na UEL possui as suas próprias particularidades. “Sua proposta não se restringe à apresentação de resultados de pesquisas ou à divulgação da ciência em seu sentido mais estrito embora contemple momentos de conhecimento científico, com palestras e a participação de convidados externos e até internacionais.”, revela.
Programação das Atividades
O objetivo principal, continua a coordenadora da CUIA, é “afirmar a presença indígena na universidade, demarcando-a como um território indígena e, simultaneamente, evidenciando a necessidade de que a instituição se prepare para acolher a diversidade dos povos que a compõem”. O evento acaba transcendendo o ambiente acadêmico, com atividades internas e externas. “Rodas de Conversa com a participação dos familiares dos estudantes são aspectos igualmente relevantes, com a presença de famílias e crianças indígenas, especialmente na cerimônia de abertura que é uma grande celebração cultural”, pontua Félix.
No dia 27, na Sala de Eventos do CLCH, acontecem atividades da pós-graduação com a participação de indígenas da América Latina e uma Mostra de Produção dos estudantes de Artes. No dia seguinte (28), uma Oficina de Grafismos na FUNAI com estudantes kaingang e guarani da UEL com a participação de jovens Xetá de São Jerônimo da Serra. Além das atividades no Campus, o Abril Indígena da UEL se estende ao circulasons, festival que acontece de 1 a 10 de maio, idealizado pela musicista, pesquisadora e produtora cultural Janete El Haouli e que este ano, traz como tema os saberes indígenas e suas interligações com as artes.
*Assessora Especial na Coordenadoria de Comunicação Social
Foto: Acervo FUNAI





