Do cubo mágico às guitarras

Do cubo mágico às guitarras

Projetos de ensino e extensão atuam de maneira muito próxima, disseminando Ciência e atraindo a comunidade externa.

Não é sempre, mas às vezes um projeto de ensino e um de extensão combinam tão bem que parecem um só. É o caso dos dois projetos coordenados pelo professor Ernesto Fernando Ferreyra Ramirez (Departamento de Engenharia Elétrica): GEEA UEL – Grupo de Estudos em Engenharia de Áudio da Universidade Estadual de Londrina (Ensino) e Sarau CTU I – Organização de atividades culturais no Centro deTecnologia e Urbanismo da UEL (Extensão).

Embora o GEEA tenha iniciado há um ano e o Sarau há dois, tendo realizado nove encontros e o décimo será nesta quarta-feira (1º de julho), o Grupo de Estudos vem de um projeto anterior, o Curta Circuitos, desenvolvido em duas fases. Tudo começou com a decisão do professor Ernesto de sistematizar e disponibilizar conteúdos de aula e estudos no You Tube e ter experimentado a gameficação em sala, usando jogos de RPG. Isso no primeiro Curta Circuitos. O segundo investiu em Música e, somando com a disciplina de Engenharia de Áudio que ministra no curso de Engenharia Elétrica, chegou ao GEEA.

O Grupo de Estudos realiza a tarefa de “visualizar” ondas sonoras, ou seja, estuda tais ondas em aparelhos que transformam sons em gráficos e imagens. A partir daí, podem analisar como componentes elétricos, que podem formar circuitos, alteram os sons. Isso envolve vibrações e processamento de sinais elétricos que, por exemplo, afetam a modulação dos sons. Isso vale tanto para instrumentos, como guitarras e baixos, quanto para a voz. E é a Ciência por trás de muitas composições e arranjos de artistas famosos, como Bon Jovi e Pink Floyd.

Embora haja reuniões semanais para estudos de textos teóricos, o GEEA não fica aí, mas confecciona produtos de uso prático para músicos, como cabos e até um pedal feito de material reciclado: latas de sardinha. Não se trata apenas de produzir os itens, mas testá-los, verificar qualidade, marcas, aprender manutenção e o melhor uso de cada, a partir da Ciência. Este conhecimento já foi disseminado, em escolas do Ensino Fundamental de Londrina e Ibiporã, e entre músicos amadores e profissionais.

O professor Ernesto se considera um daqueles privilegiados que conseguiram unir a profissão com o que gosta, Ciência e Arte. “Sempre gostei de música. Sou um engenheiro guitarreiro”, declara.

O professor Ernesto (ao centro) e parte dos alunos de Arquitetura, Engenharia Elétrica e Engenharia Civil que participam ou participaram dos projetos (Foto: Maycon Rocha/COM)

Sarau CTU

E foi em parte por isso que ele chegou ao Sarau CTU. O professor conta que lá na infância, no Ceará, presenciou certa vez uma idosa, aparentemente apática, começar a se mexer e acompanhar um animado forró. Foi daí que veio a ideia, já na UEL, de levar música para um lar de idosos. Mas fez muito mais: para estimulá-los, promoveu um bingo com aquarelas como prêmios, oficinas de origami e crochê, entre outras atividades, tudo com muita música.

Instagram Sarau CTU

A iniciativa foi expandida e o que começou com idosos foi replicado no CTU. Em suas nove edições, ocupando salas do Centro de Estudo, estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Engenharia Elétrica da UEL já promoveram diversas oficinas ao mesmo tempo para 10 a 12 pessoas – todas as já citadas e outras, como xadrez e cubo mágico. Na avaliação do professor Ernesto, são atividades que estimulam o movimento físico, a memória, socialização, habilidades manuais e cognitivas, além de ser divertido. Ah, sim: sempre com música.

Sob outro ângulo, os saraus – abertos a todos os interessados – têm servido ainda de “berçário” de outros projetos ou ações que nasceram dele, assim desmistificam um pouco o hermetismo científico e aproximam a Universidade da comunidade. Outros exemplos são as apostilas criadas para ensinar origamis e o cubo mágico.

Nestes anos de projeto, participaram dos projetos mais de 200 estudantes, dos cursos mencionados e também de Música. A primeira turma foi de 43 alunos, mas a segunda reuniu 140. Na edição atual, o professor Ernesto abriu 60 vagas. Está com 70 e sabe que mais vão ingressar, porque ele não quer deixar nenhum interessado de fora. Participam ainda um aluno de pós-graduação, cinco agentes universitários, três docentes consultores (Arquitetura, Psicologia e Design Gráfico) e oito docentes colaboradores (Arquitetura, Engenharia Elétrica e Civil).

Além de todo o trabalho de extensão, que inclui palestras em escolas, os projetos já renderam dois Trabalhos de Conclusão de Curso de Engenharia Elétrica e apresentações em eventos científicos, De fato, o professor conta que chega a bancar parte das despesas do próprio bolso, para garantir que o aluno vá ao evento.

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