Divulgados domingo (11) contemplados do Prêmio Quizomba 2021

Divulgados domingo (11) contemplados do Prêmio Quizomba 2021

Iniciativa teve ao todo 13 áreas contempladas. E tem a participação jovens artistas negros e indígenas.

José de Arimathéia

Agência UEL


Foram divulgados neste domingo (11) os vencedores do Prêmio Quizomba 2021 para jovens artistas negros e indígenas. Foram 30 inscritos, entre pessoas e coletivos, e todos os premiados tiveram ou têm vínculo institucional com a UEL. Este ano, com uma novidade: além dos quatro contemplados previstos no edital, houve um vencedor individual extra.

O Prêmio Quizomba contempla jovens artistas negros e indígenas com potencial poético e de transformação social. Eles têm trajetórias artísticas ou de práticas culturais, individuais ou coletivas, marcadas pelo desenvolvimento da percepção, da imaginação criativa, espírito crítico e valores éticos e estéticos associados à dignidade humana. Além disso, objetiva estimular a manutenção e continuidade das atividades artísticas ou culturais no município de Londrina, impactadas pela pandemia.

(Divulgação/Quizomba)

São 13 as áreas contempladas pelo Prêmio: circo, dança, teatro, artes visuais, fotografia, cinema e vídeo, artes gráficas, artesanato, música, literatura, tradições populares, capoeira e hip hop.

De acordo com o professor Kennedy Piau (Departamento de Artes Visuais/CECA), coordenador do Projeto Quizomba, que conta com o patrocínio do Programa
Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina (PROMIC), as ações também receberam o impacto da pandemia. “Com o agravamento da crise sanitária decidimos nos adaptar, principalmente para fazer com os recursos do Promic chegassem aos trabalhadores da cultura da cidade”, observa. Assim, foram tomadas duas ações: “A primeira foi o Quizomba Online, em parceria com o Espaço Nave. Garantimos a produção de vídeos de artistas e grupos selecionados em edital do Quizomba (no início de 2020) e suas veiculações em duas edições online – (Primeira ediçãoSegunda edição). A segunda ação é o Prêmio Quizomba para jovens negres e indígenas”, explica Piau.

Premiações

Segundo ele, as premiações visam ampliar o reconhecimento de uma geração emergente de artistas negros e indígenas que têm atuado de distintas maneiras para a valorização e ressignificação das tradições herdadas dos povos indígenas e dos povos africanos escravizados e trazidos à força para o Brasil.

Numa primeira fase, foram aprovados todos os projetos que estavam de acordo com o edital. Numa segunda etapa, foram eliminadas aquelas com trajetórias mais consolidadas no campo da cultura de Londrina. “Na última rodada de seleção pesou sobretudo o potencial poético-político dos selecionados para nessa etapa de seleção. Houve consenso inicial em relação aos coletivos que deveriam ser premiados, mas muitas dúvidas em relação aos prêmios individuais”, relata o professor Piau.

No fim, foi decidido premiar três artistas individuais. Na avaliação do coordenador do projeto, a concessão de um prêmio extra e a antecipação dos recursos para o grupo Nen`ga, o Coletivo Quizomba representam uma resposta coerente, rápida, simples e democrática para responder à crise e, assim, reafirma seu compromisso com a valorização das culturas de matriz africana e indígena de resistência.

Foram premiados dois coletivos culturais, como o prêmio de 3.000 reais, e três artistas individuais, com 1.500 reais. O Prêmio Quizomba 2021 é patrocinado pelo PROMIC/Secretaria Municipal de Cultura/ Prefeitura de Londrina.

Categoria Coletiva

Grupo NEN’GA

O grupo de dança Nen`ga da Terra Indígena do Apucaraninha, composto em sua maioria por jovens, é um grupo que tem se destacado na luta pela preservação da cultura Kaingang em Londrina. O grupo também está presente nas várias frentes de lutas dos povos indígenas.

Coletivo Dona Vilma Yá Mukumby

É gerido de forma horizontal sem que haja hierarquia entre os membros e as decisões são tomadas por meio de debates horizontais. Formado por pessoas negras, promove atividades artísticas e culturais direcionadas às crianças e jovens negras moradoras do Jardim Nossa Senhora da Paz/Favela da Bratac, além de buscar o bem-estar e a organização dos integrantes, para fortalecimento do próprio coletivo.

Categoria individual

Giovana Teixeira – Formanda em Design de Moda na UEL, ela desenvolveu o Trabalho de Conclusão de Curso, com o objetivo de incentivar o protagonismo criativo de negras periféricas por meio da moda, mas não se restringindo a ele, com ações sobre seu bairro e moradias. O projeto foi desenvolvido junto ao Coletivo Ciranda, com meninas e adolescentes da Comunidade Nossa Senhora da Paz (Favela BRATAC), em Londrina.

Priscila Johson – Priscila Sousa Anunciação (Johson) é formanda em Artes Visuais pela UEL. Ela é artista urbana e muralista desde 2014 . O pertencimento à classe trabalhadora de baixa renda e a compreensão da identidade de gênero, orientação sexual, étnico-racial e religiosa apontam o sentido do recorte que ela faz em seus trabalhos somados ao formato que expõe sua produção. Os trabalhos apontam a relação entre arte e crise, e arte e sociedade a partir do lugar que ocupa dentro dessas camadas sobrepostas de opressão, como mulher lésbica , afrodescendente.

Maria Alice Oliveira – Maria Alice Silva Oliveira, mulher, negra, graduanda em Artes Visuais (licenciatura) pela UEL. Atua profissionalmente como fotógrafa. Cineasta amadora e artista multidisciplinar, explora a fotografia, a foto-performance, o vídeo e a arte de rua. Integra um coletivo de foto-ativismo na cidade de Londrina, além de participar do PRATA, coletivo auto organizado de artistas negros da Universidade. Também integra e dirige a produtora independente e coletivo audiovisual LAJE Produções.

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