Livro: “diálogos” entre Literatura e Filosofia a partir de obras de Kafka

Livro: “diálogos” entre Literatura e Filosofia a partir de obras de Kafka

Obra de autoria de Maurício Arruda está entre os lançamentos mais recentes da Editora da UEL (EDUEL)

José de Arimathéia

Agência UEL


O escritor Franz Kafka nasceu em 1883 no Império Austro-Húngaro, onde hoje fica a República Checa. Isso foi 23 anos depois da morte do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Apesar de não terem vivido na mesma época, é possível perceber um “diálogo” entre a obra dos dois, materializado nos textos do escritor.

É isso que o dramaturgo, tradutor, poeta, músico e diretor teatral Maurício Arruda Mendonça demonstra na obra “Kafka e Schopenhauer: Zonas de Vizinhança”, publicada e lançada recentemente pela Editora da UEL (EDUEL). O livro faz parte de uma trajetória de pesquisa de Mendonça, que já abordou tais “diálogos” em seu Doutorado em Literatura pela UEL. Ele também é graduado em Direito pela Universidade.

Capa da obra (Divulgação)

Mendonça explica que Schopenhauer era um filósofo muito lido por artistas no século XIX, graças à sua ideia de “vontade”, uma força que permeia toda a realidade e todos os seres. Porém, é uma visão pessimista, porque esta vontade impele o ser humano a saciar, por exemplo, apetites sexuais, tendo como fundo a ideia da reprodução da espécie. Em suas obras, Schopenhauer defende que a Música é, dentre todas, a arte que mais se aproxima desta ideia de vontade, de paixão humana. Mais tarde, Sigmund Freud (pai da Psicanálise) descreveu esta “vontade” como “pulsão”, ou seja, uma força interna que direciona o comportamento individual.

Para o filósofo, o homem é uma fera dominada pela vontade, o que acaba levando a um estado de sofrimento em razão de frustrações e mesmo tédio, após a vontade ter sido satisfeita. Além disso, o ser humano tende a guardar na memória experiências ruins. E tem ainda a ilusão de individualidade mas, para Schopenhauer, ele age como espécie (como na vontade de reprodução).

Por seu lado, Kafka – que era de uma família abastada e falava alemão – escreveu sobre personagens, relações e realidades classificados como “absurdos”, uma tendência encontrada em outros escritores também, como o russo Fiodor Dostoiévski, o que se conhece como “zeitgeist”, ou “o espírito da época”. Tais absurdos aparecem em forma de violência, conflitos, ilegalidades, burocracia, misticismo, que conduzem a uma falta de sentido na administração pública e na Justiça, e que por isso causam uma grande perplexidade no leitor. Na verdade são questões atemporais, lembra Mauricio.

O livro é o resultado de uma análise literária que traz comentários filosóficos de quatro obras de Kafka: “O Castelo”, “Os aforismos de Zurau”, “Na Colônia Penal” e “O Caçador Graco”. Mauricio lembra que grande parte do pensamento de Kafka teria se perdido se não fosse o escritor e amigo Max Brod, biógrafo de Kafka que organizou e publicou obras postumamente.

EDUEL – Para o diretor da Editora da UEL, professor Luiz Carlos Migliozzi Ferreira de Mello (Letras Vernáculas e Clássicas), este é apenas um dos livros publicados pela EDUEL e que estão sendo lançados. Muitos lançamentos, segundo ele, foram cancelados ou adiados pela pandemia, mas existe uma série de obras prontas para o público. Obras importantes do pensamento humano, como “As noites de Médan” (1880), do escritor francês Émile Zola, considerada como o nascimento do Realismo. Migliozzi informa que, este ano, a editora vai investir na divulgação e realização de eventos pelas mídias sociais, para alcançar o público geral.

           

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