Licenciamento de biofungicida microbiano assegura a continuidade de atividades de desenvolvimento tecnológico
Licenciamento de biofungicida microbiano assegura a continuidade de atividades de desenvolvimento tecnológico
Tecnologia foi desenvolvida integralmente pela equipe do LABIM/UEL. Multinacional pagará o valor de R$ 1 milhão para acesso ao produto.A Universidade Estadual de Londrina (UEL) firmou dois acordos com a FMC Corporation, multinacional com mais de 130 anos de história e referência no setor de ciência e produtos para a agricultura, voltados à transferência de uma solução inovadora e milionária: um biofungicida que controla doenças em plantas, com ênfase em ferrugem-asiática. A tecnologia foi desenvolvida integralmente pela equipe do Laboratório de Biotecnologia Microbiana (LABIM), e a empresa, que já possui cooperações em andamento com o Laboratório, pagará o valor de R$ 1 milhão para seu acesso.
O processo foi iniciado pela Agência de Inovação Tecnológica da UEL (AINTEC/UEL), com a disponibilização de oferta pública da tecnologia. Além do valor de acesso, a Universidade receberá royalties anualmente. A Reitora Marta Favaro assinou os documentos junto de representantes da empresa e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (FAUEL) nesta terça-feira (9).
A solução é baseada na bactéria Bacillus velezensis LABIM22 (CMRP 4490), teve seu desenvolvimento iniciado em 2016 no Laboratório e foi registrada como Patente Verde pela UEL junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o que atesta seu caráter sustentável e pioneiro, sendo ainda a primeira Patente Verde da Universidade. Seu foco principal é o combate à ferrugem-asiática da soja, doença mais severa da planta e um dos principais problemas para produtores no Brasil e no mundo. Admilton Gonçalves de Oliveira Júnior, professor e coordenador do LABIM, explicou que o biofungicida foi criado com o manejo dela em mente, porém, quando foi validado em campo, também apresentou controle para outras doenças fúngicas e de diferentes culturas.

“É uma solução biotecnológica inovadora que vem aí para incrementar o mercado com uma solução sustentável, que pode substituir fungicidas químicos, sintéticos, principalmente os multissítios, trazendo maior sustentabilidade na produção agrícola e maior cuidado, que é o nosso foco como laboratório, maior cuidado com o planeta, com os animais e com as pessoas”, elencou Gonçalves. O produto é embarcado com biomoléculas fungicidas nativas, que garantem uma ação imediata de controle logo após a aplicação.
Licenciamento e produção industrial
O primeiro contrato firmado na terça tratou do licenciamento exclusivo da tecnologia à FMC, prevendo a transferência do know-how envolvido na patente e o pagamento anual de royalties sobre o percentual de vendas líquidas globais de produtos que utilizam a cepa. Os recursos recebidos serão distribuídos conforme a Política de Propriedade Intelectual da UEL, beneficiando a instituição, o Fundo de Amparo ao Ensino, Pesquisa e Extensão, os departamentos envolvidos e os inventores.
O segundo compreendeu a assinatura do Segundo Termo Aditivo ao Acordo de Cooperação Técnico-Científica ajustado entre a UEL, a FAUEL e a empresa. O objeto é a continuidade do desenvolvimento industrial de produto a base de bactéria, como matéria-prima biológica, para a formulação do biofungicida. A parceria contempla atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas à validação, escalonamento produtivo e futura aplicação comercial da tecnologia.
Luis Demant, gerente de fungicidas da FMC para a América Latina, adiantou que a tecnologia entra agora em um processo de pré-marketing, também iniciando a escala de produção industrial com a implantação da planta-piloto. “Em breve, tendo a submissão e aprovação do Ministério da Agricultura, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), vamos tornar esse produto comercial. Então, avançamos de uma fase de pesquisa e desenvolvimento para uma etapa de regulamentação da ferramenta a nível nacional”. A atuação se concentra no mercado brasileiro em um primeiro momento, mas Demant almeja a expansão para a América Latina em um futuro próximo.
O Secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Bona, esteve presente durante a cerimônia e discursou sobre a importância da relação entre a UEL e o setor produtivo empresarial, destacando a importância da Universidade no papel do desenvolvimento econômico e fonte de produção científica e tecnológica, também salientando como as universidades estaduais impactam positivamente as regiões em que se encontram.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação




