Jovens laureadas em cursos de Exatas do CCE investem na carreira acadêmica

Jovens laureadas em cursos de Exatas do CCE investem na carreira acadêmica

Aos 22 anos, Beatriz Signori Lonardoni e Giovanna Pimenta Barbarino vão cursar Mestrado na UEL.

Willian C. Fusaro

Agência UEL


A área de Exatas são tradicionalmente um território de “meninos”. Ou pelo menos é isso o que jovens garotas vivenciam durante o percurso escolar. A trajetória acadêmica de Beatriz Signori Lonardoni e Giovanna Pimenta Barbarino, ambas com 22 anos, duas jovens pesquisadoras recém-formadas formadas com láurea acadêmica pela UEL, atesta as disparidades entre homens e mulheres na atividade do pesquisador e do professor nas áreas de Matemática e Física. 

A láurea acadêmica é uma honraria concedida pela Universidade em reconhecimento ao desempenho acadêmico do aluno durante a graduação.

Beatriz e Giovanna entraram no ensino superior em 2017 nos cursos de Física e Matemática, respectivamente, com este cenário e, com muito entusiasmo pela pesquisa, conseguiram o reconhecimento com as melhores médias de suas turmas. “Eu sabia que não seria fácil, mas, ao entrar, tive certeza”, afirmou Beatriz. A jovem, moradora de Rolândia, iniciou o Curso de Matemática em uma turma majoritariamente formada por garotos. “Na licenciatura, ainda há mais mulheres, mas no bacharelado a relação é inversa. Entre o corpo docente também não há muitas mulheres. Isso já me chamou a atenção logo de cara”, afirma.

Beatriz foi laureada por apresentar a média 9,278 no Bacharel em Matemática. No futuro, a estudante, que está concluindo a Licenciatura, pretende seguir na área acadêmica. Recentemente, ela foi aprovada no Mestrado em Matemática Aplicada e Computacional, no Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada e Computacional (PGMAC), ofertado pelo CCE. “Tenho interesse pela área de matemática pura”, conclui a estudante.

Beatriz Signori Lonardoni cursou Matemática, curso do Centro de Ciências Exatas (CCE) (FOTO: Arquivo/Pessoal).

O caminho da pesquisa surgiu como uma oportunidade para mergulhar nos estudos de matemática pura. “Comecei uma Iniciação Científica em ‘Viscoelasticidade em Sistemas de Vigas’, com o professor Márcio Antônio Jorge da Silva. Depois, fiz mais uma IC com ele. Sempre tive todo o apoio dos professores e as iniciações científicas sempre contribuíram para os estudos regulares”, ressalta a estudante.

Disciplina nos estudos remotos

Já durante a graduação, a estudante conta que teve de se readaptar na rotina de estudos quando o ensino remoto recomeçou. “No curso de matemática, temos muitas disciplinas teóricas, então a parte de laboratório não foi tão prejudicada. Mas, teve toda a dificuldade de lidar com os estudos em casa, de criar uma rotina diferente”, afirma. 

Nesse sentido, a estudante avalia que, para as mulheres, a rotina do ensino remoto acabou se “chocando” com os afazeres domésticos. “A dupla jornada acabou se intensificando e, como a mulher já tem essas incumbências sociais, a pressão dificulta estudar”, considera.

Recém-formada em Física, Giovanna Pimenta Barbarino sempre demonstrou interesse em projetos de pesquisa da Universidade (FOTO: Arquivo pessoal).

Pesquisa em Física

Logo que entrou no Curso de Física, Giovanna Pimenta Barbarino colocou na rotina de estudos o básico de matemática para não “rodar” logo no início em uma área da qual “morria de medo”: cálculo. “Fiz um programa de estudos de matemática básica e também mudei meu jeito de estudar, afinal, não é só contando o número de horas na frente do computador que temos noção se estamos estudando direito ou não. Isso tudo me ajudou muito nos dois primeiros anos”, afirma a estudante, laureada com média 9,440 no Bacharelado em Física.

Giovanna formou-se com outros sete estudantes na turma de Física, entre os quais outros cinco estudantes de uma turma remanescente. “Eu era a única mulher de todo o grupo. Na graduação, também tive poucas professoras e colegas, sendo que uma amiga em especial me ajudou muito em todos os momentos. No início, achava que a falta de representatividade não seria muito impactante, mas com o passar do tempo foi interferindo bastante”.

O interesse por projetos de ensino e pesquisa também atingiu a jovem pesquisadora. Ainda nos primeiros anos, buscou um projeto de pesquisa e ensino na área de física teórica Lógica. “Eu indico a todos os calouros que comecem Iniciação Científica o quanto antes. Contribui muito para a formação e prepara para as outras disciplinas que vêm depois”, orienta a estudante.

Giovanna pretende seguir a vida acadêmica. Recentemente, foi aprovada no Programa de Pós-graduação – Mestrado em Física, como estudante bolsista e com um projeto na área de Simetrias Generalizadas, um ramo da recente teoria quântica dos campos. Ao ver a lista de aprovados, uma nem tão nova surpresa: é, novamente, a única mulher da sala. “Recomeço a minha saga novamente”, comenta, aos risos.

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