Projeto elabora ferramenta de gestão para empreendimentos de interesse social

Projeto elabora ferramenta de gestão para empreendimentos de interesse social

Ricardo Codinhoto ministrou atividades formativas na UEL em julho, além de entrar em contato com gestores do planejamento urbano municipal.

Reflexo da disparidade de renda entre as diferentes camadas da população brasileira, o déficit habitacional estimado em 5,8 milhões de moradias, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, é um grande gargalo que precisa encontrar soluções capazes de prover um maior “senso de comunidade” à população. Quem defende a tese é o arquiteto formado pela UEL e professor do Departamento de Arquitetura e Engenharia Civil da Universidade de Bath (Inglaterra), Ricardo Codinhoto. Responsável por ministrar uma série de atividades formativas na UEL em julho, Codinhoto também esteve em contato com gestores de órgãos ligados ao planejamento urbano de Londrina em uma oficina cujo objetivo foi elaborar as características de uma ferramenta de gestão de empreendimentos.

“Estamos retirando pessoas em condições de habitação informal e passando para a habitação formal. Então você imagina, há uma mãe solteira que trabalha três jornadas e deixa o filho com o vizinho. Isso é comunidade. Quando se retira essa pessoa e se coloca em uma casa nova, apesar de a casa ser melhor, ela perde o apoio que tinha e viver se torna inviável. Então, não vamos focar tanto na casa, mas sim no empreendimento, principalmente na parte de loteamento”, explica.

Além de docentes do departamento, estudantes de pós-graduação e demais membros da comunidade interna da universidade, participaram do workshop gestores da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), diretoria de Loteamento da Prefeitura de Londrina e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).

Professor Ricardo Codinhoto. O arquiteto esteve em contato com gestores do planejamento urbano municipal para pensar em ferramentas de ação empreendedoras (Divulgação)

Modelo de interesse social

Como resultados do trabalho em conjunto, Codinhoto destaca que o grupo focal conseguiu desenvolver um modelo que aponta para os interesses sociais, porém sem deixar de ser prático, eficiente e capaz de ser implementado pelo setor público com base nas tratativas com as agências de fomento. “Tivemos quatro atividades e chegamos às características que temos que prestar atenção e inserir no processo de projeto que se tem hoje. Porque também não adianta propor uma ferramenta de gestão que é fantástica no papel e chega na hora de implementar e não funciona”, pondera.

Morando há 17 anos na Inglaterra, o professor costuma ser solicitado para eventos técnicos e entrevistas. No ano passado, abordou o pioneirismo da Inglaterra no processo de digitalização da construção civil em um evento promovido pelo BIM Fórum Brasil, uma vez que o país europeu deu início a esta transformação ainda em 2008, com a elaboração de um relatório sobre as fragilidades do setor. Já a obrigatoriedade de adoção do BIM na elaboração dos projetos das obras públicas veio somente em 2011 e efetivada em 2016, com a promulgação de um conjunto de leis e padrões técnicos. O Brasil seguiu o mesmo caminho com a publicação de dois decretos presidenciais, em 2018. Porém, ainda hoje em dia, há uma resistência de parte da categoria de profissionais e docentes em utilizarem a ferramenta.

Ex-morador de um empreendimento da moradia popular, Codinhoto é ex-aluno da Rede Estadual de Educação do Estado de São Paulo. Após ter concluído a graduação na UEL, ingressou no programa de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) até tornar-se doutor pela Universidade de Salford (Inglaterra) e docente na Universidade de Bath, considerada uma das três melhores do Reino Unido no ensino da Arquitetura e Engenharia Civil.

Ciclo de atividades formativas

Ricardo Codinhoto passou a maior parte do mês de julho nas salas e corredores do CTU da UEL para a realização de um cronograma de atividades formativas. Professor visitante do programa de Pós-Graduação do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, é professor da disciplina de Instrumentalização da Tese desde 2018, início do Doutorado em Arquitetura e Urbanismo na UEL. “Da mesma forma que eu sou professor visitante aqui, eu faço trabalhos na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e as dificuldades são as mesmas. Precisa-se avançar muito na área de Metodologia de Pesquisa, entender o que é evidência porque é o que fomenta argumentos”, avalia.

Além de realizar o workshop e orientar ao menos dois alunos de Doutorado da UEL, Codinhoto ministrou na última semana uma palestra para estudantes de pós-graduação sobre outra importante experiência das escolas de arquitetura britânicas: a utilização da Pedagogia do Ateliê como metodologia de produção de, no mínimo, 50% dos projetos exigidos ao longo dos cursos de graduação. “Na Inglaterra, o órgão equivalente ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) exige que 50% do curso seja entregue dentro de um ateliê, onde os alunos vão praticar. Se o objetivo é ensinar a praticar Arquitetura, é no ateliê que praticamos, não em uma sala de aula olhando o professor. É você projetando e discutindo com os colegas e professores.”

A programação de atividades em Londrina também incluiu um encontro com servidores e demais profissionais que atuam com projetos e na manutenção da infraestrutura de hospitais. Neste evento, Codinhoto abordou tópicos importantes no contexto de digitalização de projetos, com a maior presença de técnicas que utilizam Inteligência Artificial e o aprendizado das máquinas, além da utilização de BIM. “É importante mostrar o que tem lá no horizonte, coisas que estão sendo feitas que geram maior eficiência na gestão. Porque em órgãos públicos não adianta só construir, você vai ficar com toda a manutenção da edificação. Acho que estas palestras de quarta e quinta-feira vão tocar nesses temas”, comenta a professora sênior do Departamento de Arquitetura, Ercília Hirota.

Hirota também lembra que a vinda do ex-aluno para a UEL contou com o financiamento do Fundo Newton e da Fundação Araucária, possível graças ao Programa de Cooperação Internacional STEM (sigla para Science, Technology, Engineering and Mathematics) firmado entre o Conselho Britânico e o Ministério da Educação e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). No entanto, ressalta que o Brasil atravessa período de redução do investimento público para o setor, de modo que os recursos só foram utilizados no custeio das passagens aéreas. Desta forma, a contribuição pedagógica do docente em tantas atividades formativas é fruto de um sentimento de retribuição para a UEL.

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