Extensão na graduação é investigada em projeto da área de Odontologia
Extensão na graduação é investigada em projeto da área de Odontologia
Atuação dos alunos é o ponto forte, que gera identificação com área, além do comprometimento no momento da prática profissionalOs projetos de extensão são uma das marcas de todos os cursos de graduação, aproximando o estudante da sociedade, para além do Campus Universitário, representando oportunidade para que o aluno conheça de perto a atuação da área que escolheu antes da inserção no mercado de trabalho.
O projeto de pesquisa “Atividades extensionistas relacionadas à saúde bucal desenvolvidas em projetos de extensão” tem por objetivo identificar as diferentes atividades desenvolvidas em dois projetos de extensão relacionados à saúde bucal: o “Atenção em saúde bucal para escolares e comunidade” e o “Prevenção e promoção da saúde bucal para pacientes da terceira idade”.

A professora Maura Sassahara Higasi, do Departamento de Medicina Oral e Odontologia Infantil, e coordenadora do projeto, explica que, baseado nas experiências vivenciadas pelos egressos do curso de Odontologia e participantes do projeto durante a graduação, foi relatado de forma unânime que os dois projetos foram fundamentais para a formação. “Os alunos que se formaram aqui e foram trabalhar com a comunidade, afirmaram que conseguiram enxergar melhor a realidade social, suas dificuldades, e isso contribuiu significativamente para a formação profissional deles”, analisa.
De acordo com a professora, outro fator a se considerar é a oportunidade de o aluno entender por quais áreas de especialidade ele possui maior identificação, e, tão importante quanto, quais ele tem menos afinidade. Ela afirma que “no primeiro ano, alguns estudantes ainda têm dúvidas se o curso que escolheram foi o correto ou não. Nós percebemos que os participantes dos projetos acabam vivenciando experiências junto à comunidade que facilitam o entendimento dessa questão”.
A coordenadora destaca que os estudantes participantes dos projetos de extensão demonstram proatividade e comprometimento no desenvolvimento das atividades extensionistas. Segundo ela, mesmo após o cumprimento da carga horária obrigatória prevista para a extensão curricular, muitos optam por permanecer vinculados aos projetos nos anos subsequentes de forma voluntária.
Projetos que aproximam
O “Promoção em Saúde Bucal para Escolares e Comunidades”, iniciativa mais antiga do curso de Odontologia, em atividade contínua desde 1992, é uma das extensões estudadas. Nele, são realizadas palestras educativas aos alunos da rede pública sobre cuidados bucais, cobrindo temas como cáries, lesões, inflamações da gengiva, e outros problemas gerados pela má higiene bucal.
Participam do projeto estudantes do primeiro ao quinto ano, atendendo escolas de Londrina e região. Ao final do ano letivo, os estudantes são organizados em grupos para o desenvolvimento de materiais didáticos que são utilizados nas ações extensionistas do ano seguinte. A elaboração desses materiais educativos estimula a criatividade e incentiva os discentes a refletirem sobre metodologias educativas e lúdicas adequadas a estimular às diferentes faixas etárias.

A Técnica em Higiene Bucal Lirian Adriana Maria Pereira da Silva relata que os estudantes que participaram do projeto de extensão demonstram maior segurança, e habilidade de comunicação para o atendimento, como por exemplo, no atendimento de crianças e no estabelecimento de vínculo com elas e seus responsáveis. “A hora que esse estudante entra na odontopediatria, não há dificuldade de sentar e conversar com uma criança ou com os pais, porque ele desenvolveu isso desde o começo da sua graduação com a gente no projeto”, relata.
O projeto de extensão “Prevenção e Promoção da Saúde Bucal para Pacientes da Terceira Idade” também integra esta pesquisa. As ações são direcionadas à população idosa residente em Londrina e região. Desenvolvido desde 2011, o projeto promove atividades educativas voltadas à promoção da saúde bucal, abordando temas como a saúde bucal, higiene oral, alimentação saudável e os cuidados com próteses dentárias, adoção de hábitos preventivos, que contribuem para a melhoria da qualidade de vida dessa população.
Confiança – A técnica afirma que diferente da atuação com crianças, ao lidar com idosos, é preciso conquistar a confiança e saber lidar com a vergonha que muitos deles apresentam. “Diferente das crianças, que gostam por poder sair da sala de aula, por ser algo diferente, cada pouquinho de confiança que conseguimos com eles é uma conquista, fruto de muito cuidado e paciência”, explica.
Lirian Pereira relembra que além dos benefícios aos estudantes, também há a conexão criada entre a comunidade e a Universidade, aproximando ambos. Ela argumenta que a UEL não pode se isolar da população externa ou se limitar apenas ao espaço acadêmico. “Diferente de um atendimento na clínica ambulatorial, em que é a sociedade que vem para dentro da Universidade, na extensão são os alunos que saem para atendê-la, e com isso se deparam com várias realidades que precisam conhecer”, conclui.
*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.




