Egressos com sólida formação acadêmica alcançam o sucesso profissional
Egressos com sólida formação acadêmica alcançam o sucesso profissional
No “Dia do Egresso da UEL”, as histórias do policial militar e do pesquisador mostram o quanto a Universidade foi decisiva em diferentes carreirasNo “Dia do Egresso da UEL”, comemorado hoje, 11 de agosto, reportagem mostra dois perfis, duas realidades, duas trajetórias diferentes que só apontam o quanto a diversidade, as possibilidades de futuro profissional são possíveis após a conquista de uma formação superior. Entre prêmios e lições de resiliência, conquistas e realização de sonhos, seja de um policial militar, seja de um pesquisador, a UEL se reafirma como espaço de formação, acolhimento e celeiro de boas recordações para atuais e futuros egressos.

O caminho do sonho
Já de noite, exausto, depois de caminhar desde as sete horas da manhã pelo Caminho do Itupava, a trilha mais antiga do Paraná, com 22 quilômetros de extensão, passando por dentro da Serra do Mar, escorregando em pedras úmidas, andando sob calor forte, com bagagem pesada, um jovem teve dedicação e resiliência, porque sabia que precisava completar a caminhada. Estava a poucos passos de encerrar a Adaptação, período de 15 dias que recém-aprovados em concursos da PM devem cumprir, quando foi surpreendido por uma presença inesperada ao chegar na Academia da Polícia Militar do Guatupê. Emocionado, recebe sua primeira farda das mãos do pai, seu José Nilton Serafim, também policial militar, que “passa-lhe o bastão” tão esperado pelo filho durante a vida toda. Esse foi um dos momentos mais marcantes da vida de Nilton Lucas Luciano Serafim, 29 anos, egresso UEL.
Não só a carreira do pai influenciou os rumos de Nilton. Houve uma outra influência, quase onipresente: a da UEL. A Universidade participou de sua vida desde a creche – onde entrou com um ano de idade –, passando pelos ensinos Fundamental e Médio, os quais estudou no Colégio de Aplicação, até culminar com a diplomação superior. Se pelas mãos do pai veio a farda, as da mãe o conduziram de perto na UEL. Dona Solange Aparecida Serafim foi pedagoga da Universidade por 30 anos, trabalhando na creche e hoje é servidora da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd).
Por conta dessa vivência toda na Universidade, o estudante Nilton tinha outra determinação, além de se tornar policial: fazer um curso superior na UEL. “Era um sonho que todos os meus colegas do Aplicação compartilhávamos, e por conta da minha mãe ser professora também. Eu até brincava com o pessoal, dizendo que estava na UEL há mais tempo que muitos professores”, conta Nilton Serafim.

A escolha foi Matemática. E, outra vez, com influência familiar, pois sua mãe lhe passou um hábito, gostava de ensinar, principalmente matemática: “Eu gostava do ambiente escolar, de estudar, e durante as aulas, sempre tentava ajudar, ensinar os colegas. Conversei com professores do Aplicação, e me disseram que se Matemática era algo que eu gostava, deveria fazer”, conta Nilton e complementa dizendo que, apesar de sua primeira opção sempre ter sido fazer concurso para a PM, quando entrou no curso da UEL, aos 17 anos, acabou gostando do ambiente da faculdade, indo bem nas provas e adiando o sonho de seguir os passos do pai.
Mas notou que, às vezes, dois mais dois não são quatro. Percebeu que o curso exigia muito, algo diferente do que via no Ensino Médio. Não à toa, muitos estudantes de Matemática desistem do curso. “Muitos entram pensando naquela matemática do Ensino Médio, que não é muito complexa, que tem uma aplicação prática, visível. E na faculdade é algo mais abstrato. Muitos têm dificuldade”, avalia. Mas Nilton não desistiu, pois, de novo, teve dedicação e resiliência, porque sabia que precisava completar a caminhada e viver outro momento marcante, a formatura na UEL. “Foi no Moringão, algo bem especial, com muitos parentes presentes, além de ter sido o encerramento de um ciclo. Quando me formei, foi a primeira vez que senti que estava saindo da UEL. Foi muito emocionante”, revela. Encerrava ali um ciclo, com a mesma alegria que sentiu quando, num Dia dos Pais, seu José Nilton foi até a creche todo fardado, enchendo-o de orgulho perante os coleguinhas.
O percurso da aprovação
E ainda bem que Nilton Serafim não desistiu, porque o curso feito na UEL ajudou-lhe a passar no concurso da PM. Antes de se formar, tentou alguns certames e, embora indo bem em matemática, ia mal em outras disciplinas. O curso da UEL supriu-lhe outras deficiências. “A bagagem que consegui durante os quatro anos de UEL me fez uma pessoa muito mais atenta, com melhor poder de síntese, o que me ajudou na Redação, além de me dar mais concentração e foco”, aponta.
A aprovação veio em 2021 e, hoje, o 2º tenente-coronel Nilton Serafim, do 5º Batalhão de Polícia Militar, atua como comandante de fração, coordenando o policiamento e sendo responsável por organizar a logística de viaturas nas ruas de Londrina. Além disso, tem uma outra função, que, de novo, tem a ver com ensino. Participa da coordenação do Curso de Formação de Praças.
Nas ruas, se encontra todo tipo de situação, algumas exigindo diálogo e capacidade de interpretação. O tenente-coronel Serafim conta que, certa vez, houve uma ocorrência de briga dentro de um ônibus causada por injúria. Ao ouvir as histórias, percebeu que a suposta agressora também era vítima, não na briga, mas das circunstâncias. Ela havia sido ofendida com o termo “fedida”, e reagiu agressivamente. Quando Nilton foi conversar com a moça, ela começou a chorar copiosamente. Contou que era pobre e que não tinha dinheiro para comprar sabonete. “Então, nós temos sempre que ouvir os dois lados, para que as informações corretas sejam levadas a juízo. Vi que no nosso trabalho, precisamos ser realmente imparciais para avaliarmos bem a situação”, explica e ressalta que essa habilidade que os policiais também precisam ter é conseguida na disciplina de Direitos Humanos, que Nilton ministrou recentemente no curso que coordena.
Encantos e olhares para o horizonte
Se dedicar aos outros é para o tenente Serafim o que mais admira na Polícia Militar. “Se doar, pra trazer segurança e tranquilidade pra sociedade. O policial se doa quando se arrisca colocando a própria vida em benefício da população. Isso sempre me encantou”, diz.
Essa mesma ligação, de encantamento, que Nilton tem com a PM, também tem com a UEL, que mudou sua vida. “O curso da UEL ajudou a abrir minha mente. Lá, fiz natação, Inglês, viajei para outras cidades em congressos, aprendi a tocar bateria, participei de competições esportivas, joguei basquete.” O tenente-coronel ressalta que a UEL tem uma infraestrutura muito boa, não só para os estudantes. “Eu treinava para o concurso na pista de atletismo da UEL. O suporte que ela oferece pra comunidade londrinense e da região é fantástico, vai muito além do ensino, porque tem uma estrutura muito acolhedora. Pra mim, nunca faltou nada na UEL”, testemunha.
Com a mesma diligência que os chefes militares passam suas tropas em revista, a reportagem tentou conferir o passado e o presente do egresso Nilton Serafim. Mas, e o futuro? “É crescer na carreira, novos postos, trabalhar bastante pra isso. Talvez até voltar à UEL, fazer mestrado e doutorado, me especializando academicamente para trazer isso de volta para a sociedade como policial”, prognostica.

O caminho da Ciência
Se segurança pública é algo primordial para o bem-estar da sociedade, o que dizer da Ciência, ou, mais especificamente, da pesquisa voltada para doenças que afligem milhões de pessoas como o câncer? Um outro egresso da UEL está conseguindo reconhecimento internacional com seus estudos voltados para esse tema.
Quando saiu o anúncio de que sua pesquisa tinha recebido o Prêmio Alemão do Câncer 2026, José Pedro Friedmann Angeli ficou surpreso e avaliou a escolha como sorte. “Tive a sorte de ser nomeado, junto com o meu colaborador, o professor Marcos Conrad, e como é um trabalho que está muito no início, fiquei surpreso, porque geralmente esses prêmios vão para gente que já está com um trabalho mais estabelecido”, comenta.
Além da humildade, outra característica marca o perfil desse araponguense de 42 anos: o amor pela descoberta. “Acho que isso é a maior característica de um pesquisador. Você não precisa ser um gênio, mas tem que se motivar com pequenas descobertas. O que me fez destacar entre meus pares é que tenho muita paixão pelo que faço” avalia.

Na trilha da doença
E o fruto mais recente dessa afeição pela descoberta e que chamou a atenção da comunidade científica alemã tem a ver com a ferroptose, um tipo de morte celular que pode ajudar a combater o câncer. “O que a gente tenta estudar é como as membranas, as células, se mantêm saudáveis, quais os processos, quais as proteínas envolvidas na identificação e reparação desses danos, e tentar interferir usando moléculas ou drogas”, explica José Friedmann e complementa apontando que o estudo tem relevância para o câncer porque determinadas células tumorais têm um metabolismo alterado que gera uma frequência de danos nas membranas celulares, que ficam mais dependentes dos processos de reparo. “Nós gostaríamos que essas descobertas, que as drogas que testamos, possam futuramente ser testadas em modelos experimentais e, finalmente, em pacientes”, almeja.
A paixão pela descoberta e pela ciência se formou na UEL, onde fez o curso de Ciências Biológicas em 2005, mas mais especificamente no Mestrado em Biologia Genética Molecular, também na UEL. “Foi no Laboratório de Mutagênese e Oncogenética onde comecei a me interessar por essa área de danos em biomoléculas e radicais livres”, relembra. Esse interesse acabou levando-o a fazer um doutorado na área na Universidade de São Paulo (USP) e, em seguida, um pós-doutorado no Instituto de Química da USP, onde se aprofundou na área de radicais livres e processos de oxidação.
Nada mal para alguém que, na época da escola, não era muito estudioso e que, na graduação se interessava mais por aulas de natação, o que possivelmente baixava o desempenho nas notas. “Na escola, era mais o tipo de aluno que copiava tarefa dos amiguinhos antes de começar a aula, e na UEL os professores também não me viam como um aluno muito exemplar”, brinca José, cujo pai, José Mário Angeli, foi professor de Filosofia e a mãe, Rosemari Friemann Angeli, é professora de Pedagogia, ambos da UEL.

(FOTO: reprodução / Deutsche Krebspreis 202)
Rumo à Europa
Após o doutorado na USP, José Friedmann vai morar na Alemanha, em 2011, instigado pela excelência das universidades alemãs, principalmente na linha de pesquisa que estudava. Estabeleceu-se em Würzburg, que fica no estado da Baviera, e que é uma cidade com a tradição de acolher muitos prêmios Nobel em seus inícios de carreira.
Como não poderia deixar de ser, a UEL também teve uma pontinha de participação na decisão pela carreira internacional. Na graduação, teve a oportunidade de fazer intercâmbio em Viena, Áustria. “Acho que depois disso ficou bem claro pra mim que eu queria ter uma experiência mais longa lá fora, trabalhar num grupo de pesquisa de ponta.”
Na cidade alemã, além de pesquisador, José Friedmann é professor titular na Universidade de Würzburg, que está entre as melhores na área de Biomédicas, embora só ministre, em média, apenas duas aulas por semestre, já que as atividades empregadas com dezenas de orientandos de doutorado e pós-doutorado, além do seu próprio trabalho de pesquisa, ocupam-lhe praticamente todo o tempo.
Início da jornada
Saber escolher é importante na vida. Se a escolha de ir para a Alemanha foi acertada, essa foi consequência de uma outra, feita anos antes. Ao finalizar o Ensino Médio, José Friedmann fez quatro vestibulares e passou nos quatro. Entre outras universidades renomadas em que foi aprovado, escolheu a UEL. “O curso de Ciências Biológicas da UEL é um dos mais reconhecidos do Brasil. Era um curso superconcorrido. Tive ótimas experiências na UEL e acho que, de fato, a Universidade acabou formando o pesquisador que sou hoje”.
Ainda sobre a UEL, o pesquisador lembra o quanto fazer um curso superior na instituição foi marcante. “Havia uma vida universitária muito legal, única. Os cursos interagiam bastante um com o outro. Não só a parte de estudar, mas a vida na UEL era algo que fazia a Universidade diferente. Um ambiente multicultural, no qual você se expõe a diferentes visões de vida. É uma experiência que abre a sua cabeça”, afirma. José não esconde que sente saudades da UEL. “Eu tenho muita saudade, sempre quis voltar. Nunca tive oportunidade, mas penso com carinho. Se eu tivesse que voltar no tempo e escolher uma universidade, sem dúvida nenhuma, eu faria a UEL. Não só pela qualidade, mas por tudo que oferece.”
Questionado sobre o segredo do seu sucesso, José Friedmann manteve a humildade: “Não dá pra negar que em determinados momentos da minha carreira tive muita sorte de estar no lugar certo e na hora certa, de ter mentores e orientadores que me deram muita liberdade. Fazer ciência é tentar descobrir coisas novas todos os dias. É nunca ficar tentando fazer o que os outros fizeram. Porque a sensação de ser o primeiro a descobrir algo é muito legal”, comenta.
Mapas para os jovens
Os dois egressos da UEL têm bons conselhos para os mais jovens. O do tenente Nilton Serafim vai para quem está em dúvida se estuda na UEL: “Olha, estude. É uma universidade fantástica. Não só estude, viva a UEL. Tem campo de Educação Física, aulas de línguas, eventos com a comunidade acadêmica. Então, faça a Universidade, porque é um ambiente muito bonito, agradável e que vai te construir, não só como profissional, mas como ser humano”, aconselha.
Já o do pesquisador José Friedmann, se dirige aos que já estão na universidade e que querem fazer da Ciência um caminho bem percorrido: “ Se mantenha empenhado, mas, acima de tudo, curioso. Se você não entende algo, vá, fuce, até entender. Fazer Ciência pode ser maçante, mas descobrir algo que ninguém nunca descobriu é muito bom. Evite modinhas. Querer trabalhar numa coisa só porque é a área do momento é a pior besteira. Faça o seu próprio caminho”.
(FOTOS/Nilton: André Ridão)




