Servidores aposentados da UEL recebem homenagens em cerimônia no CCB
Servidores aposentados da UEL recebem homenagens em cerimônia no CCB
Evento celebra a carreira de quem contribuiu muito com a história da Universidade. Renomado pesquisador e telefonista revivem momentos marcantes.Nesta quinta-feira (14), no Auditório Cyro Grossi do Centro de Ciências Biológicas (CCB), aconteceu a Cerimônia de Homenagem a 95 servidores aposentados da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que se desligaram da instituição em 2025. Uma ocasião para celebrar a carreira daqueles que contribuíram muito com a história da Universidade, além de uma oportunidade para fazer conexões, unindo a trajetória profissional com o lado humano dos homenageados. O evento é uma realização da Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRORH) com organização da Coordenadoria de Comunicação Social (COM).
A reitora Marta Favaro destacou a importância da cerimônia como oportunidade de celebrar e reencontrar amigos. “Nós temos certeza que quem fez parte da Universidade continua com o sentimento de pertencer a ela e a vontade de celebrar as amizades construídas aqui”. A reitora também fez uma conexão entre os que estão deixando a UEL e os que estão chegando: “Tivemos momentos importantes neste mês, como a posse dos novos docentes. É importante celebrar a história construída na Universidade pelos nossos aposentados e também a recepção dos novos servidores que vão construir sua relação de pertencimento com a UEL”, afirmou.
Além da reitora Marta Favaro, compuseram a Mesa de Honra as seguintes autoridades: o vice-reitor Airton José Petris, Leandro Altimari, titular da PRORH e o coordenador do projeto Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), professor Denilson de Castro Teixeira. Representando os aposentados, fizeram o uso da palavra o professor Italmar Teodorico Navarro e a servidora Eloisa Helena Aranda Garcia de Souza, que contaram suas trajetórias, ressaltando o orgulho de terem trabalhando na UEL.
Durante a solenidade, houve apresentações do Quinteto de Madeiras da Orquestra Sinfônica (Osuel) e outras atividades artísticas e culturais para a promoção de uma ligação entre arte, memória, gratidão e saudade. Conectando passado e presente, o momento é propício para ouvir representantes dos aposentados, suas histórias, todo o ensinamento que eles têm para passar à comunidade universitária.
Ciência e coração
Falar do trabalho científico de Italmar Teodorico Navarro, renomado pesquisador da UEL, é rememorar uma carreira de grandes êxitos. Ainda em seu mestrado, em 1987, ele descobriu uma concentração de sal ideal para incluir em alimentos embutidos, que foi adotada pelo Ministério da Saúde à época como protocolo nacional para segurança de alimentos e combate à toxoplasmose. Dedicou toda sua carreira ao estudo da doença, resultando em reconhecimentos municipais, estaduais e federal, tornando a UEL referência no tema e fonte de assessoria sobre o assunto para mais diversos órgãos de saúde de todo o país.
Pelas suas qualidades, como proatividade e liderança, foi escolhido para comandar o Hospital Veterinário (HV), além de chefiar o Departamento de Medicina Veterinária Preventiva por cinco vezes. Ganhou fama como pesquisador e professor Italmar: não há estudante, servidor ou professor que não o tenha como lenda no Departamento.
O lado humano também se destaca, pela sua fé. Ao responder sobre onde buscava forças em momentos complicados na carreira, ele não titubeou: “Rezar é fundamental. E sempre vem alguém mostrar uma solução ou dar uma força. Mas para que esse alguém venha, você precisa se doar aos outros também”. E, complementando sobre como sobreviver em momentos difíceis, o professor aconselha: “É fundamental fazer tudo com um coração leve. Não se deixar contaminar por críticas e coisas negativas. É ter esperança. Eu entrava nos corredores do departamento e o pessoal falava ‘chegou o professor feliz’”.

Essa conexão afetiva e espiritual também era estendida aos colegas professores e pesquisadores nos 42 aos em que trabalhou na UEL. Em uma palestra para obstetras, o professor aconselhou: “Eu falava: doutores, vocês são responsáveis pela vida de cada criança que nasce em suas mãos. Se não aqui na Terra, lá no Céu. Então não negligenciem, não relaxem, peçam todos os exames necessários e não desdenhem das mães”. Esse olhar espiritualizado e humanizado de levar a ciência, repercutia em seus pares. Italmar Navarro conta que certa vez, um médico lhe disse que a sua havia sido a melhor aula na vida, não pelo conhecimento passado, mas sim pelo amor e pela responsabilidade transmitidos. O médico revelou que após aquela aula retomou o entusiasmo do início da carreira.
Dizem que o amor traz felicidade, então a justificativa do apelido “professor feliz” talvez venha desse amor ao próximo, dessa humanidade incontida: “Sou feliz hoje, como professor, como pesquisador, por ter levado um pouquinho de luz ao mundo. Não só pelas pesquisas, mas pelas palavras que levamos aos outros. Porque se não tiver um olhar leve, uma palavra leve e um coração leve, ninguém acredita em você”, comenta.
Ainda sobre acreditar, confirmando seu entusiasmo diante da vida, o professor deixou um recado aos jovens pesquisadores: “Se jogue de cabeça, não tenha medo, vá em frente! O mundo espera as pessoas corajosas e até imprudentes, porque muita prudência não cabe, tem que arriscar”, aconselha.
Ligações e conexões
Ainda sobre as conexões da vida… O que falar das que as telefonistas fazem? Será que cabe humanidade, amor e preocupação com o próximo nesse trabalho que pode soar automático, padronizado? Os relatos da servidora Maria Aparecida Teodoro dos Reis, que trabalhou como telefonista na UEL por 23 anos, provam que sim.
Tarde da noite no HU. Maria Aparecida atende uma ligação. Do outro lado da linha, umas falas estranhas, com um quê de confusão, de desespero. A voz perguntava se havia no hospital um psiquiatra. Ela, intuitivamente, anota o número que aparece em seu detector de chamadas. O homem começa a se alterar e a ofendê-la. “Fiquei firme. Tentei falar de Deus, vi que ele não estava bem, e aí foi pior, porque disse que Deus tinha esquecido dele e que estava com uma arma na mão e que não veria a luz do dia”, relata.
Maria Aparecida teve equilíbrio suficiente para tentar ajudar. Ligou para a Sercomtel, que à época fornecia os endereços dos números de telefone em casos especiais como esse. A atendente da empresa telefônica disse algo que deixou Maria ainda mais desesperada: o endereço era de um professor da própria UEL. “Peguei o endereço liguei para a polícia, relatei a situação e o endereço”, conta. Dez minutos depois, um oficial do Samu ligou para ela dizendo que estava tudo sob controle, mas que realmente, quando os paramédicos chegaram no local, haviam constatado que o professor estava na varanda da casa com uma arma apontada para a cabeça.

No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, Maria Aparecida foi recepcionada pela reitora da época, agradecida pela iniciativa da telefonista, que respondeu dizendo que só havia feito o seu trabalho. A reitora retrucou dizendo havia feito mais que isso por ter salvado uma vida. “Eu me senti muito bem de ter feito aquilo. Como telefonista, você também tem que perceber as coisas de longe, tem que entender certas coisas e ajudar. No HU, recebi várias cartinhas de pacientes quando recebiam alta, me agradecendo. Então isso é gratificante e eu tenho certeza que eu cumpri a minha missão certinha”, conclui.
Outro fato, esse bem mais leve, ocorreu quando Maria trabalhava num setor localizado na Biblioteca Central, no campus. Uma mãe desesperada, precisava falar com seu filho, estudante. Ela havia recebido aquele famoso trote do sequestro e precisava ouvir a voz do filho para confirmar que ele estava vivo. “Ela me deu o telefone dele e comecei a tentar, mas ele não atendia, até que atendeu. O mais engraçado é que ele estava ali na biblioteca, em frente à central onde eu estava. Acabei ficando amiga desse menino e até hoje, ele me manda mensagem”, conta.
A rotina de Maria Aparecida como telefonista era dura. Recebia incontáveis ligações para atender durante um dia de trabalho, muitas delas interurbano e até internacionais. “O meu trabalho era passar as ligações para os ramais, nós fazíamos muita ligação para o exterior, e época de vestibular era bem complicado”, conta.
Hoje, aos 64 anos, e com apenas um ano de aposentada, Maria Aparecida diz que já sente saudades da Universidade. “A UEL foi a minha segunda casa. Foi de onde eu tirei o sustento dos meus filhos. Eu tenho a consciência tranquila de que dei o meu melhor, mas sinto falta.”
Conectando realidade e fantasia, a reportagem propõe um exercício de imaginação à telefonista. Se a UEL fosse uma pessoa e ligasse para ela hoje, o que ela diria? “Eu diria: UEL, muito obrigada por esses 23 anos, porque foram maravilhosos. Foi com você que eu me sustentei, eu me mantive de pé. Você me deu oportunidades, foi minha vida. Então, muito obrigada! Continuo amando você e o HU com todo meu coração!”.
Confira aqui mais fotos da Cerimônia de Homenagem aos Aposentados da UEL.













