Vencedor do Jabuti Acadêmico 2026 fala em palestra sobre arquitetura contemporânea

Vencedor do Jabuti Acadêmico 2026 fala em palestra sobre arquitetura contemporânea

O egresso e pesquisador, Renato Leão Rego, debate o impacto global e local das produções arquitetônicas das últimas décadas

O professor Renato Leão Rego realiza na próxima sexta-feira (25), às 19h, a palestra e roda de conversa “A Beleza da Arquitetura Contemporânea”, na Sala 201 do CCB, no Campus Universitário, da UEL. O evento é promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Arquitetura (NEPEA – CTU), com apoio do Centro Acadêmico (CACAU) e do Grupo de Pesquisa Contemporar.

Egresso da UEL, o pesquisador é autor do livro homônimo, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 na categoria Arquitetura, Urbanismo, Design e Planejamento Urbano e Regional. Atualmente, Leão Rego é professor titular da Universidade Estadual de Maringá (UEM), docente do Programa Associado de Pós-Graduação UEM/UEL (PPU) e coordenador do Escritório de Cooperação Internacional da UEM.

Arquitetura nacional e global

Publicado pela Rio Books, “A Beleza da Arquitetura Contemporânea” apresenta uma leitura sobre a produção arquitetônica das últimas décadas, reunindo exemplos de edifícios construídos em diferentes partes do mundo, em sua maioria no século XXI. Para o autor, compreender as ideias, os materiais e os processos que orientam os projetos permitem apreciar, de forma mais profunda, a arquitetura do nosso tempo. “Meu livro estabelece uma relação direta entre a arquitetura contemporânea produzida no Brasil e a desenvolvida internacionalmente. Esta abordagem é inovadora, visto que a historiografia frequentemente isola a produção brasileira, tratando-a como um caso excepcional. Minha proposta, é situar a arquitetura nacional em um patamar de igualdade com o cenário global”, explica Leão Rego.

A obra rompe com o distanciamento técnico tradicional da crítica arquitetônica ao convidar estudantes, amadores e leigos para o debate. Além disso, o conteúdo prático é enriquecido por registros e fotografias autorais capturados pelo próprio autor ao longo de dez anos de visitas a campo, humanizando a teoria e demonstrando que as decisões de projeto atendem às necessidades dinâmicas e diversas da sociedade contemporânea.

O professor Renato Leão Lobo: compreensão da arquitetura que se faz no presente (Foto: Arquivo pessoal)

Tabus sobre o pós-modernismo

Ao longo do livro, o pesquisador analisa a arquitetura contemporânea a partir das transformações impulsionadas por uma nova sensibilidade, reconhecida mundialmente a partir da década de 1960 e comumente identificada como pós-modernismo. “No contexto brasileiro, esse termo ainda é tratado como um tabu. A percepção local associa o pós-modernismo restritamente a um estilo norte-americano marcado pelo pastiche e pela ironia, quando, na verdade, esse movimento é muito mais abrangente”, comenta.

O pensamento que floresceu desde a década de 1960, continua o professor, é basilar para a arquitetura contemporânea, incorporando o respeito às tradições, a consciência ambiental e ecológica, a valorização de materiais e técnicas construtivas locais, bem como a reflexão sobre identidade cultural e pertencimento. “Tais temas, resgatados pelo debate arquitetônico da época, são fundamentais para a prática e a teoria atuais. A distinção recebida pelo Prêmio Jabuti conferiu visibilidade a essa abordagem, permitindo que ela seja integrada à compreensão da arquitetura que se faz no presente”. comenta.

Retorno às origens

Ao rememorar a sua trajetória na graduação na UEL, o pesquisador revela ter tido a oportunidade de participar de debates acerca das transformações nas correntes arquitetônicas vigentes à época. Posteriormente, a atuação no programa de pós-graduação associado entre as duas Universidades foi determinante ao proporcionar oportunidades de pesquisa e o desenvolvimento de projetos investigativos que viabilizaram a concepção e a redação da obra vencedora do Jabuti Acadêmico 2026. “Sou muito grato à UEL, UEM e aos órgãos de fomento estaduais e federais, cujo suporte foi fundamental para a realização das pesquisas que deram origem ao livro”, diz.

O maior desafio na condução da pesquisa que fundamenta o livro foi o acesso a edificações situadas em locais remotos. A complexidade logística de visitar fisicamente tais estruturas, que demandaram planejamento estratégico, articulação com os responsáveis pelos imóveis e trâmites formais de autorização, representou o obstáculo principal. Ainda assim, a experiência presencial permanece insubstituível. “A vivência direta do espaço é fundamental para a crítica arquitetônica, pois difere substancialmente da análise baseada apenas em projetos e registros fotográficos. Essa imersão in loco foi determinante para reconfigurar minha percepção sobre o trabalho de certos arquitetos e aprofundar minha compreensão sobre a essência e a materialidade de suas obras”, conta Leão Rego.

O livro provoca no próprio autor a vontade de seguir no estudo da arquitetura contemporânea em escala global. “Hoje, os arquitetos mantêm uma mobilidade profissional sem precedentes, o que permite um compartilhamento de ideias em uma velocidade notável e a disseminação de questões que perpassam todos os continentes. Essa abordagem internacionalizada é imprescindível para que possamos identificar e compreender as variações locais, as expressões singulares e as identidades culturais de cada contexto”, revela o pesquisador. Na sua opinião, tal perspectiva dual é fundamental para a interpretação do pensamento arquitetônico contemporâneo. “Embora os desafios ambientais, por exemplo, possuam natureza global, as soluções demandam respostas locais e particulares. Essa dinâmica é de grande riqueza e merece ser explorada com profundidade”, continua.

Reflexão para a sala de aula

Com uma linguagem simples, direta e objetiva, o texto do livro reflete a própria dinâmica das aulas do professor Leão Rego. “Nosso papel é proporcionar aos estudantes o acesso ao conhecimento, não apenas transmitir. É levar o estudante a questionar, a buscar a informação, a encontrar suas próprias respostas. O livro faz um pouco isto, ele leva à reflexão. É claro que agora toda essa minha bagagem volta para a sala de aula muito mais consolidada depois de passar por uma publicação como esta. Algo que certamente ela vai contribuir e enriquecer as minhas aulas a partir de agora”. analisa.

Para o palestrante, a formação acadêmica em arquitetura e urbanismo, tanto na graduação quanto na pós-graduação, deve contemplar, de maneira crescente, o desenvolvimento de competências globais. “Não formamos mais profissionais para atuar estritamente em âmbito local ou regional; formamos indivíduos preparados para compreender as dinâmicas mundiais e aptos a exercer sua profissão em qualquer contexto geográfico”, afirma. Essa perspectiva abrangente é defendida ao longo da obra e para Leão Rego, constitui o alicerce fundamental da sua própria prática docente.

*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL

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