Estado investe em pesquisas sobre conservação da biodiversidade e mudanças climáticas

Estado investe em pesquisas sobre conservação da biodiversidade e mudanças climáticas

É o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Biodiversidade, que recebe investimento inicial de R$ 560 mil.

Com os objetivos de fomentar e integrar as ações de pesquisa, inovação e divulgação científica, associadas à biodiversidade no Paraná, o Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, lançou na última segunda-feira (13) o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Biodiversidade. Inicialmente serão investidos cerca de R$ 560 mil nos projetos.

O novo arranjo também busca integrar os principais grupos de pesquisa do Paraná que atuam em áreas relacionadas à biodiversidade e formar recursos humanos de qualidade. “O Napi Biodiversidade contribuirá para o desenvolvimento regional sustentável, para a geração de riquezas e para o bem-estar da sociedade por meio do aproveitamento do potencial biotecnológico do Paraná”, destacou Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária.

O representante da Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Luis Paulo Mascarenhas, lembrou que o Paraná se destaca pela preservação de áreas florestais – cerca de 6 milhões de hectares são preservados.

“Esta iniciativa vem ampliar os conhecimentos destas reservas, incentivar futuras parcerias e o desenvolvimento de novas técnicas de preservação”, disse. Ele afirma que isso garantirá que as áreas florestais sejam um grande acervo de conhecimento e biotecnologia, para que se possa preservar os biomas ativos para as próximas gerações.

Professor Halley Caixeta de Oliveira do Departamento de Biologia Animal e Vegetal – CCB da UEL – é o coordenador do NAPI.

Segundo o coordenador do novo Napi e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Halley Caixeta de Oliveira – Departamento de Biologia Animal e Vegetal, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), a iniciativa está alinhada a diversas políticas globais relacionadas à biodiversidade e ao combate às mudanças climáticas, como o Acordo Climático de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e as Metas de Aichi para a Biodiversidade.

“Desta forma, o projeto tem grande importância para o desenvolvimento sustentável, que é uma das condicionantes chaves para o investimento em ciência, tecnologia e inovação no Paraná”, comentou.

Conservação

O novo Napi é criado em um contexto de preocupação com a conservação da biodiversidade e as mudanças climáticas globais. Projeções indicam maior variabilidade de precipitação ao longo deste século com eventos de seca mais frequentes e intensos. Isso teria forte influência na biodiversidade florestal devido a impactos no funcionamento dos ecossistemas, na fisiologia vegetal e nas comunidades microbianas.

Esses eventos climáticos têm o potencial para afetar tanto a conservação dos remanescentes de vegetação nativa, quanto os processos de recuperação da vegetação (espontâneos ou resultantes de manejo).

“A área de biodiversidade talvez seja o maior ativo de posicionamento do País em termos de pesquisa e cadeias globais. Felizmente temos um importante capital intelectual nesta área aqui no Paraná”, ressaltou o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.

O plano de trabalho do Napi Biodiversidade pode ser conferido na página da Fundação Araucária em Programas/Abertos.

Origem do Projeto

A proposta para a criação do Napi Biodiversidade surgiu a partir da aprovação, em 2020, do projeto transnacional Restore pela Biodiversa – rede europeia de fundações nacionais e regionais de fomento a pesquisas voltadas à biodiversidade – liderado por pesquisadores do Paraná e com a colaboração de um consórcio de pesquisadores brasileiros e europeus.

Em 2019, a Biodiversa lançou a chamada conjunta Biodiversidade e Mudanças Climáticas, da qual a Fundação Araucária participou por intermédio do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap). Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina, que já vinha atuando nesta temática, contactou potenciais parceiros da Alemanha, França e do estado de São Paulo para propor um projeto transnacional que pudesse ser submetido a esse edital.

Daí nasceu o Restore, que tem como objetivo principal desenvolver estratégias biotecnológicas inovadoras (materiais baseados na natureza e micro-organismos associativos de plantas) para aumentar a tolerância de mudas de espécies arbóreas e a diversidade microbiana durante a restauração florestal.

(Com informações da AEN e Fundação Araucária).

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