Pelo direito de estar integrado ao Ensino Superior

Pelo direito de estar integrado ao Ensino Superior

Núcleo de Acessibilidade da UEL trabalha, desde 1991, para transformar a Universidade em um ambiente mais inclusivo aos alunos da educação especial.

Nesta quarta (21), é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Há pouco mais de três décadas, a UEL busca solucionar um problema recorrente na vida dos estudantes portadores de necessidades especiais: as dificuldades que impactam a aprendizagem.

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Edição número 1414 de 14 de setembro de 2022
Confira a edição completa

Com o Núcleo de Acessibilidade (NAC), a instituição tem se empenhado em remover barreiras físicas, arquitetônicas, comportamentais e metodológicas através do acompanhamento educacional especializado e desenvolvimento de procedimentos diversificados para o ensino de alunos com deficiência, transtornos do espectro autista e altas habilidades/superdotação.

Vinculado à Pró-Reitoria de Graduação da UEL (Prograd), o NAC promove atividades voltadas para estudantes matriculados nos cursos de Graduação e Pós-Graduação da educação especial. No Ensino Superior, esta modalidade é caracterizada por ações que têm como intuito fortalecer a permanência e a participação de alunos com diagnósticos que demandam técnicas de ensino diferenciadas e recursos de tecnologia assistiva, como materiais em relevo e computadores com sintetizadores de voz, por exemplo. Além do acompanhamento individual, os alunos também recebem apoio complementar em grupo e os docentes são orientados a respeito de suportes de acessibilidade e atividades de formação continuada.

De acordo com a coordenadora do Núcleo, a psicóloga Ingrid Ausec, a UEL é pioneira na oferta de serviços de educação especial no Ensino Superior no Brasil. Inicialmente, o NAC foi instituído como Comissão Permanente de Acompanhamento de Estudantes com Deficiência. Em 2002, foi reformulado pela Resolução CEPE nº70/02 e passou a chamar Programa de Acompanhamento a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais. Em 2009, foi reestruturado como Núcleo de Acessibilidade da UEL. A última atualização da Resolução foi feita em outubro de 2021, mas sem alterações na nomenclatura e na legislação.

“É extremamente importante que existam setores e profissionais habilitados para receber e organizar o suporte dos alunos”, defende a coordenadora do NAC, Ingrid Ausec.

Segundo a psicóloga, as mudanças ocorreram para atender às novas exigências da área de Educação Especial, como inclusão de público-alvo e oferta de serviços que passam a integrar as atividades desta modalidade de ensino. “Quando eu comecei como coordenadora, tudo o que a gente pensava de educação especial no Ensino Superior era adaptando o que vinha da educação básica”, conta. “Hoje a gente não adapta mais, pois já temos modelos, protocolos e estudos para o aluno do Ensino Superior”, afirma Ingrid.

O acompanhamento no NAC começa a partir do momento em que o estudante matriculado, que se encaixa no público-alvo do Núcleo, solicita o atendimento. O aluno fica cadastrado no serviço, que se disponibiliza a acolher o universitário e garantir que ele tenha acesso aos seus direitos, fazendo ajustes no processo de aprendizagem junto ao colegiado do curso quando necessário. “É extremamente importante que existam setores e profissionais habilitados para receber e organizar o suporte dos alunos”, defende a coordenadora.

Permanência na pandemia

Em 2021, durante o período de suspensão das aulas presenciais motivada pela pandemia, o NAC acompanhou um total de 124 estudantes. Os dados foram levantados pelo próprio Núcleo, de acordo com uma análise das solicitações de atendimento realizadas até março deste ano. Mesmo com a adaptação ao formato remoto, o NAC manteve todas as atividades em funcionamento e ampliou alguns serviços, fortalecendo o contato com professores de outros estados, por exemplo.

Entre as ações pensadas para atender os alunos neste cenário, foi criado, através do projeto de extensão “Recursos de acessibilidade no ensino remoto: uma experiência colaborativa de Instituições Públicas de Ensino Superior do norte paranaense”, um canal com vídeos tutoriais sobre os recursos de acessibilidade necessários nas interações virtuais e produções de conteúdos didáticos das instituições. O projeto foi desenvolvido como uma parceria entre a UEL, o Instituto Federal do Paraná (IFPR-Londrina) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR – Londrina e Cornélio Procópio).

Apesar de terem retornado com as atividades presenciais no começo do semestre, o NAC optou por manter as ações de formação dos professores no formato remoto e oferecer a opção de atendimento virtual aos estudantes. Com o fim do ano letivo 2021-2022 na UEL, o Núcleo também pretende reformular sua programação, promovendo, por exemplo, cursos sobre a relação da docência com o intérprete de libras e interação com o deficiente visual. “A gente teve que se adaptar a esse formato online, então o que foi bom estamos mantendo e ampliando, aos poucos retomando”, explica Ingrid.

Inclusão

Na educação básica, uma das etapas do processo de inclusão social é fazer com que os estudantes entendam que, em certos momentos, as atividades devem ser adaptadas para que a inclusão seja efetiva. Além disso, é essencial que as escolas incentivem a aceitação das diferenças e o desenvolvimento das relações de amizades. Um dos recursos utilizados para esclarecer aos alunos mais novos a importância dessa sensibilização são os quadrinhos da Turma da Mônica, criados por Maurício de Souza.

As histórias da Turma trazem personagens que representam crianças especiais, sujeitas ao atendimento ou intervenção psicopedagógica. Entre os personagens que inserem diversidade às narrativas, estão Luca (cadeirante), Dorinha (deficiente visual), André (autista) e Sueli (surda), que chegou ao Bairro do Limoeiro recentemente. A participação deles sempre é acompanhada de uma explicação sobre suas características particulares e, muitas vezes, ajudam o aluno a entender como apoiar um colega que possa ter a mesma condição de determinado personagem.

À medida que os estudantes avançam na escolarização, faz-se necessário pensar na inclusão no Ensino Superior também. Por isso, a criação de estruturas específicas para a educação especial dentro das instituições é importante. “Com esse avanço na escola, com esse aluno se formando no Ensino Médio, ele também passa a sonhar com a Universidade, assim como todo mundo”, aponta a psicóloga.

*Estagiária na COM/UEL.

Confira a edição completa do Jornal Notícia nº1414.

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