Profissionais da saúde do HU/UEL se reinventam no atendimento a pacientes com COVID-19

Profissionais da saúde do HU/UEL se reinventam no atendimento a pacientes com COVID-19

A adoção de rígidos protocolos de segurança foram reforçados e incorporados à rotina hospitalar.

Seis meses depois do início da pandemia de COVID-19, é possível perceber junto à equipe de saúde do Hospital Universitário (HU/UEL) mudanças profundas no comportamento dos profissionais e no próprio ambiente hospitalar. Isso se deve em função da implementação de novos protocolos de segurança, visando o combate e controle do novo coronavírus.

A adoção de rígidos protocolos de segurança, entre eles uso constante de máscaras, lavagem frequente das mãos, com água e sabão, distanciamento, paramentação adequada – entre outros – auxilia no combate ao vírus. Agora, tais protocolos foram incorporados à rotina de atendimento.

Planejamento – No HU/UEL – referência regional no atendimento a pacientes com COVID-19 – como em outras unidades hospitalares pelo país – em um curto período de tempo foi preciso implementar medidas para combater um vírus letal nunca visto antes na medicina. Por meio de muito trabalho e reuniões frequentes ocorreu a criação de grupos de atuação, que são essenciais para manutenção do atendimento de qualidade.

Segundo a direção do HU/UEL, na linha de frente de atendimento aos pacientes com COVID-19, cada grupo é responsável por planejar espaço físico adequado, quantitativo de servidores aptos para um atendimento de qualidade, protocolos de atendimento específicos, treinamento aos servidores, paramentação adequada, cuidados ao paciente, com o objetivo de evitar o contágio.

(FOTOS: HU/UEL)

Conforme avaliação da direção do HU/UEL, toda essa dedicação e compromisso renderam resultados positivos, uma vez que desde o início da pandemia, o atendimento ao paciente com suspeita ( ou confirmado), tem todo um aparato disponível em quantidade e qualidade, que não deixa nada a desejar em termos técnicos, clínicos ou de humanização, também para os familiares.

Temor – Por outro lado, a equipe de infectologistas do hospital, da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), pneumologistas, intensivistas e todos que atendem de maneira direta os pacientes com COVID 19, tiveram que deixar os temores de lado. “Lidar com vírus, seja novo ou não, faz parte do nosso trabalho, é nosso papel como médicos especialistas em infecção, seja de qualquer natureza”, conta a médica chefe do Hospital de Retaguarda Zuleica Naomi Tano. Foi justamente desse grupo que partiu a elaboração de todos os protocolos de tratamento, inclusive normas de uso de Equipamento de Proteção Individual (EPIs). Com o passar do tempo, conforme explica Zuleica, “fomos conhecendo o vírus, deixando o medo de lado e estudando diariamente a respeito, a partir daí, fomos nos tranquilizando e orientando as equipes”.       

Zuleica afirma que o maior receio se dá junto ao âmbito familiar, com relação ao contato com familiares e parentes. “Deixei de ver minha mãe pessoalmente, que é do grupo de risco, meu filho não sai de casa há seis meses, e vejo muito pouco meu marido e filho porque minha carga horária no hospital aumentou”, conta.

Quanto aos cuidados com o paciente, a maior mudança ocorreu em termos de proteção, quanto ao uso de paramentação adequada. “É a única forma de evitar o contágio entre paciente e servidor “, completa, lembrando outra atenção essencial no caso do paciente COVID-19: “É um paciente que corre o risco de ter uma piora durante a internação. Por isso precisamos contar com UTI disponível, que temos atualmente em número significativo”.

Para a médica, o momento é um desafio a mais na vida desses profissionais, sendo que o que fica é o aprendizado, tanto no nível técnico como no âmbito científico. “Há desfechos bons e ruins, mas conseguimos ver coisas boas nesse contexto”, declara.

Planejando – Enquanto infectologistas estudam o novo vírus, um grupo de enfermeiros planejou toda a estrutura para atender o paciente COVID-19, considerando todos os aspectos necessários para um atendimento eficiente. A enfermeira Ana Fonseca, chefe da Enfermagem do Hospital de Retaguarda e responsável pelo setor administrativo, diz que “hoje o sentimento é de dever cumprido, quando entro e quando saio do Hospital de Retaguarda”.

Desde o início, a gestão, envolvendo a direção e diversas áreas, que lidam com o paciente COVID-19, além de alunos e residentes, prepararam o espaço considerando todos os cuidados necessários aos paciente, sempre com foco no atendimento humanizado. “Essa é a nossa maior preocupação, que o paciente tenha alta sem sequela ou com o mínimo possível e, caso não saia, termos a certeza que teve o melhor atendimento possível”.

Ana também não esconde seu medo nesse enfrentamento: “Medo existe em qualquer profissional, seja levando para a família, como de contrair a doença, porém, me sinto segura porque o HU/UEL fornece toda a paramentação necessária ao paciente e servidor. E antes de atender ao paciente doente tivemos treinamentos específicos”, detalha.

Para ela, o novo cenário é um desafio e um aprendizado ao mesmo tempo: “Quem vê a dor e o sofrimento do paciente e da família nunca mais sai igual”, conta. “Achamos que seria uma situação passageira e não foi. O que assistimos é a aflição das famílias, o medo pelos colegas que ficaram doentes, sempre um risco”, desabafa. “O lado bom acontece quando damos alta. Vimos uma paciente de 90 anos sair e a  família toda do lado de fora esperando pelo reencontro, esse sim é o momento mais marcante nesse contexto”, lembra a enfermeira.

Materno-infantil – No setor materno-infantil, dentro do Hospital de Retaguarda, os profissionais oferecem atendimento emocional às mães. Conforme a enfermeira obstetra Milena Torres Guilhem Lago, as mudanças ocorreram na questão de orientação e cuidados com a paciente. “Antes eu podia entrar no quarto, fazer orientações com a mãe e bebê sem me preocupar com toda a paramentação. Agora não. Cada vez que sou chamada tenho que me paramentar por inteira. É todo um cuidado especial. As mães, por exemplo, necessitam ter que ficar com a máscara o tempo todo. E dentro desse atendimento, temos que convencer essa mãe que ela tem que continuar amamentando seu filho mesmo que o resultado para COVID-19 seja positivo”.

A profissional relata que as mães ficam inseguras, às vezes com medo de transmitir o vírus para o bebê. “Orientamos que não há esse risco, mesmo usando oxigênio ou medicações específicas. Basta ela tomar os devidos cuidados. Há muita necessidade de trabalharmos com o emocional das mães, conversando, acalmando e orientando”, explica.

Por garantia, a equipe do Hospital de Retaguarda faz testes com todos os bebês internados e nenhum deles se contaminou, mesmo com a mãe sendo positiva para COVID-19. A enfermeira completa mostrando à mãe que o aleitamento materno é primordial para beneficiar a criança de inúmeras patologias, inclusive prevenir contra o coronavírus.

Em um primeiro momento, conta Milena, a apreensão tomou conta de todos: “Mas quando vemos que a estrutura do hospital está completa, preparada com relação aos treinamentos e paramentação adequada, ficamos muito tranquilos porque sabemos que o risco de pegar algo no HU é menor do que no supermercado. Todos os cuidados são exigidos de nós e isso nos tranquiliza enquanto profissional da saúde”.

(Com texto e informações da Assessoria de Imprensa do HU/UEL).

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