46º Festival Internacional de Música de Londrina transforma a região em palco de inclusão com grandes espetáculos
46º Festival Internacional de Música de Londrina transforma a região em palco de inclusão com grandes espetáculos
Com mais de 800 inscritos em suas atividades formativas, o evento conecta cidadania e arte por meio de intensa programaçãoCom quase meio século de uma história intimamente entrelaçada ao desenvolvimento cultural do país, o Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) afina os instrumentos para a sua quadragésima sexta edição, com o compromisso inegociável de promoção da música como motor de transformação social.
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (8), na AML Cultural, a diretora pedagógica e geral do evento, Magali Kleber juntamente com o diretor artístico Eduardo Assad Sahão, apresentou as linhas que guiam a edição 2026 do evento, com uma robusta programação de cursos, oficinas e residências artísticas intercaladas por apresentações em diversos palcos locais e de cidades da Região Metropolitana. Um ecossistema complexo fundamentado em três eixos indissociáveis — o pedagógico, o artístico e o científico —, desenhados para reverberar por todo o território.
A edição desse ano começa com raízes institucionais profundas através de parcerias estratégicas sólidas, incluindo o do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), leis de incentivo e o retorno da Universidade Estadual de Londrina (UEL) como entidade promotora ativa. O Perobal, Rádio UEL e TV UEL estão comprometidos com a cobertura do evento que vai até o dia 19 de julho.

Tudo começa na próxima sexta-feira (10), com a Abertura Solene no Cine Teatro Ouro Verde, às 20h com a presença da Banda Mantiqueira, renomada big band instrumental brasileira, fundada em 1991 pelo saxofonista e clarinetista Nailor Proveta seguidos pelo show “Esgotada”, da cantora Tiê, no sábado, às 20h30 no mesmo local. A programação completa do 46º FIML está disponível no site do evento.
A partir de segunda (13), o Festival entra no ritmo allegro e vivace, com o início das aulas do Colégio de Aplicação, nos dois períodos e uma intensa programação de shows noite adentro. Já são mais de 800 inscritos para as diversas atividades pedagógicas, número que deve crescer com a prorrogação das inscrições até a próxima sexta-feira (10).
O DNA pedagógico e social
A frente pedagógica do FIML é o coração do projeto. No entanto, o evento não se limita ao ensino técnico tradicional de instrumentos: a formação proposta pelo festival assume um forte compromisso com a cidadania e a inclusão social. “É uma formação que mexe com o eixo da cidadania. Não é só dar aula, é muito mais. Nós estabelecemos elos e redes com projetos sociais de música por todo o país”, destaca Magali Kleber.
Serão 47 cursos ministrados por 42 professores brasileiros e estrangeiros, oficinas, residências artístico-pedagógicas e dezenas de apresentações nos Palcos Pedagógicos, distribuídos por diferentes espaços de Londrina e da região.

A amplitude do público atendido espelha a visão inclusiva, abraçando participantes na faixa etária dos 8 aos 80 anos ou mais. O corpo docente é selecionado rigorosamente com base nessa premissa: os professores que chegam a Londrina abraçam a missão humana de acolher desde a criança iniciante até o idoso diletante. O intercâmbio ganha contornos internacionais expressivos com a vinda de maestros como a uruguaia Cláudia Riello, a maestrina colombiana Yuli Gaitan, o italiano Massimiliano Carraro, velho conhecido do evento e a GTiYO (Greater Toledo International Youth Orchestra), orquestra juvenil de Toledo, nos Estados Unidos, sob a regência do maestro chinês Yang Kun Song.
O ápice dessa “tecnologia social”, como define a diretora do FIML, se traduz na Orquestra Brasileira de Projetos Sociais, que fecha a programação na noite de domingo, 19 de julho. Para esta edição, o festival viabilizou a vinda de 59 bolsistas de estados como a Paraíba, Bahia, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo que participação do Concerto de Encerramento no palco do Cine Teatro Ouro Verde.
A eficácia transformadora desse ecossistema pedagógico ganha contornos práticos na figura do próprio diretor artístico do Festival, o multi-instrumentista Eduardo Assad Sahão. Ex-aluno do festival, ele simboliza o ciclo de renovação e a passagem de bastão institucional a uma nova geração de gestores.
Pluralidade estética e diversidade
Ao longo da semana, a música ocupará ativamente praças públicas, bares, restaurantes, além de salas de espetáculo descentralizadas. Sahão explica que a curadoria dos espetáculos foi estruturada sob o signo da pluralidade estética e da diversidade cultural brasileira, com forte foco no fomento à gratuidade para assegurar o acesso à população.

O ecletismo é a marca registrada desta edição. O público poderá assistir, no mesmo festival, a concertos de altíssimo nível como o da Orquestra Sinfônica do Paraná e de Mônica Salmaso, acompanhada pelo pianista André Mehmari, interpretando Milton Nascimento. O Festival também celebra de forma especial o centenário de Moacir Santos, arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro, abrindo espaço ainda para coros, ópera, big bands, harmonia contemporânea, bandas de garagem, regência, música erudita e popular; tudo para todas as idades e ouvidos.
Para além dos grandes nomes de fora, o FIML faz questão de valorizar a produção regional por meio do circuito “Pé Vermelho”, uma homenagem e uma vitrine essencial para músicos locais. Juntando os cursos tradicionais, as residências artísticas avançadas (como a de Jazz) e as apresentações noturnas, o festival funciona como um verdadeiro “Big Bang” de criatividade efervescente na Cidade que escolhe investir na cultura como um dever social e um direito fundamental de cada cidadão. “A música é uma manifestação cultural e um veículo de transformação social. É a arte da esperança”, finaliza Sahão.
*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL




