Orquestra de Projetos Sociais consolida aprendizado e encerra o 46º FIML

Orquestra de Projetos Sociais consolida aprendizado e encerra o 46º FIML

Formação reúne 102 jovens de dezenove iniciativas sociais do país evidencia a música como ferramenta de inclusão e excelência pedagógica

A consagração do intenso processo de formação e intercâmbio cultural marca o encerramento da 46ª edição do Festival Internacional de Música de Londrina neste domingo (19), às 10h30, no Teatro Ouro Verde. O ponto alto da programação será a apresentação da Orquestra Brasileira de Projetos Sociais, que sobe ao palco com ingressos já esgotados e com lista de espera.

O concerto representa o ponto alto do curso Prática de Orquestra, atividade pedagógica que promoveu dez dias de imersão e convivência entre jovens musicistas de todas as regiões do Brasil. Sob a regência da maestrina uruguaia Cláudia Rieiro, diretora da Escola Nacional de Música do Sodre, o agrupamento sinfônico reúne 102 estudantes vindos de 19 organizações não governamentais e projetos parceiros: NEOJIBA (BA); Aprendiz Musical (RJ); ASM – Ação Social pela Música do Brasil (RJ);  ASM Petrópolis (RJ); Instituto Baccarelli (SP); Projeto Guri (SP); IZP – Instituto Zeca Pagodinho (RJ); Orquestra de Câmara de Carajás Parauapebas (PA); PRIMA – Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (PB); Orquestra da Rocinha (RJ); Instituto Cultural Alto da Colina (BA); Conservatório de Tatuí (SP); ATMC – Academia Teixeirense de Música Concertante (BA); Vale Música ES (ES); OSB Jovem (RJ); Projeto Arte & Vida (PR); Associação Solidariedade Sempre (PR); Orquestra Popular Camponesa(PR); Orquestra Jovem da Grota (RJ).

A apresentação artística reflete o amadurecimento técnico alcançado pelos alunos e contará ainda com o reforço de 20 coralistas da UEL e de alunos de Maringá, orientadas pelas professoras Klesia Andrade, Daisy Fragoso e Andreia Schach Fey. A coordenação pedagógica do projeto é da professora venezuelana Carla Rincon.

Orquestra Brasileira de Projetos Sociais formada por jovens musicistas (FOTO: Fábio Alcover)

Repertório e representatividade

O programa musical elaborado para a ocasião transita por diferentes tradições estéticas e nacionais. A abertura será com a execução da célebre Sinfonia “Inacabada”, de Franz Schubert, seguida por Libertango, de Astor Piazzolla, com solo do pianista Ben-Hur Cionek. Na sequência, os jovens interpretam a obra Alas (a Malala), do compositor mexicano Arturo Márquez — peça de forte carga simbólica. Segundo a coordenadora, trata-se de uma obra com forte teor social e humanitário. “É uma peça muito particular que faz uma homenagem à ativista Malala Yousafzai, após o atentado que ela sofreu. É uma música que fala essencialmente sobre a esperança”, detalha Rincon. 

O espetáculo termina com o clássico nacional Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, que terá a participação especial da pianista Maria Teresa Madeira. “Como sempre, nós temos o repertório brasileiro. Dessa vez, eu quis incluir, e é a primeira vez sob a minha direção, uma peça europeia porque, dentro do crescimento instrumental de cada um dos integrantes, isso também faz parte da formação, mesmo que a nossa prioridade seja a música brasileira e a música latino-americana”, pontua.

Ela destaca a expansão estrutural da iniciativa, que pelo segundo ano consecutivo se apresenta no formato de orquestra sinfônica completa. A coordenadora também enfatiza a dimensão educativa da escolha de Cláudia Rieiro para a regência, visando inspirar o corpo discente e demonstrar a sólida presença de lideranças femininas de excelência no cenário da música erudita. “Convidamos uma maestrina para apresentar aos alunos que existem mulheres muito competentes e maravilhosas no mundo da música”, afirma.

Intercâmbio e um concerto multicultural (FOTO: Fábio Alcover)

Legado Pedagógico

A iniciativa, que encerra as atividades do Festival, consolida o papel do evento como um polo de desenvolvimento e convergência metodológica. A proposta pedagógica teve origem no seminário “Educação Musical: o Compromisso Social”, realizado em 2000, evoluindo para o formato atual de intercâmbio de larga escala.

De acordo com a diretora geral e pedagógica do FIML, Magali Kleber, o projeto se firma pela coragem e complexidade logística e conceitual ao integrar realidades tão diversas do território nacional. O encontro atua como um catalisador de experiências, onde as metodologias de ensino de cada professor se fundem, gerando novas perspectivas e conhecimentos práticos que os estudantes levarão de volta às suas comunidades de origem, multiplicando o impacto social da educação musical.

*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL

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