Roda de Conversa destaca trajetórias de estudantes negros

Roda de Conversa destaca trajetórias de estudantes negros

O tema da atividade é “Encontros interétnicos: histórias e trajetórias das e dos estudantes negras e negros da Universidade"

Reinaldo C. Zanardi

Agência UEL


O Serviço de Bem-Estar à Comunidade (SEBEC), com apoio da Gráfica, promove nesta quarta-feira (19), às 19 horas, mais uma roda de conversa online – via Google Meet – voltada para estudantes de graduação e de pós-graduação. O tema da atividade é “Encontros interétnicos: histórias e trajetórias das e dos estudantes negras e negros da Universidade”. Para realizar as inscrições, basta enviar um e-mail para psicologia.sebec@uel.br.

Trajetórias – Encontro permite conhecer trajetórias e histórias de estudantes negros. É o caso de Keila Jaquilina Nascimento, de Cabo Verde, África. Ela, que cursa a segunda série do curso de Farmácia, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), diz que teve algumas dificuldades. “No início, senti muita saudade dos familiares e amigos e isso me fazia sentir um pouco sozinha. Senti mais impacto em relação à comida e ao clima”, afirma a estudante. “Em Cabo Verde, estudei até o ensino médio. Apesar do ensino ser considerado bom, mesmo assim tive dificuldades em me adaptar aos novos métodos de ensino da faculdade, isso talvez por conta da situação econômica”.

Ela afirma que em seu país, não passou por situações de racismo. “No entanto, aqui no Brasil, tive que lidar com essas situações de forma direta e indireta. Percebi alguns comentários e olhares racistas e xenofóbicas”, afirma. “Achei muito bom o posicionamento antirracista e entre outros projetos que dão vozes às pessoas negras no Brasil. Em Cabo Verde, essa luta não tem muita força tanto quanto aqui”.

(Divulgação/SEBEC/Gráfica)

A estudante Tainã Aparecida Teixeira da Silva, do curso de Pedagogia, afirma que sua trajetória na Universidade não pode ser desassociada da sua trajetória de vida. Ela relata ter passado por situações de racismo por parte de colegas e, também, professores. “É muito complicado, porque a gente tem – a todo momento – ficar se afirmando, se certificando que estou ali por um direito que tenho, que eu consegui aquilo ali, por uma coisa que eu lutei, que eu estudei”, afirma.

Ela conta ainda que recebeu diversos questionamentos de pessoas que perguntaram se ela estava ali por causa das cotas. “Como se alguém tivesse me dado uma vaga. E não é isso. Eu estudei e tirei a pontuação necessária. Eu entrei pelas cotas, um direito meu. A estudante diz que o racismo começa na infância e é um processo doloroso. Por isso, ela destaca a importância da consciência negra e das campanhas antirracismo. Confira o áudio.

Ela conta que é a segunda da família a ingressar em uma universidade pública. A sua irmã mais nova foi a primeira a passar no vestibular na UEL, aos 17 anos. Hoje, a irmã está concluindo o curso de Direito. “Ela fechou os cinco anos dela, sem pendência, foi uma ótima aluna. E até hoje, ela tem de se afirmar”, comenta a estudante de Pedagogia.

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