CTU ganha equipamentos de impressão 3D para construir casas sociais
CTU ganha equipamentos de impressão 3D para construir casas sociais
Projeto do CTU estuda materiais cimentícios desde 2018 para edificar moradias em tamanho real destinadas a famílias vulneráveis.A Universidade Estadual de Londrina (UEL) deverá receber, na segunda quinzena de setembro, os equipamentos para a construção de “moradias impressas” através de uma impressora 3D específica, com alta capacidade de extrusão (liberação) e empilhamento dos materiais cimentícios e que seriam capazes de construir casas populares de 38m².
Para a readequação do espaço que deve abrigar todo o material, o projeto recebeu R$ 290 mil que se soma aos R$ 1,2 milhão investido pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), com recursos do Fundo Paraná. A formalização da verba adicional, uma doação da empresa Pacaembu, aconteceu em maio, no Gabinete da Reitoria. A UEL pesquisa os novos materiais para construção desde 2018.

De acordo com a coordenadora do projeto, a professora Berenice Martins Toralles, do Departamento de Construção Civil (CTU), o projeto conta com a participação dos alunos de Iniciação Científica da Engenharia Civil e Elétrica, Arquitetura e Design. “Também participam alunos de mestrado e doutorado em Engenharia Civil e professores de dos departamentos de Engenharia Civil, Elétrica e Arquitetura”, informa.
Além da impressora, os recursos garantem a compra de uma impressora menor, voltada aos testes com novos materiais, bem como a aquisição de uma empilhadeira para conferir agilidade no trabalho. Também estão inseridos no projeto a instalação, garantia e treinamento presencial concedido pela empresa espanhola fabricante, assim como a compra de insumos e materiais específicos.
Impacto social
O projeto tem o potencial de promover um profundo impacto social, uma vez que visa projetar e desenvolver tecnologias que possam subsidiar a construção de residências voltadas à população que vive em situação de vulnerabilidade social.

Toralles explica que, pesquisas com os materiais cimentícios impressos vêm sendo realizadas no Departamento de Construção Civil (CTU) da UEL desde 2018. “Nasce com os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) que fizemos já visando passarmos para uma impressora mesmo. Nosso ponto foi estudar materiais que pudessem ser imprimíveis”, conta. “A impressão 3D pode ser usada para muitas coisas. Podemos fazer habitações de interesse social, moradias, mobiliário urbano. O nosso foco hoje seriam moradias para pessoas em condições de vulnerabilidade”, complementa a professora.
Por meio de uma parceria com a Unicesumar, de Maringá, o Departamento de Construção Civil da UEL já pôde desenvolver um protótipo de uma casa popular com sala de estar e dois quartos, restando o objetivo de desenvolver uma residência em tamanho real. Ela também lembra que a demanda da falta de uma impressora 3D específica para o avanço das pesquisas foi apresentada ao Governo do Paraná durante o Paraná Faz Ciência 2023, evento que reuniu pesquisadores das sete universidades estaduais, representantes de agências de fomento e entidades na UEL, entre os dias 7 e 10 de novembro de 2023.
Formação
Em paralelo ao almejado impacto no déficit habitacional em Londrina, no Paraná e fortemente em localidades atingidas por catástrofes, como o Rio Grande do Sul, o avanço do projeto deverá colaborar na formação de recursos humanos. Atualmente, nove estudantes do Departamento de Construção Civil e do Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil (PPGECiv) da UEL estão envolvidos em pesquisas com materiais cimentícios impressos. Dentre estes estudantes, três são de doutorado, três são de mestrado e três são graduandos em Engenharia Civil bolsistas de Iniciação Científica (IC). Dentre os objetivos próximos, está o desenvolvimento de novos materiais junto ao Departamento de Microbiologia (CCB), adianta a professora.




