UEL assume cadeira no Conselho da Mulher e reforça combate à violência em Londrina
UEL assume cadeira no Conselho da Mulher e reforça combate à violência em Londrina
Representantes da Universidade vão integrar a gestão de 2026–2030 e ajudar na criação do novo Plano Municipal e políticas públicas contínuasDuas professoras da UEL integram a nova gestão do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM), eleito na noite da última terça-feira (23) durante a XII Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres. A docente Paula Marques, do Departamento de Psicologia Social e Institucional (CCB) e coordenadora do Comitê de Direitos Humanos e Ações Afirmativas da Universidade passa a ocupar um das cadeiras do Conselho tendo como suplente, Silvana Mariano, coordenadora geral do Laboratório de Estudos de Feminicídios (LESFEM), docente do Departamento de Ciências Sociais (CLCH) e à frente da Assessoria da Transparência e Controle Social da Universidade.
A nova equipe do CMDM tem como missão a composição do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres para o período de 2027 a 2030, seguindo um cronograma previsto para começar em agosto e com a participação das conselheiras eleitas durante a Conferência. A previsão é que o documento seja concluído e aprovado pelo CMDM até dezembro de 2026, antes do encerramento da vigência do plano atual, referente ao período de 2023 a 2026.

Responsabilidade institucional
Para Paula Marques, a presença da UEL no Conselho demarca a importância do debate sobre as responsabilidades da Universidade Pública junto ao território no qual está inserida e produz efeitos significativos na consolidação de políticas de ensino, pesquisa e extensão. “Poderíamos abordar esse tema de formas variadas, considerando a complexidade de relações estabelecidas entre Universidade e as políticas públicas, sejam elas municipais, estaduais ou federais. O contato permanente da UEL com o Conselho, com os movimentos, com os serviços municipais e, sobretudo, com as mulheres que vivem nos diferentes territórios de Londrina traz para dentro da Universidade questões concretas que precisam atravessar nossos currículos, nossas pesquisas e nossos projetos de extensão”, comenta.
Essa atuação da Instituição no Conselho também se alinha ao Plano de Desenvolvimento Institucional da UEL para o quadriênio 2024-2028. Entre seus princípios, o PDI estabelece a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e a interação dessas atividades com a prestação de serviços vinculados com o compromisso social da Universidade. Entre seus objetivos estratégicos, a integração das ações acadêmicas com a sociedade; a transversalização da defesa dos direitos humanos; o enfrentamento das violências sexuais e de gênero; e a ampliação da articulação com o poder público e com os diferentes segmentos da sociedade local e regional, incluindo a celebração de convênios e acordos de cooperação.
“Passa por aí também a responsabilidade da Universidade Pública em debater junto a comunidade questões que envolvem as políticas afirmativas, formas de acesso e permanência no ensino superior. A universidade deve se constituir como um espaço em que todas as mulheres se reconheçam, sejam reconhecidas e possam exercer plenamente seus direitos. O acesso deve ocorrer de forma equânime”, afirma a psicóloga.
Transformações sociais
O conhecimento desenvolvido na Universidade também pode apontar respostas institucionais. “Para que uma universidade responda com excelência aquilo que dela é exigindo socialmente ou mesmo em termos de lei, a interlocução com a comunidade é vital. Essa interlocução qualifica a formação de estudantes e profissionais e ajuda a manter a Universidade atenta às transformações sociais e às necessidades da população”, analisa. “Em um país em que a possibilidade de uma mulher viver livre de violência é quase nula, a universidade, assim como qualquer instância institucional não pode se eximir da responsabilidade da participação de espaços de debate e criação de políticas de enfrentamento a violência de gênero contra mulheres”, diz Marques.
A UEL reúne diferentes áreas do conhecimento e uma ampla experiência de produção de pesquisas, projetos e práticas voltadas à compreensão das desigualdades, das violências e das condições de vida das mulheres. Na avaliação das novas conselheiras, essa capacidade pode contribuir com a produção e a análise de dados, com a formação das equipes que atuam na rede municipal, com a elaboração de diagnósticos e com o acompanhamento e a avaliação das políticas públicas. “A Universidade também pode colaborar na construção de protocolos, fluxos de atendimento e ações educativas que fortaleçam a prevenção das violências e a garantia de direitos. A eleição da UEL para representar as instituições de ensino superior no Conselho, por meio da minha participação e da professora Silvana Mariano, nos coloca diante de uma responsabilidade institucional. A Universidade pode oferecer sua capacidade técnica, científica e formativa, ao mesmo tempo que aprende com os saberes construídos pelas mulheres, pelos movimentos sociais, pelos serviços e pelas experiências dos territórios”, afirma.
Expertise multidisciplinar
Para Silvana Mariano, a participação da UEL no Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres se consolida como uma importante via de mão dupla entre a academia e a comunidade. “A presença institucional permite que a Universidade absorva as demandas locais e, ao mesmo tempo, ofereça respostas e alternativas práticas para o enfrentamento da violência e a garantia dos direitos humanos”, comenta. Para a coordenadora do LESFEM, a UEL coloca à disposição do Conselho toda a sua estrutura e expertise multidisciplinar. Essa contribuição vai além das conselheiras ocupantes das cadeiras, mobilizando diferentes departamentos, órgãos e setores da universidade para oferecer cursos de capacitação e formação ministrados por docentes, cessão de espaço físico para atividades e auxílio técnico na gestão interna e no monitoramento de planos de ação.
“A universidade funciona como um espaço de articulação. Conseguimos acionar o que os diferentes setores têm de melhor para responder às demandas levantadas pelo Conselho”, afirma Silvana Mariano que ainda destaca o processo democrático na preparação da Conferência Municipal das Mulheres, com a realização das pré-conferências presenciais e online, engajando a comunidade na formulação de políticas públicas.
“Esse amplo processo de escuta da sociedade londrinense resultou no acúmulo de aproximadamente 400 propostas vindas de diversos segmentos e regiões da cidade. O material servirá como base para a elaboração do próximo Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, uma agenda bastante ampla, que inclui o enfrentamento das violências e do feminicídio, a saúde integral, as políticas de cuidado, a autonomia econômica, a educação para a igualdade, o controle social nos territórios e a transversalidade da perspectiva de gênero na gestão e no orçamento público, direcionando as ações governamentais para os próximos anos”, explica.
Pluralidade feminina
A expectativa para o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Londrina no quadriênio 2026–2030 é fortalecer a formulação e o monitoramento de políticas públicas, convertendo as deliberações da XII Conferência em ações contínuas. O principal desafio da gestão será garantir orçamento, metas e equipes preparadas para consolidar projetos de enfrentamento à violência, saúde integral e autonomia econômica, assegurando que o planejamento do município alcance as mulheres que enfrentam maiores barreiras de acesso.
Para as conselheiras representantes da UEL, a maioria feminina na composição do Conselho é vista como um importante ganho de força política em um cenário tradicionalmente dominado por homens. “Formado por mulheres de trajetórias, raças e territórios distintos, o órgão aposta nessa pluralidade e na sororidade — entendida como uma ética de escuta e compromisso — para mediar divergências, ampliar a representatividade e desenhar políticas públicas mais eficazes e próximas da realidade local”, afirmam.
*Assessora Especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL
Fotos: N.com/Prefeitura de Londrina




