Comitê de Crise cobra ações para evitar colapso da saúde em consequência da COVID-19

Comitê de Crise cobra ações para evitar colapso da saúde em consequência da COVID-19

O alto número de pacientes e o registro de novas variantes têm provocado alteração do perfil de mortalidade.

Integrantes do Comitê de Crise de Londrina, formado por representantes da UEL, de Hospitais Públicos e Privados e o Ministério Público, apresentaram nesta sexta-feira (26), relatório da 17ª Regional de Saúde que aponta o esgotamento do sistema de saúde público e privado, frente à grande demanda provocada pelo tratamento de pacientes do Coronavírus. Os representantes cobraram providências da Prefeitura de Londrina para conter a transmissão do vírus e, consequentemente, desafogar as unidades de saúde. Presente à reunião, o prefeito Marcelo Belinati foi enfático em dizer que é necessário conscientizar cidadãos para evitar aglomerações.

Promotoria, autoridades municipais e dirigentes de Hospitais públicos e privados alertam para o risco eminente do colapso na saúde.

O relatório foi apresentado durante entrevista coletiva realizada pela manhã, no Auditório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) UEL, acompanhada por dezenas de autoridades. A entrevista foi transmitida pelas mídias sociais da UEL, registrando, até do início desta tarde, cerca de 5 mil acessos. Segundo relatório elaborado pela Divisão de Assistência em Saúde da 17ª Regional, o cenário epidemiológico hoje demonstra que a circulação viral é preocupante e reflete diretamente nos hospitais e demais unidades de saúde públicas e particulares, com aumento de internações e da mortalidade. Soma-se a isso, o registro de novas variantes do Coronavírus em todo o Paraná.

Somente no âmbito da 17ª Regional são 134 pacientes aguardando leitos de UTI, prejudicando o atendimento a outras doenças que não a Covid-19. Caso do Instituto de Câncer de Londrina (ICL), que esta semana suspendeu as cirurgias. De acordo com o relatório apresentado, a região de Londrina registra uma sinalização da redução da presença do vírus na comunidade (Positividade) e da diminuição de casos suspeitos (Coletas).

Coletiva registrou presença de autoridades de Londrina e região.

Variantes – Porém ocorre estabilização em níveis elevados do número de casos (confirmados e hospitalizados). Ainda de acordo com o documento, o alto número de pacientes e o registro de novas variantes têm provocado alteração do perfil de mortalidade (número de contaminados/idade/tempo de internação). Todos estes dados revelam que o sistema de saúde está próximo de um colapso. As consequências desse cenário estão ligadas à diminuição da efetividade da assistência, no crescimento do número de pessoas aguardando leitos; no aumento de óbitos antes de acessar UTI/Enfermaria e no risco de desabastecimento de insumos essenciais como medicamentos, oxigênio, etc.

A promotora de Proteção dos Direitos Humanos e Saúde, Susana Lacerda, foi enfática em seu pronunciamento. Ela lembrou que nos últimos dias foram disponibilizados cerca de 200 novos leitos para atendimento específico do paciente de Covid 19, que rapidamente foram ocupados. Segundo ela, diante da lenta vacinação que ocorre em todo o país, é necessário e urgente um esforço maior para evitar consequências nas unidades de saúde.

“Quantas pessoas mais vamos deixar asfixiando nos pequenos municípios”, questionou a Promotora, referindo-se às dificuldades de internação nos hospitais terciários de Londrina. Dessa forma, pacientes de outras cidades acabam tendo de aguardar leitos internados nas unidades de seus municípios.

O reitor da UEL, Sérgio de Carvalho, explicou que os servidores lotados no Hospital Universitário estão com férias suspensas, dada à gravidade do momento. “Toda a nossa energia hoje está sendo carreada para atender ao HU”, explicou ele, referindo-se ao remanejamento que está sendo realizado com transferência temporária de servidores do Campus e de demais unidades para atendimento no hospital.

Ele explicou também que, paralelamente, a UEL organizou uma ampla campanha para conscientizar cidadãos sobre a importância do HU/UEL, referência no atendimento Covid-19, e da necessidade de enfrentar a pandemia, respeitando medidas sanitárias como distanciamento social, uso de máscara e reforço da higiene das mãos.

HU/UEL – A diretora superintendente do Hospital Universitário (HU/UEL), Vivian Feijó, afirmou que neste primeiro ano de enfrentamento da Covid-19 foram feitos 12 mil atendimentos, sendo 4 mil com diagnóstico positivo. Somente nesta sexta-feira (26), o hospital registrava fila de mais de 60 pacientes à espera de vaga de UTI. Ao todo são 297 leitos específicos para tratamento do Coronavírus.

“Resolvemos por uma manifestação técnica para sensibilizar o Executivo, o Legislativo e a sociedade civil. Para que todos se atentem”, declarou. Para a diretora superintendente, os números demonstram que o serviço de saúde está esgotado, à beira do colapso. A solução, insistiu ela, é reduzir a curva de disseminação da doença com foco na redução de pacientes nas portas dos hospitais. Em nome disso ela acredita que é preciso reforçar medidas educativas por meio de escolas e universidades. Outras sugestões que poderiam ser adotadas são proibição de festas e aglomerações, além do escalonamento planejado do comércio e indústria para reduzir fluxo de passageiros nos ônibus do transporte urbano.

Prefeito Marcelo Belinati alerta para os riscos das aglomerações e da disseminação de informações sem comprovação científica.

Repercussão – O prefeito Marcelo Belinati ressaltou que o Brasil passa por momento delicado com alta ocupação hospitalar e grande volume de pacientes jovens. Ele afirmou que é fundamental que cada brasileiro se cuide e evite disseminar informações não comprovadas cientificamente, como tratamentos preventivos para Covid-19.

“Porém quero aqui me colocar no lugar de um pai de família que não tem como comprar o básico, o arroz e o feijão para a família”, ressaltou. O prefeito insistiu ainda que concorda com medidas educativas que possam resultar no controle da incidência da doença, mas questionou que é complicado controlar o comportamento social.

Ele exemplificou que no carnaval todo o comércio de Londrina estava fechado, mas que a cidade registrou aglomerações, mesmo com um decreto vigorando. “Creio que muitos só vão acreditar na gravidade da doença quando forem impactados por ela. A população precisa entender”, desafiou.

Presenças – Participam da entrevista coletiva o vice-reitor da UEL, Décio Sabbatini Barbosa, o secretário Municipal de Saúde de Londrina, Felipe Machado, o promotor Otávio Bueno Santos, do Ministério Público Federal, além de diretores dos Hospitais de Londrina. Também estiveram presentes os deputados estaduais Cobra Repórter, Tiago Amaral e Tercílio Turini, além da vereadora Lenir de Assis.

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