Pesquisador analisa a morte e o luto em romances brasileiros

Pesquisador analisa a morte e o luto em romances brasileiros

Alamir Corrêa avalia como protagonistas que contam as suas próprias histórias lidam com a solidão, desamparo e reconstrução de si

O docente sênior Alamir Aquino Corrêa, do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estuda a morte na Literatura desde o início dos anos 2000. No momento, seu foco é o projeto “Solidão e desamparo em narradores autodiegéticos em romances brasileiros contemporâneos”, no qual ele analisa a representação da morte, finitude e do luto em diferentes produções nacionais.

A elegia é um gênero poético lírico que retrata a dor na ausência e perda dos entes queridos, geralmente familiares ou do mesmo grupo comunitário. A literatura e as artes recorrem à representação da perda como meio de lidar com a memória dos ausentes, além das dificuldades psicológicas de quem deve prosseguir em sua caminhada sem a companhia dos mortos ou perdidos. Exemplificando tais instrumentos aliados, o professor citou a música, pintura, cinema, arquitetura e artes-objeto, como tapeçaria e ourivesaria.

Avaliação da escrita intimista

Em seu projeto de pesquisa atual, o professor explora como a escrita de quem é protagonista e narra a sua própria história “busca configurar o sujeito pós-moderno diante dessas temáticas, com foco nas expressões de solidão, desamparo e reconstrução de si”.

Iniciado em agosto de 2025, o projeto é vinculado ao seu grupo de pesquisa “Representações da morte na literatura e nas artes”, ampliando o leque de trabalhos que têm o óbito na literatura e nas artes como foco. Corrêa orientou uma dissertação comparando os romances “A redoma de vidro”, de Sylvia Plath, e “O quarto branco”, de Gabriela Aguerre, que foi aprovada no Exame de Qualificação em dezembro passado.

Ele também se concentra em narrativas em primeira pessoa, como as dos romances “O peso do pássaro morto”, de Aline Bei, e “O verão tardio”, de Luiz Ruffato. Pontuou que “o foco é o espaço da intimidade na perda ocorrida ou a ocorrer e a expressão da personagem voltada para a contemplação melancólica de si nas relações familiares, pelo viés da linha pais e filhos e da solidão de velhos, bem como para o retrato da singularidade da morte enquanto finitude própria a enfrentar”.

Disse ainda que, como sinal de uma preocupação contemporânea com a saúde mental, tais romances salientam a terapia, buscada ou repudiada pelas personagens, “como um processo de acomodação das emoções da finitude e do luto, na ausência de consolação”. Toda a experiência, tanto pedagógica quanto de pesquisa, está registrada no livro de sua autoria “Figurar o indizível: a morte na literatura e nas artes”, a ser publicado em breve pela Editora Pontes.

Projeto de Alamir Corrêa foi contemplado com Bolsa de Produtividade em Pesquisa Sênior, pelo CNPq. Foto: Arquivo pessoal
Projeto de Alamir Corrêa está em fase inicial, sendo contemplado com uma Bolsa de Produtividade em Pesquisa Sênior pelo CNPq. Foto: Arquivo pessoal

Projetos complementares

O grupo de pesquisa “Representações da morte na literatura e nas artes”, coordenado pelo docente, é permeado por colaborações de estudiosos. São discutidas ferramentas de análise e referenciais teórico-críticos, mas cada participante escolhe um objeto em particular para fazer a sua leitura e interpretação.

Corrêa citou a tese “Para uma história do insólito na literatura brasileira: algumas contribuições”, defendida, em 2024, por Rhuan Felipe Scomação da Silva, que vai começar um estágio pós-doutoral sob orientação do professor neste semestre. A banca foi composta pelos professores Adilson dos Santos, Claudia Ferreira, Gustavo Ramos e Laura Brandini (foto de capa).

No último projeto de Corrêa, finalizado em 2025 e intitulado “Estética da perda e da ausência em romances brasileiros contemporâneos”, ele trabalhou com o conceito da prosa elegíaca. Vinculada à pesquisa, Fernanda Aparecida de Freitas defendeu, em outubro de 2025, sua dissertação de Mestrado orientada pelo docente. O objeto foi o romance “Rebentar”, de Rafael Gallo, sobre a história de uma mãe que perde o filho em um shopping e espera, sem sucesso, o seu retorno por trinta longos anos.

Reconhecimento

Alamir Corrêa ajudou a fundar o Programa de Pós-graduação em Letras em 1993, sendo que permanece como docente sênior desde a sua aposentadoria, em 2019.

Por conta do projeto “Solidão e desamparo em narradores autodiegéticos em romances brasileiros contemporâneos”, ele foi um dos 34 professores da UEL contemplados no Programa Bolsas de Produtividade em Pesquisa, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) . A concessão é feita aos líderes de grupos de pesquisas e coordenadores de projetos que apresentam grande relevância ao Brasil.

*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação

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