Cerimônia em alusão ao Setembro Verde ressalta a importância da doação de órgãos

Cerimônia em alusão ao Setembro Verde ressalta a importância da doação de órgãos

Cerimônia foi marcada pelos relatos de familiares que autorizaram a doação dos órgãos de parentes

O Hospital Universitário da UEL (HU-UEL) realizou na segunda-feira (28) uma cerimônia em alusão ao Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. O encontro ocorreu em frente ao saguão do Hospital e reuniu servidores, docentes, autoridades, familiares de doadores e pacientes que receberam transplantes.

A atividade foi realizada um dia após o Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, e teve como objetivo reforçar a importância de falar sobre o tema dentro das famílias. Durante a programação, foram apresentados dados sobre a atuação do HU/UEL na rede de transplantes do Paraná, além de relatos de familiares que autorizaram doações e de um paciente transplantado. Ao final, ocorreu o plantio de uma muda de árvore frutífera, representando a valorização da vida e da esperança que a doação de órgãos proporciona.

Em 2025, o HU/UEL foi novamente o maior notificador de mortes encefálicas do Paraná. Foram registradas 95 notificações, das quais 28 resultaram em doações, enquanto 49 tiveram contra indicações clínicas e houve 15 recusas familiares. Os dados evidenciam o trabalho das equipes do hospital na identificação de potenciais doadores e no acompanhamento das famílias durante o processo.

O diretor superintendente do HU/UEL, professor doutor José Roberto de Almeida, parabenizou a realização do evento e o trabalho da equipe envolvida com a doação de órgãos, destacando o papel do hospital na rede estadual.

Encontro ocorreu em frente ao saguão do Hospital e reuniu servidores, docentes, autoridades, familiares de doadores e pacientes que receberam transplantes (FOTOS: Marcos Carbonez)

Histórias de doações e transplantes

A cerimônia também foi marcada pelos relatos de familiares que autorizaram a doação dos órgãos de seus filhos. Carlos Aparecido Correa contou que, há alguns anos, perdeu o filho de quatro anos em um acidente. Após ser abordado pela equipe do hospital, ele e a mãe da criança decidiram autorizar a doação.

Carlos ressaltou a importância de conversar sobre o assunto ainda em vida. Ele contou que já havia conversado com a ex-esposa sobre a possibilidade de serem doadores, mas que nunca imaginou que precisaria tomar essa decisão diante da perda do filho. Segundo ele, a doação também ajudou no processo de luto, ao saber que outras pessoas poderiam ser beneficiadas.

Simone Rualdo de Lima compartilhou uma experiência semelhante. Ela perdeu o filho, de 16 anos, em um acidente de trabalho e relatou que a abordagem realizada pelo hospital foi humanizada e decidiu autorizar a doação de forma consciente. Para Simone, pensar nas pessoas que o filho pode ter ajudado também contribuiu para enfrentar o luto.

Os relatos reforçaram a importância de conversar previamente com os familiares sobre a intenção de doar, já que, diante de uma situação de morte encefálica, são eles que autorizam a doação.

O encontro também contou com o depoimento de Agenor Dutra Pereira Neto, de 63 anos, que recebeu dois pulmões em 2023, após conviver durante dez anos com fibrose pulmonar. Ele entrou na lista de espera de transplante e, após 20 dias, foi chamado para realizar a cirurgia no Hospital Israelita Albert Einstein.

Agenor afirmou que considera ter “duas datas de nascimento” e destacou que, apesar de a recuperação ser um processo lento e muitas vezes difícil, a doação proporcionou uma nova oportunidade de vida. 

A coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) Londrina, Emanuelle Fiorio Zocoler, destacou a importância de equipes bem treinadas para realizar uma abordagem humanizada às famílias, garantindo que elas tenham todas as informações necessárias para tomar sua decisão.

O vice-reitor da UEL, Miguel Belinati Piccirillo, agradeceu aos familiares doadores e ao paciente receptor por compartilharem suas experiências e reforçou a importância da divulgação da doação de órgãos.

A médica Ana Paula Oguido e o enfermeiro Carlos Oliveira, do Banco de Olhos Regional de Londrina (BOL), vinculado ao HU-UEL, trouxeram os números do setor. O serviço abrange cinco Regionais de Saúde — Apucarana, Londrina, Cornélio Procópio, Jacarezinho e Ivaiporã —, 97 municípios e 23 hospitais notificadores, alcançando uma população de aproximadamente 2 milhões de pessoas.

Desde o início dos atendimentos, em abril de 2011, o BOL já registrou 3.248 doadores. Foram 280 em 2024, 291 em 2025 e, até 24 de setembro deste ano, 166 doadores. Entre abril de 2011 e agosto de 2026, 3.494 córneas que passaram pelo Banco de Olhos do HU-UEL foram transplantadas. Em média, 55% das córneas captadas são aproveitadas, enquanto as demais são descartadas por fatores como contraindicações e sorologia positiva.

(Com texto, informações e FOTOS da Assessoria de Comunicação do HU/UEL).

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