UEL inova com curso internacional sobre inteligência artificial e setor público

UEL inova com curso internacional sobre inteligência artificial e setor público

Universidade foi a primeira no Brasil a participar de aliança com a UNESCO para capacitação de responsabilidade e competência no uso de IA.

Entre os mais de 100 países participantes e mais de 50 organizações, a UEL se tornou a primeira universidade brasileira a participar da SPARK Alliance, criada pela UNESCO para auxiliar servidores públicos na utilização de ferramentas de IA com abordagens inclusivas e baseadas em direitos humanos com o curso on-line e gratuito “IA e Transformação Digital no Governo”. 

A aliança tem como objetivo, ainda, auxiliar servidores em cargos de liderança dos mais variados setores, incluindo educação, no desenvolvimento de políticas públicas em acordo com parâmetros internacionais de governança. No Brasil, os únicos outros dois parceiros oficiais presentes na Spark Alliance são a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), e o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br). 

A participação da UEL foi possível por meio de uma articulação que começou na Pró-Reitoria de Extensão (Proex), teve grande apoio da Assessoria de Relações Internacionais (ARI) e conta com a execução técnica do NEAD/UEL. 

Pesquisadora da área de Humanidades Digitais e representante da UEL na SPARK, a professora Maria Renata da Cruz Duran, do Departamento de História da UEL, afirma que “em um momento que a Universidade é levada a redesenhar sua extensão, incluindo a extensão universitária nos currículos dos cursos de graduação, essa parceria com a UNESCO demonstra todo o potencial dessa base do tripé universitário.” 

A pesquisadora da área de Humanidades Digitais e representante da UEL na SPARK, Maria Renata da Cruz Duran Foto: Arquivo pessoal.

Duran argumenta ainda que a introdução da extensão no mundo digital permite uma conversão da curricularização da extensão em mais uma forma de  internacionalização das universidades brasileiras. “É a extensão em uma comunidade global”, instiga a pesquisadora.

A participação da UEL na Spark Alliance superou a representação universitária uma vez que a pesquisadora foi nomeada mediadora do grupo de pesquisa “Futuro do Trabalho”, um dos ramos de inovação da Spark Alliance. O co-líder deste grupo de pesquisa é o Dr. Coffi Dieudonné Assouvi, Diretor Geral do Centro Africano de Formação e Pesquisa Administrativa para o Desenvolvimento na África/ CAFRAD. 

“Em um tempo de inovações rápidas e transformação digital como o atual, não faz mais sentido questionar o uso ou não de Inteligência Artificial, mas sim questionar como ela será utilizada, ou seja, compreender como manipular essa ferramenta de forma competente e ética é essencial”, declara a pesquisadora.

A suplente da professora Maria Renata da Cruz Duran nessa atividade é outra professora do Departamento de História, Ana Heloisa Molina. Questionada sobre o papel da História dentro de um tema tão novo, a pesquisadora destaca que a qualidade de qualquer Inteligência Artificial advém do nível da base de dados de que a IA se serve para pensar. Segundo Duran, “a História é uma das áreas que tem mais intimidade com o modo como as bases de dados são construídas ao longo do tempo e, assim, uma posição privilegiada para analisar as tendências algorítmicas que, às vezes, assolam a rede”.

Inscrições gratuitas e contínuas

Duran explica que um curso de micro-creditação é, na maior parte dos casos, um curso autoinstrucional com um conteúdo pontual e uma quantidade pequena de horas de dedicação. “Ele tem materiais multimídia (áudio, vídeo e texto), incluindo uma avaliação automática ou por módulo ou final, em que o estudante comprove seus novos conhecimentos”, afirma.

Ela reforça que as inscrições podem acontecer a qualquer momento e a realização do curso, no tempo decidido pelo próprio inscrito. “As pessoas podem demorar quatro meses ou só um dia, por exemplo, para realizarem o curso. Você faz na sua velocidade. O material é riquíssimo, então, o interessado também pode cumprir o mínimo de horas, que são 12, ou passar bastante tempo estudando. Em inglês, eu ainda estou no quinto módulo e já gastei umas 60 horas aprendendo ali. O formato é bem flexível”, diz.

A iniciativa “IA e Transformação Digital no Governo” busca incentivar a formação de servidores públicos no uso Ético de Inteligência Artificial, criado por meio de uma aliança de instituições de ensino espalhadas por países ao redor do mundo.

A inscrição está aberta continuamente até mesmo para aqueles que não atuam na área pública ou que possuem formação técnica na área, e pode ser feita gratuitamente no site da UNESCO em inglês, francês ou espanhol, com uma versão em português planejada para ser lançada em Maio ou Junho de 2026. “Nós também estamos participando do trabalho de tradução para o português”, lembra a professora, indicando a estudante de História Isabela Ribeiro, como uma parceira nessa frente de trabalho.

curso consiste em 12 horas de estudo com materiais multimídia sobre estudos de caso em exemplos de aplicação da Inteligência Artificial pelo mundo, que podem ser realizadas assincronamente, com avaliações automáticas e oferece certificação com a aprovação da Universidade de Oxford, da Saïd Business School e da UNESCO.

Entre os módulos ofertados pelo curso, que podem ser realizados de acordo com o interesse do estudante, estão IA e Direitos Humanos, Ética, Governança de Dados, Design de Serviços Inclusivos, Liderança e experiência prática com ferramentas de IA generativa.

Certificação internacional

O curso oferece certificação SPARK Alliance, com o nome da Universidade de Oxford e também da UNESCO. O público alvo são os servidores públicos, mas qualquer um pode se matricular, especialmente aqueles que tiverem interesse em atuar no setor público. O conteúdo é ministrado por especialistas do mundo inteiro, com vídeos e atividades interativas.

“Como foi desenvolvido pela Escola de Governo, que também é uma Escola de Negócios, vem com aquele formato de estudos de caso. Eu participei da elaboração dos estudos de caso. Eles foram realizados entre agosto e setembro de 2026, ou seja, o material é muito recente, com vários exemplos da aplicação e desenvolvimento de Inteligência Artificial no setor público do mundo inteiro”, complementa a professora.

*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.

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