Atividades no Neab incluem Mesa Redonda e Grupo de Estudo

Atividades no Neab incluem Mesa Redonda e Grupo de Estudo

Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros segue com calendário de atividades especiais até o final de março.

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade Estadual de Londrina segue com a programação especial para o mês de março dentro da agenda dedicada à recepção dos estudantes ingressantes, o SER UEL 2026. As atividades foram pensadas com objetivo de possibilitar uma divulgação ampliada e a apresentação do Núcleo, por meio de oficinas, cursos e palestras. Os eventos ocorrerão até o dia 31, conforme programa e a participação é aberta à toda comunidade.

A partir de amanhã, quarta-feira (18), seguem as atividades já programadas e iniciadas no começo do mês com as oficinas de Capoeira Angola e Cultura Popular, ministradas pelo Mestre Marcelo Pinhatari. Os encontros ocorrem às terças e quintas-feiras, na sala 102 do Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH), entre 17h30 às 19h. Outro evento é a Roda de Conversa semanal, às 17h30, que discute questões sobre pertencimento étnico-racial entre estudantes e pesquisadores, encontros na sede do Neab, toda segunda-feira.

Mesa Redonda

Amanhã, (quarta, 18) acontece a mesa redonda: “Ubuntu como o Antídoto do Banzo no Espaço Acadêmico: Solidão, Racismo Institucional e Estratégias de Cura”. O debate conta com os profissionais da psicologia Alana Placidino, Alisson M. Ferreira, Fansley C. Silva, Gabriela Castro e Keâ Costa e o historiador Josué Godoy. Segundo ele, a mesa propõe refletir sobre a trajetória de pessoas negras e indígenas no ingresso e permanência na Universidade.

Godoy diz que “é importante falar sobre os desafios produzidos pelo atravessamento do racismo institucional em um ambiente que historicamente deslegitimou outras formas de conhecimento”. A partir do princípio de Ubuntu como ética relacional e tecnologia ancestral de cuidado coletivo, a mesa busca compartilhar experiências, estratégias de resistência e práticas de cura que têm sustentado a permanência e a resistência negra nos espaços acadêmicos. Pensando nessa lógica, o Ubuntu serve como antídoto ao Banzo, que para a cultura Banto é associado a tristeza e melancolia. “Ou seja, remediar sentimentos de solidão e tristeza por meio do cuidado coletivo e afetividades”, completa o historiador. Os encontros ocorrerão na sala 683 do Ceca, sendo o primeiro às 10h e o segundo às 19h.

Grupo de Estudos

No dia seguinte, 19 de março, o grupo de estudos “Mulheres que Inspiram: diálogos com Conceição Evaristo”, inicia os encontros quinzenais que pretendem propiciar um espaço de discussão e a promoção do estudo, análise crítica e reflexões sobre a obra “Becos da Memória”, compreendendo as dimensões literárias, sociais, históricas e culturais do livro, com ênfase na representação da memória coletiva, da identidade negra e das desigualdades estruturais no Brasil.

Além disso, o curso de extensão visa trabalhar o conceito de “escrevivência”, que pensa como a experiência pessoal e coletiva da autora é utilizada como elemento para a produção literária da obra. Bem como, pensa a proposta como uma forma de ampliar os estudos e valorização da literatura afro-brasileira, o repertório cultural e o fortalecimento de práticas pedagógicas antirracistas na educação.

Segundo a professora Marleide Perrude, coordenadora do Neab, o grupo de estudos dedica um tempo quinzenalmente para a leitura de mulheres negras e indígenas, numa perspectiva interseccional e decolonial. “A cada ano, duas literaturas são selecionadas com encontros que ocorrem de forma remota e presencial, onde os capítulos são discutidos”, explica Perrude. A ação é coordenada pela professora em parceria com Marcelo Araújo, professor da educação básica e tem a mediação de Natália Micheli Villa, pós-graduanda e colaboradora do Neab. Inscrições pelo link.

Extensão

Outra atividade promovida pelo Núcleo em parceria com o Laboratório de Ensino e Pesquisa em História da Educação (LEPHE) do curso de Pedagogia, é o curso de extensão: “História das lutas da População Negra no Brasil”, ministrado pelos professores Rodrigo Rosa da Silva e Marleide Perrude do Departamento de Educação.

Segundo Perrude, a ideia nasceu a partir da elaboração de uma disciplina especial voltada apenas para a graduação. “No entanto, durante a ocorrência da matéria percebemos a necessidade de ampliação da proposta inicial e o interesse por parte de outras áreas da Instituição em participar da discussão”, diz. A partir daí, a professora explica que entendeu a demanda de transformar a disciplina em um curso que pudesse receber estudantes de outros centros de ensino da UEL.

A proposta tem por objetivo oferecer aos estudantes formas de se apropriar de conhecimentos relativos à história e cultura africana, afro-brasileira e dos povos originários do Brasil. O curso, afirma Perrude, objetiva destacar formas de resistência, luta e organização com o intuito de formar pedagogos(as), professores e educadores preparados para combater o racismo na sociedade e agir por uma educação antirracista, valorizando diversidade cultural e compreendendo as relações étnico raciais em uma perspectiva interseccional que compreende a articulação de raça, classe e gênero/sexualidade.

A iniciativa também sinaliza a necessidade de ampliação das discussões sobre história e cultura afro-brasileira na Universidade e a grande procura, segundo a professora Marleide Perrude, é o resultado disso. Outro elemento que ela destaca é “a curricularização das atividades de extensão e em como isso têm estimulado e incentivado à participação de estudantes nesse e em outros projetos de extensão desenvolvidos pelo Núcleo”.

Exposição

No dia 20 de março, na sala 641 do Ceca, acontecem duas atividades que começam a partir das 14h30, sendo a primeira delas a apresentação do grupo de pesquisa coordenado pelas professoras Eloa Dutra Kastelic Soares e Marleide Perrude, que estuda as articulações Teórico-Metodológicas entre os Saberes da Educação das Relações Étnico-Raciais e Práticas Pedagógicas.

Na sequência, às 16h00, começa a exposição: Caricaturando afetos: traços que nos unem e sorrisos que contam história. A expositora Ana Célida da Silva conta que a ação faz parte do projeto de extensão “Território em Voz” que nasceu a partir do convívio e da relação que ao longo do tempo foi sendo estabelecida entre os membros de projetos vinculados ao Neab. Segundo ela, a representação das pessoas como caricaturas será uma espécie de homenagem. E para encerramento da programação, às 17h30 ocorrerá o lançamento de livros do Grupo de Estudos: Mulheres que inspiram apresenta:

Café com Palavras e outros poemas – Maria José Vertuan;

Aprendendo a desaprender: educação antirracista por meio de bonecas Marilyn Beloni;

Vozes Do Esperançar: Escrevivências De Mulheres Privadas De Liberdade – Isadora Francisca Moura Doi, Bruna Gabriella Cunha de Bem, Carolina Mateus de Oliveira, Margarida de Cássia Campos, Patrícia Fernandes e Paula-Shinobu.

Trabalho em rede

A programação é resultado de parceria estabelecidas entre o Neab, o Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica (NDPH), Serviço de Bem-estar Acadêmico (Sebec), Movimento Negro e do Conselho de Igualdade Racial de Londrina. O objetivo é utilizar o espaço como meio de mobilização, divulgação e socialização dos trabalhos produzidos, e assim, atrair estudantes interessados em difundir o debate e compartilhar todo o conhecimento produzido por toda equipe do Núcleo.

*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.

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