Pesquisadora amplia estudos sobre arquitetos modernistas londrinenses

Pesquisadora amplia estudos sobre arquitetos modernistas londrinenses

Concluído o projeto que tinha como foco Léo de Judá Barbosa, a pesquisa está há pouco mais de um ano concentrada no “búlgaro-londrinense” Ivan Jekoff.

Desde seu Mestrado, defendido em 2001, a professora Teba Silva Yllana (Departamento de Arquitetura e Urbanismo) tem se aprofundado na trajetória de importantes arquitetos modernistas da História de Londrina. Concluído o projeto que tinha como foco Léo de Judá Barbosa, que aliás resultou num livro a ser lançado em poucos meses, a pesquisa está há pouco mais de um ano concentrada no “búlgaro-londrinense” Ivan Jekoff.

Ivan Jekoff nasceu em 1920, em Varna, cidade portuária às margens no Mar Negro, hoje
terceira maior da Bulgária. São mais de 300 mil habitantes e 26 séculos de História. Ele fez o curso de Engenheiro Arquiteto na Universidade Tecnológica de Viena (Áustria), a partir de 1941, ou seja, no auge da Segunda Guerra Mundial, no país de nascimento de Adolf Hitler.

Ivan Jekoff (Foto: Arquivo do projeto)

Viena foi bombardeada mais de 50 vezes durante o conflito, o que resultou em enorme destruição e perda de vidas. Os nazistas, particularmente, destruíram edifícios importantes em função de seu simbolismo. Este cenário deu a Ivan Jekoff uma perspectiva peculiar sobre a Arquitetura, porque Viena vivia em situação excepcional e precária, semidestruída, e sob ameaça constante. Nada era normal naquele período.

Já formado, ele ficou na capital austríaca até 1949, quando veio para o Brasil. Em 1950, chegou ao Rio de Janeiro, onde trabalhou por três anos. Não suportou o calor e, contratado por construtoras locais, veio para o Paraná, onde ficou até sua morte, em 2007. Só retornou à Bulgária duas vezes, apenas para curtas temporadas. Não constituiu família no Brasil e era bastante discreto sobre este assunto.

Apesar de não ter permanecido muitos anos na então capital federal, foi lá que seu estilo “se tropicalizou”, a partir das influências modernistas brasileiras. Ele trabalhou no escritório MMM Roberto, um dos mais importantes do Modernismo no país, que projetou – entre outros – o Aeroporto Santos Dumont, o edifício do Banco do Brasil e a sede da Associação Brasileira de Imprensa.

Ivan Jekoff não foi o único arquiteto europeu recepcionado pela empresa. Vários outros, fugindo da realidade pós-guerra, foram parar lá. E esta “tropicalização” da arquitetura
do búlgaro se traduziu, por exemplo, na introdução do aço nas edificações londrinenses,
resultando numa estrutura de concreto mais delicado e permitindo grandes panos de vidro, como no caso da sede da Mercedes Benz.

Uma das obras de Ivan Jekoff em Londrina, no início dos anos 60 (Foto: Arquivo do projeto)

No Paraná

Inicialmente, veio para Jacarezinho, no Norte Pioneiro. Lá, projetou o mausoléu de um padre, e reservatórios de água, a GEMARK, uma grande loja de móveis e eletrodomésticos, o salão de festas do Jacarezinho Clube, fundado em 1939 pelo Rotary Club, em 1965, já morando em Londrina, Ivan projetou a Companhia Telefônica de Jacarezinho, entre outros, imprimindo seu estilo com o uso de concreto esbelto (estruturas finas e alongadas) e brises (quebra-sol).

Em 1960, mudou-se para Londrina, onde desenvolveu muitos projetos, como o edifício
residencial Jabur, a concessionária Norpave, e o complexo de edificações do Instituto Brasileiro do Café. Todavia, talvez sua obra mais conhecida seja o edifício Alaska, na Rua Pio XII, 97, centro de Londrina, a cerca de 200 metros ao fundo da Catedral. Foi seu primeiro projeto na cidade, um projeto dentro dos cânones da arquitetura modernista e que foi cartão postal da cidade por várias décadas. A professora Teba lembra, por exemplo, que em 1960 ainda predominava em Londrina a arquitetura em madeira. De fato, Ivan Jekoff foi o primeiro arquiteto a se estabelecer em Londrina, segundo a pesquisadora.

O inovador Edifício Alaska, no centro de Londrina (Foto: Arquivo do projeto)

Foco na pessoa

A professora Teba diz que se interessa sobretudo sobre a pessoa sobre a qual pesquisa. Mas é claro que, como típica pesquisadora, extrapola seu foco, em grande parte por curiosidade. Para saber mais sobre Ivan Jekoff, por exemplo, ela acabou se aprofundando no estudo da arquitetura búlgara, assim como na faculdade da Universidade de Viena. Sem falar nos escritórios por onde o arquiteto búlgaro passou, etc. Tudo a partir de um acervo documental do qual ela dispõe no Laboratório de Documentação Arquitetônica e da Construção Civil Luiz César da Silva – LABDOC/UEL , que ela criou após a conclusão do Mestrado e coordena, reunindo vários estudantes de graduação (da Arquitetura e da Arquivologia) e fazendo eventuais parcerias com outros professores, como do curso de Ciência da Informação da UEL.

É por isso que ela já vislumbra novos estudos no horizonte, assim que concluir a pesquisa sobre Ivan Jekoff – o que ainda gerará apresentações em eventos científicos e publicações, como o livro dedicado a Léo de Judá. Para ajudar em tudo isso, ela já foi contemplada em editais com recursos financeiros.

A professora Teba já vislumbra novos estudos no horizonte, assim que concluir a pesquisa sobre Ivan Jekoff (Foto: André Ridão)

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