Pesquisa conjunta com a Suécia busca alternativa mais ética para a insensibilização de tilápias

Pesquisa conjunta com a Suécia busca alternativa mais ética para a insensibilização de tilápias

Com a visita de pesquisador da Suécia, projeto investiga método percussivo para suprir lacuna na legislação brasileira

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) recebeu nesta semana a visita do pesquisador sueco Albin Gräns, da Swedish University of Agricultural Sciences. A visita dá continuidade a um projeto de cooperação científica entre as duas instituições e a FAI Farms no Brasil, focado no desenvolvimento de métodos percussivos para a insensibilização de tilápias antes do abate.

No Brasil, embora a Instrução Normativa 365 estabeleça que todos os animais destinados ao consumo humano devem ser insensibilizados antes do abate, a tilápia ainda não possui uma regulamentação específica. Atualmente, o setor utiliza majoritariamente a termonarcose (insensibilização por água gelada), método não recomendado por comissões de ética e bem-estar animal. A eletronarcose (choque elétrico), por sua vez, tem se mostrado ineficiente para a espécie.

Para superar esse impasse, a equipe local investiga o método percussivo, uma abordagem já consagrada no abate de bovinos, mas inovadora para peixes.

Pesquisadores estrangeiros são da Swedish University of Agricultural Sciences (em pé); e professora Ana Maria Bridi, do CCA (na ponta à direita) e professor Alexandre Urbano, do CCE (ao centro). Visita no Laboratório Multiusuário (LMEM)

Testes científicos e fisiológicos

Liderados pela professora Ana Maria Bridi, do Departamento de Zootecnia da UEL, os testes contam com a expertise do professor Albin Gräns, especialista em fisiologia animal. “Estamos testando a insensibilização percussiva em tilápias. O professor Gräns veio para avaliar a eficácia e o tempo de resposta do peixe. Por meio de eletroencefalogramas e outros testes específicos, averiguamos se o animal responde a estímulos e se está efetivamente desacordado antes de ser abatido”, explica a docente.

Além dos aspectos éticos e de bem-estar animal, o estudo analisa as consequências diretas do novo procedimento na qualidade final do produto. A pesquisa avalia fatores como o pH da carne, a capacidade oxidativa, cor, textura, crescimento microbiológico e a estrutura celular do filé de tilápia, por meio de análises microscópicas.

O projeto é multidisciplinar e integra pesquisadores do Centro de Ciências Biológicas (CCB), Ciências Agrárias (CCA) e Ciências Exatas (CCE) da UEL, em trabalho conjunto com a equipe sueca.

Além dos pesquisadores internacionais, o projeto multidisciplinar envolve pesquisadores do CCB, CCA e CCE

*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL – FOTOS: André Ridão

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