Estudante integra equipe de jovens brasileiros selecionados para a Youth20 

Estudante integra equipe de jovens brasileiros selecionados para a Youth20 

Otávio Zucoli Zanardi é aluno do nono período de Direito. Ele e outros três brasileiros participarão do evento na Indonésia, na próxima semana.

Um estudante da UEL está de malas prontas para participar da próxima edição do Youth20 (Y20), evento voltado para representantes dos países que integram o G20 e cujo objetivo é a elaboração de estratégias e políticas públicas voltadas para a juventude. Aluno do nono período do curso de Direito, Otávio Zucoli Zanardi, de 22 anos, fará parte da comitiva de delegados que representará o Brasil no evento, entre os dias 17 e 24 de julho, na Indonésia, país-sede da 17ª reunião da cúpula do G20, em novembro.

Enquanto se preparava para a viagem, de cerca de 24 horas, o jovem conversou com O Perobal. De acordo com Zanardi, as reuniões entre os representantes dos 20 países estão bem adiantadas e o documento final com as sugestões também já foi redigido. Neste ano, os grupos de trabalho deverão desenvolver medidas focadas nos seguintes temas: Emprego para a Juventude, Transformação Digital, Desenvolvimento Sustentável e Diversidade e Inclusão.

“Minha área é Diversidade e Inclusão. Dentro desta área temos vários grupos de trabalho que debatem temas como Economia Criativa, Educação Inclusiva, Liderança e Engajamento Civil, Cultura e Interseccionalidade, Saúde, Saúde Mental e Bem-Estar, entre outros. Neste documento, estamos abordando uma série de sugestões, políticas públicas e iniciativas para serem apresentadas aos líderes do G20 em novembro”, explica.

Reunião entre estudantes que participarão do Youth20, na Indonésia.
Otávio integra reunião do grupo de trabalho sobre Diversidade e Inclusão da Youth20. Ao todo, 80 jovens participam do evento (Arquivo pessoal)

Temáticas

Conforme o documento, o grupo sugere o desenvolvimento de currículos escolares que incluam o ensino dos Direitos Fundamentais contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, além de estratégias educacionais focadas do desenvolvimento da habilidades interpessoais, acomodando e integrando estudantes da Educação Especial ao redor do mundo. “Basicamente, a elaboração de currículos escolares que possam garantir oportunidades para refugiados, imigrantes, povos indígenas, pessoas em situação de vulnerabilidade, para que possam ter uma maior representatividade e inclusão dentro das comunidades onde estão inseridos”, comenta o estudante.

Já a adoção da chamada Renda Básica Universal para determinadas categorias de profissionais e a reserva de fundos para o suporte de empreendedores e pequenos empresários cujas áreas de atuação são as primeiras a serem impactadas por fatores externos – como o surgimento de uma pandemia – são caminhos apontados dentro do tópico Economia Criativa. A adoção da semana de quatro dias úteis, medida que já vem sendo implementada de forma espontânea por algumas empresas, aparece na lista de sugestões para o futuro do trabalho.

Também integram a equipe de brasileiros a especialista em Transformação Digital, Karoline Muniz, 26, a estudante de Relações Internacionais, Nathália Namede, 22, e o Secretário Municipal de Juventude do Rio de Janeiro, Salvino Oliveira, 24. Os quatro brasileiros foram escolhidos através de um processo seletivo aberto e gratuito, coordenado pelo Instituto Global Attitude, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) sediada em São Paulo, que assessora organizações, governos e empresas na promoção da cooperação internacional.

Preparação

De acordo com Otávio Zucoli Zanardi, o processo seletivo teve início em fevereiro, com o envio do currículo e de uma carta de motivação. Já em uma entrevista, pôde contar um pouco sobre a sua experiência atuando em instituições e projetos voltados para a defesa dos Direitos Humanos ao longo da graduação. Neste período, desenvolveu habilidades voltadas à negociação cultural, escrita, análise jurídica e pesquisa em contextos de violação de direitos e vulnerabilidade social de grupos minoritários. “Desde o começo da minha graduação venho trabalhando com direitos humanos. Tive a oportunidade de fazer estágio na Anistia Internacional e no Centro de Direitos Humanos da Universidade de Pretória, na África do Sul. Lá, pude conhecer mais sobre o Sistema Internacional de Direitos Humanos”, conta.

Embora uma série de reuniões entre representantes das 20 maiores economias do mundo já tenha começado na Indonésia, o momento que deverá atrair maior atenção pública deverá ser o encontro marcado para o dia 15 de novembro. Entretanto, nem todos os países já confirmaram a presença de seus chefes de estado.

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