Professor da UEL alerta para impactos do valor do diesel no setor agrícola
Professor da UEL alerta para impactos do valor do diesel no setor agrícola
Economista da UEL explica como os produtores, consumidores e motoristas são prejudicados com a alta do barril do petróleo.A alta no preço do petróleo e do diesel observada a nível mundial vem impactando os londrinenses, que estão pagando mais caro para abastecer os seus veículos desde o início do mês. Em um cenário mais amplo, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã começou a prejudicar os agricultores de todo o país, que se encontram no momento de pico da colheita da soja neste ciclo da safra de grãos (2025/26). O escoamento de produção, processo de venda e transporte do que é produzido no campo, também é lesado, além dos consumidores que pagam o preço final.

Carlos Caldarelli, professor no Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que os gargalos logísticos e comerciais seguem uma cadeia de ações e reações. Grande parte da colheita depende do uso de máquinas agrícolas que utilizam diesel, o que está incluso no custo da produção arcado pelos agricultores. O transporte também é afetado negativamente sob um olhar econômico com o aumento do frete, visto que o modal rodoviário depende diretamente do diesel. Este é o meio principal de transporte de cargas no Brasil, sendo o mais utilizado pelas indústrias e empresas por meio de caminhões, carretas e utilitários.
Ao final do processo, o diesel mais caro leva ao encarecimento da produção, do transporte e dos produtos, com o custo maior dividido entre os agricultores e consumidores finais por meio do repasse de quem produz, na tentativa de evitar o prejuízo financeiro. “Dá para a gente ter uma ideia pensando no que ocorreu na greve dos caminhoneiros, que foi um processo que nos mostra muito bem como o aumento do combustível impactou. O custo de produção levou os caminhoneiros ao movimento, porque está diretamente relacionado ao quanto custa pôr esses caminhões para rodar”, pontua Caldarelli.
Malefícios além do campo
O professor salienta que não somente o setor agrícola é prejudicado com a alta dos combustíveis, considerando que a gasolina comum também vem sofrendo reajustes nos postos de Londrina. Cita os trabalhadores de forma geral, com atenção especial aos motoristas de aplicativo e entregadores, que utilizam seus veículos como instrumentos para o sustento econômico.
“Se nós temos um acréscimo, os aplicativos não remuneram os seus trabalhadores na medida do aumento do custo de produção. Isso pode levar, por exemplo, a uma redução da margem e até um desincentivo a esses trabalhadores que vão arcar mais com combustível. Esse é um custo do motorista, não remunerado pela plataforma na mesma medida”, relata o economista.
Produção nacional de petróleo
O Brasil bateu o recorde de maior produção de petróleo e gás em 2025, alcançando a marca de 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Mesmo com os números expressivos, a guerra entre os EUA e Irã afeta nossos insumos porque a produção nacional é precificada pelas variações internacionais.
O conflito foi deflagrado no dia 28 de fevereiro. O país persa fechou o Estreito de Ormuz, por onde é escoado quase um quarto do petróleo consumido no mundo, o que levou à escassez do produto em vários países.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
Foto: Pixabay




